Notícias | A inglesa de 10 anos que desafia todos os estereótipos

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O que você fazia quando tinha 10 anos de idade? Eu ainda brincava de Barbie e tinha um caderno onde anotava meus planos para fazer as meninas populares da sala perderem o cabelo, bem no estilo A Pequena Espiã.

Bem diferente da Esther Okade, a menina da foto acima. Matriculada na Universidade Aberta do Reino Unido, onde estuda Matemática, Esther é uma das melhores alunas de sua turma e costuma acertar todas as questões de provas e avaliações.

Em reportagem ao Daily Mail, Esther disse que pretende concluir sua graduação em 2 anos, mas não vai parar de estudar até conseguir seu PhD. Como uma menina de 10 anos que é fã de Frozen (e também ainda brinca com bonecas), Esther não se contenta com os papéis que são esperados dela. Ela pretende empreender e não quer ser apenas bancária: quer ter seu próprio banco.

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Se você pensou que ela é muito nova para ir à Universidade e que isso é um capricho dos pais, pense novamente. Primeiramente, crianças desescolarizadas ou que passam por ensino domiciliar (homeschooling) – como é o caso de Esther – tendem a perseguir áreas de interesse com mais profundidade do que crianças no ensino formal.

Segundo a mãe de Esther, Efe, a menina insiste em ir para a universidade desde os 7 anos de idade, planos que foram adiados por sua mãe. A universidade que Esther frequenta permite que ela conclua os estudos de casa, assim como fez durante toda a sua vida, o que não interfere em sua rotina nem a coloca em situações problemáticas. Esther está lá pela Matemática.

E a Matemática para ela é uma brincadeira. “Eu amo Matemática. Todos os números e as soluções, é como um mistério.” E no fim das contas, assim são as Ciências Exatas. Mas não é preciso ser um gênio da estatística para descobrir que Esther desafia a todas: ela é uma menina negra estudando Matemática.

Aqui no Brasil, as chances de Esther seguir este caminho seriam praticamente nulas. Primeiro porque o ensino domiciliar no Brasil é ilegal. Apesar dos pequenos avanços nas discussões a respeito do assunto, a Lei de Diretrizes e Bases ainda é bastante enfática na formalização do ensino.

Depois, porque segundo este artigo, que analisa as bolsas concedidas pelo CNPq entre 2001 e 2009, as que são superadas pelos homens são: agrárias, exatas e da terra, a engenharia e computação, as denominadas ciências. Numa avaliação do fomento (investimento) dedicado às bolsas, 74% delas são concedidas aos homens! Estamos analisando as bolsas do CNPq porque elas são um dos poucos dados estatísticos sobre a tão carente área de pesquisa e ciência no país.

Desnecessário dizer, o gênero não tem nada a ver com aptidão. A organização das Olimpíadas de Matemática revela dados de gênero bem específicos, segundo esta matéria da EBC: “uma observação realizada pela idealizadora e coordenadora da competição, Suely Druck, demonstrou que nas séries iniciais, a participação de meninas é praticamente igual à dos meninos. Já nas séries mais adiantadas, o percentual de meninas participando da competição nacional cai drasticamente.”

Por último, é vital ressaltar que além de ser menina, Esther é negra. No Brasil, apenas 11% dos negros frequentam o ensino superior, segundo dados da ONU. Com tantos funis, quantas mulheres negras restam na área de exatas? É importante lembrar que ela é uma exceção, mesmo no Reino Unido, onde mora. E justamente por desafiar os estereótipos, deve ser celebrada e representada.

Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café

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  • Daniela Bandeira

    Com a idade dela eu também amava matemática. Fico pensando no porquê da minha perda de de interesse, se tem a ver com o ensino formal ou eu que mudei mesmo ^^”