Na Cidade | 4ª Turnê Intrínseca – Fomos e amamos

Eu moro em Maceió, o que significa que as chances de conseguir ir a um evento bacana desses que a gente vive divulgando são bem pequenas. Então quando vi no instagram das Nerdivinas que Maceió era um dos destinos da primeira fase da Turnê Intrínseca, me animei muito. Ainda mais quando descobri que Maceió só se tornou um dos destinos após a participação do público leitor alagoano na campanha da editora nas redes sociais.

turnemaceio

Mesmo sabendo disso, eu não esperava a quantidade de gente que encontrei por lá. A distribuição de senhas estava marcada para as 14h, cheguei às 14:15 e já tinha uma fila enorme em frente à livraria. Tão enorme que só consegui pegar senha para o segundo evento: 200 senhas foram distribuídas em meia hora!

O mais legal é que o público era composto 80% de xóvens. Eu, que não me acho tão velha assim, estava me sentindo a tiazona da galera. Por sorte tinha o Benjamin comigo para amenizar um pouco a sensação de não-pertencimento. Sim: levei o Benjamin. Não sabia como seria o formato da turnê, mas a equipe da editora me respondeu dizendo que crianças eram super bem-vindas.

Daí que eram 14:30 e o evento só começaria às 17:45. Foi a única parte da organização que me aborreceu um pouco, mas é super compreensível. Eles só abririam o segundo evento caso houvesse público, então não tinham como marcar um outro horário para a distribuição das senhas da segunda apresentação. Justo, mas eu tinha 3 horas e nenhum dinheiro para distrair uma criança de 5 anos no shopping.

Acabei tendo uma preview da apresentação durante o passeio, já que o evento acontecia na praça central do shopping, onde estava havendo uma feira literária. Um espaço pequeno onde as pessoas se aglomeravam no chão para ver um palco bem próximo, pensei: “Meu filho não vai aguentar 30 minutos nesse negócio.”

Confesso que eu não sabia muito o que esperar do evento pois não acompanhei as turnês anteriores, mas havia lido para levar lanche, água e disposição, coisas que quem tem filhos nunca esquece em casa. Mas depois de quase 4h no shopping, a disposição da criancinha já estava vacilante e eu cogitei ir embora várias vezes enquanto aguardávamos nossa vez de entrar.

Depois de entender mais ou menos como funcionaria e ter a certeza de que não seria legal pro Benjamin, liberei o celular para que ele ficasse jogando, o que teria sido uma ideia genial se o celular não tivesse descarregado em 10 minutos. O jeito era tentar fazer o evento parecer atrativo pra ele. Mas eu não precisei fazer isso: as próprias meninas do marketing da Intrínseca, apesar de estarem na terceira apresentação do fim-de-semana (duas delas seguidas), conseguiram prender a atenção dele durante a apresentação de todo o catálogo de lançamentos infanto-juvenis.

Ele se afeiçoou particularmente pelo lançamento dos Filhotes Submarinos (Seth Casteel), Frank Einstein (John Scieszka), O Livro Sem Figuras (B.J. Novak – do The Office e o livro que eu estava aguardando ansiosamente), mas se apaixonou mesmo pelo Ache Momo.

Find Momo (Book Trailer) from Andrew Knapp on Vimeo.

Já eu fiquei positivamente surpresa com os títulos de todos os selos. A Intrínseca é conhecida pelas séries e best-sellers, então  esperava mais do mesmo: Rick Riordan, Matthew Quick, John Green… Eu não estava inteiramente enganada, tem mais do mesmo sim. Mas tem mais, muito mais.

Por exemplo: a Intrínseca vai lançar o livro Yaqui Delgado Quer Quebrar a Sua Cara, um livro escrito por mulher (1) com uma protagonista latina (2) que trata sobre bullying nas escolas (3). A autora, Meg Medina, ganhou prêmios por escrever sobre a diversidade  e sua biografia diz que ela “se orgulha em escrever sobre ‘mulheres fortes, circunstâncias difíceis e o poder de conexão da cultura'”, além de ter como meta “unificar leitores entre culturas através da criação de um elo pela singularidade e universalidade da cultura Latina.” (Meu filho amou o nome desse livro e fica repetindo ad eternum que a Yaqui Delgado quer quebrar a minha cara.)

Também está no calendário da editora o livro de uma das porta-vozes do feminismo nos EUA: Amanda Palmer. A Arte de Pedir fala sobre sua experiência com o crowdfunding e sua conexão com o público ao aceitar doações. Pouquíssimas pessoas na platéia conheciam Amanda Palmer, e eu fico extremamente feliz de que a editora leve essa figura para audiências mais jovens, sem fugir de palavras como feminista.

Falando em Palmer, uma agradável surpresa foi ter descoberto que a Intrínseca tem os direitos autorais dos romances do Neil Gaiman (marido de Palmer). Eu sou tão pouco fã de Gaiman que tenho os Perpétuos tatuados na perna (de forma nada discreta), então dei pulinhos de alegria ao saber que terei edições em Português de quase todos os seus livros. Eu li a edição deles de O Oceano no Fim do Caminho e o Erros Fantásticos e gostei bastante da tradução. O livro programado para este semestre é o Filhos de Anansi, que já havia sido publicado no Brasil. Mas fico feliz de saber que as obras de um dos meus autores favoritos no mundo todo estão em boas mãos.

Também fiquei fã dos autores brasileiros da editora. Folheei uma edição do Pó de Lua há algum tempo e acabei não comprando, foi interessante descobrir que no blog da Intrínseca é possível ler material novo deles toda semana. E mais do que isso não digo, porque elas pediram para não estragarmos a surpresa para as outras cidades que receberão a Turnê.

No final eu ainda ganhei um livro no sorteio! Elas conseguiram sortear uma das poucas feministas do local para ganhar 50 Tons de Cinza! Nunca vi uma sorte tão azarada quanto essa! Eu preferi muito mais o kit dado no final, com uma necessaire linda, lápis, um caderninho com os lançamentos, marca-páginas e bottons, inclusive um que estou colecionando para marcar as turnês das quais já participei.

Também ganhamos um vale-ebook, que acalentou o Benjamin. Meu filhote foi um guerreiro e aguentou sentadinho até o final, mas chorou litros ao não ser sorteado para ganhar o livro e a bandana do Momo. Aproveitei seu vale-ebook (sim, ele teve senha e ganhou os brindes só pra ele) e adquiri a versão virtual do Ache Momo. Ele passou o dia inteiro achando o cachorrinho e descobrindo detalhes das fotos graças ao zoom do e-book. Brinde 1 x Sorteio 0!

Minha avaliação do evento é super positiva. Não é uma atividade ideal para crianças, mas meu filho adorou, de verdade! Não para de falar dos livros apresentados, particularmente os que tinham detalhes como assassinato sequestro, mas já perguntou quando vai ter de novo.

Aqui em Maceió só no próximo ano, mas a turnê está só começando:

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Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café

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  • Vitória

    Eu vou! Mas eu vou no de São Paulo com meu irmão no dia 21 um dia anterior do meu aniversário. Como eu sei que vai demorar muito pra chegar ao local vamos sair bem cedo ( eu é meu irmão) pois conheço a peça (meu irmão). Vou ter que sair 11:00 horas da manhã pois o Shopping Iguatemi da minha casa ate lá é uma hora, e pelo menos conseguir a primeira ou a segunda sessão! Se não vou chegar em casa muito tarde.
    Com sua postagem me deu mais vontade de ir!

    • Vale muito a pena! Poxa, você vai fazer uma verdadeira jornada pra conseguir chegar, hem! Tomara que seja sorteada com alguma coisa bem bacana! (;

  • Pingback: Na Cidade | 5ª Turnê Intrínseca: A editora mais querida do pedaço - Pac Mãe()