Leitura | A Chave do Tamanho – o pós apocalipse de Monteiro Lobato

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O mundo pós apocalíptico é um tema frequente de livros, séries, filmes, quadrinhos e vídeo games. Zumbis, vírus assassinos, pragas, fenômenos da natureza, acontecimentos inexplicáveis, extra terrestres. A lista é imensa!

Como fica a vida depois de acontecimentos definitivos como esses? Você acha que crianças não estão preparadas para lidar com temas densos, complexos e, por vezes, violentos como esse? Está enganado!

Para os pequenos com mais de 5 anos já é possível arriscar de vez em quando a leitura conjunta de livros “sem figuras”. Com meu filhote começamos com O Hobbit e não paramos mais. Lemos os dois primeiros Harry Potter e agora chegamos em Monteiro Lobato A regra é: um capítulo por vez, a não ser que a criança peça mais (o que aqui em casa já é frequente). Não subestime a capacidade de compreensão e de imaginação dos pequenos, viu? Eles adoram poder imaginar a história, sem grandes referências visuais.

Livro Monteiro Lobato - A chave do tamanho A

Mas voltando à nossa temática, o pós apocalipse para crianças, lembrei de um livro que eu adorei ler quando pequena, e foi certeiro, fez o maior sucesso aqui em casa: A Chave do Tamanho, de Monteiro Lobato, que eu li pela primeira vez aos 10 anos e me marcou muito!

Na história a bonequinha Emília, vendo a vovó Dona Benta entristecida com as notícias sobre a guerra que chegam pelos jornais, decide acabar com o problema. Com ajuda do pó de pirlimpimpim viaja até a mística “Casa das Chaves”, disposta a desvirar o botão que “ligou a guerra”.  Acidentalmente ela acaba mexendo na Chave do Tamanho e reduz o tamanho de todos os seres humanos. É isso mesmo, a humanidade inteira fica do tamanho de pequenos insetos!

É muito divertido acompanhar os desdobramentos nessa mudança de perspectiva e as adaptações dos seres humanos na nova ordem. O convívio com os insetos, a adaptação de objetos e roupas, a busca por comida e o encontro com novos problemas e inimigos, tudo isso enquanto Emília e o resto das pessoas decidem se o mundo merece ou não voltar “ao normal”. As discussões sobre essa nova ordem são extremamente filosóficas (com participações sempre incríveis do Visconde de Sabugosa, que se mantém em seu tamanho normal) mas, ao mesmo tempo, perfeitamente cabíveis e compreensíveis para as crianças, com a ajuda da perspectiva sempre criativa de Emília e das outras crianças da trama.

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Além da temática irresistível do apocalipse eu me lembro perfeitamente de ser este o primeiro livro que li na minha vida e que me fez lidar diretamente com a morte e com as catástrofes, o que me deixou, como criança, muito espantada. Acho muito bom poder falar sobre esse assunto com meu filho, além de discutir sobre a guerra (o livro foi, afinal, publicado no auge da Segunda Guerra Mundial), e outras questões que vão surgindo durante a leitura.

Super recomendado!

Kathy

Kathy

Jornalista, sonserina, lannister, malkaviana, dobradora do reino da Terra, distrito 3. Transmito o legado nerd ao meu rebento, Samuel, que, pobrezinho, já reclama que ninguém da escola sabe quem é Sauron e nem fazem ideia do que significa conjurar um patrono.
Kathy

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