Blog | Entre brinquedos de criança e colecionáveis tem um mundo de ódio

Essa semana surgiram duas histórias sobre educação infantil e pessoas sem noção. A primeira era um post no Facebook sobre uma mãe enraivecida porque uma estranha não quis compartilhar um gole de suco com sua bebê de apenas um ano. Na história, compartilhada e parodiada em páginas de humor, a mãe da bebê diz que a pessoa que recusou o suco não tem filhos e não entende que criança “fica doente quando passa vontade”, chama a pessoa que recusou de arrogante e diz que se estivesse junto, a pessoa “ia engolir até o copo”.

A segunda história foi de uma mãe que se sentiu no direito de enviar mensagens enraivecidas para uma pessoa que não havia deixado seu filho brincar com suas estátuas colecionáveis de super-heróis e o seguinte diálogo aconteceu:

A similaridade entre os dois casos – e a proximidade com que eles aconteceram – me fez pensar que nenhum dos dois era verdade, mas acabei encontrando a pessoa com quem esse diálogo aconteceu e entendendo um pouco mais dessa história.

Alguns detalhes sobre os fatos

  • A pessoa que coleciona as estátuas é uma mulher, não um homem, como a maior parte das pessoas foi rápida em presumir;
  • A dona da coleção diz ter explicado para a criança – que tem 7 anos – o motivo de não permitir que as estátuas fossem tocadas;
  • Cada estátua custa, em média, R$2.000,00 e muitas delas são edições limitadas e raras;
  • A criança estava na casa acompanhada da mãe, que presenciou a cena.

Com isso em mente, em um primeiro momento, foi difícil ter empatia com essas mães, das duas histórias. Talvez até em um segundo momento. Para qualquer pessoa, fica claro que essas crianças são ou serão pessoas mimadas que não sabem respeitar limites e ouvir um “não”, e que as mães são obviamente pessoas sem noção.

Eu também não sei de onde surgiu a ideia de que uma criança pode ficar doente se passar vontade, seja de um suco ou de um suposto brinquedo. Por mais que faça parte da educação social ensinar as crianças a compartilhar, é igualmente importante fazer com que elas aprendam a respeitar, sejam regras, limites ou convenções sociais.

O lado nerd

Por um lado, é perfeitamente compreensível entender a indignação de nerds colecionadores só de pensar em alguém – adulto, criança ou cachorro – chegando perto de estátuas ou colecionáveis caríssimos. É uma pauta recorrente aqui no blog o fato de que gostar de super-heróis, animes, jogos de tabuleiro ou videogames não é sinal de imaturidade ou infantilidade.

É preciso entender que a leitura e a fruição desse tipo de entretenimento são feitas de maneiras inteiramente diferentes por adultos e crianças, e é muito raso fazer afirmações generalistas sobre esse público, como adolescentes tardios, ou hipster pejotinha, ou ainda que eles são os mimados são eles.

Se a cultura geek se transformou em um rentável nicho de consumo, isso se dá apenas porque as crianças que gostavam disso na infância cresceram e formam um grupo de considerável poder aquisitivo – ou disposta a investir mais em hobbies do que em bens patrimoniais, por exemplo. Não é à toa que esse mercado cresceu vertiginosamente apesar da crise. É preciso uma leitura muito mais aprofundada sobre esse público tão diverso que compõe o consumidor geek.

O lado mãe

O grande problema está em culpabilizar as crianças pelos adultos responsáveis por ensinar a elas todos esses conceitos. Muitas mães se sentiram extremamente incomodadas quando, na troca de mensagens, a menina compara a criança a um peido, usando a velha piada do “filho é igual peido, cada um que aguente o seu”. É uma piada? Sim. É inofensiva? Talvez não.

Porque não foi preciso muito para que, em ambos os casos, os comentários fossem inundados de ódio contra esse grupo social extremamente vulnerável.

A legenda “Uma coisinha linda dessas vcs acha mesmo que eu vou deixar um velho pegar com as mãozinha cheia de tremedeira?” seria absurda, não é? Por que com criança pode?

Quando eu digo adultos responsáveis, eu não estou falando apenas da mãe. Existe um provérbio de origem africana que diz É preciso uma vila para criar uma criança (e quem convive comigo já está cansado de ouvir). Por mais que a convivência com os pequenos não faça parte de seu cotidiano, é impossível viver em um mundo livre deles (por mais que muitos comentaristas de redes sociais desejem isso).

Os pais são apenas uma das milhares de influências que uma criança – um ser em formação – tem na vida. Se a mãe “sem noção” não entende o valor – sentimental ou monetário – de uma coleção para explicar para a criança, esse papel cabe a quem entende. É empatia básica.

Eu nem acho que tenha sido o caso da pessoa envolvida nas mensagens, que afirma ter explicado. O problema vai além.

Aguentar, educar, se livrar

Também é empatia entender que a criança pode se frustrar, mesmo com a explicação mais didática do mundo. Se tem adultos que continuam enchendo o saco ou te reprovam por gastar boa parte do seu salário com uma coleção ou hobbie, uma criança, seja com 1 ano e 3 meses ou 7 anos, pode não ter ainda o repertório emocional ou de vocabulário para expressar essa incompreensão.

Mas choro de criança incomoda. Mesmo. Somos – homens e mulheres – biologicamente programados para responder ao choro de maneira a fazê-lo cessar, por que, biologicamente e socialmente, o choro é uma resposta à uma situação de estresse (picos de neurotransmissores) associada ao medo e perigo e é nosso papel de primata proteger os menores do grupo.

Ninguém quer estar perto de uma criança chorando, nem as mães. Acreditem: se pudéssemos, também viraríamos as costas e reviraríamos os olhos e sairíamos de perto – e às vezes até fazemos isso mesmo. Mas, na maior parte do tempo, como não podemos, o jeito é resolver a situação.

Isso não significa que tudo deve ser permitido às crianças. Não é para dar o suco, nem para deixar brincar com a estátua. Mas é difícil, chato e complicado buscar soluções efetivas, não violentas e educativas, é por isso que a sociedade faz questão que cada mãe que aguente seu peido filho.

Até uma determinada faixa etária, nem dá pra conversar. Com outras idades, é preciso explicar de novo, explicar mais uma vez, buscar entender o contexto da criança, tirá-la da situação que está causando o estresse para, então, explicar novamente. Educar e criar crianças é treta. Pesada. E é por isso que nós, mães, pedimos empatia e ajuda. Se não com a gente, com nossos filhos.

Porque queremos que as criança sejam responsabilidade individual de cada família, mas é na sociedade que ela vai conviver. E é impossível esperar adultos emocionalmente saudáveis de uma sociedade que está tão disposta a odiá-los enquanto eles são crianças.

Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café
  • A atitude da criança eu entendo, é normal, por mais que incomoda, o brabo é ver um adulto se comportando de forma pedante, acredito que a conversa não teria terminado em prints e debates na internet se a pessoa fosse conversar normal sem tentar impor nada a dona do Action Figure, tanto que a coisa desandou depois do “egoista”.
    Acho justo a frase. “E é por isso que nós, mães, pedimos empatia e ajuda. Se não com a gente, com nossos filhos.” Porem cada caso é um caso, as vezes os pais não me ajudam a ajudar.

    • Vilma Cacciaguerra

      Puxa vida, ninguém pede ajuda na hora de transar sem camisinha e sair fazendo filhos, mas a hora que não dá conta de educar, quer jogar a bomba para a sociedade educar… ora, francamente…

  • Quando eu ainda estava em sala de aula, na maioria das vezes, era mais fácil resolver o problema direto com o aluno do que chamar pai e mãe na escola. A gente resolvia a situação em sala, sem estresse, o aluno até preferia assim, entendia o que tinha dado errado e bola pra frente. Mas nem todo mundo tem didatismo ou empatia ou mesmo paciência pra fazer isso.

    • E, na boa, nem precisa ter, né? Não é todo mundo que sabe lidar com criança, nem toda criança é igual, etc etc etc. Mas não saber lidar é bem diferente de odiar. Crianças neurotípicas têm muita facilidade em conversar e dialogar, mas nós estamos tão acostumados a invisibilizá-las que isso nem passa pela nossa cabeça. ):

    • Vilma Cacciaguerra

      Sim, porque tem crianças que são mais maduras do que seus pais.

  • Caio Ferraro

    Estava lendo até a comparação entre negro e criança. Lamentável.

    • Caio, respondi à Clara ali embaixo. Você não concorda que negros e crianças são minorias sociais com recortes de opressão específicos?

      • Caio Ferraro

        Fernanda, a ideia de criança como minoria social é absurda, mas como li suas respostas aos demais acho que o mínimo que eu posso fazer é me posicionar. Quando você diz à Clara que “apesar de discordar de você” e fala da sua leitura de minorias sociais, precisa explicar que visão é essa, porque pra mim é desprovida de sentido. Racismo não tem nenhuma relação com o tema em questão. Não basta alterar o texto. Você tem que entender a crítica que está recebendo. Acho que seria muito válido que você pensasse uma postagem justamente sobre o tema da diferenciação de tratamento entre crianças brancas e negras, assim vai ficar mais evidente o tamanho do abismo que seu comentário suscitou em nós, negros.

    • Vilma Cacciaguerra

      Ainda isso? kkk

  • Green ZOMBIE

    Essa história de ficar doente por querer algo é balela. Isso aí é encher a criança de presentes para ver se alivia a dor (fisica ou emocional).

    Se fosse por isso, era para eu ser um inválido nos dias de hoje de tanta coisa que eu queria quando era criança. Aprender a respeitar, viver em sociedade, e, principalmente, desenvolver empatia são tarefas difíceis, ainda mais quando há pais e ambientes despreparados para tal missão.

  • Clara Passi de Moraes

    Fernanda Café, o que foi a comparação esdrúxula entre negros e crianças? Isso é sério? Sugiro apagar antes que te denunciem.

    • A comparação esdrúxula é justamente para mostrar que nenhum tipo de comentário segregacionista deve ser aceito. Crianças são uma minoria social, assim como os negros, a ideia não era criar uma equivalência de opressões, só mostrar que os comentários direcionados à crianças seriam absurdos se direcionados a outra minoria social.

      • Clara Passi de Moraes

        Fernanda, vou desenhar: uma criança é um ser humano ainda em processo de formação intelectual/fisiológica. É, portanto, tido pela lei como um incapaz. Não pode ser deixado sozinho , não pode responder por seus atos, não pode votar, dirigir carro etc. Certo? E , por não ter discernimento do que pode ou não ser feito e suas consequências, não pode mexer num artigo de colecionador sem supervisão. Um negro EVIDENTEMENTE não pode ser comparado a uma criança nem pelo seu parâmetro de “minoria social”.

        • Apesar de discordar do seu recorte, que é bem diferente do que eu pretendi com o texto e da minha leitura de minorias e categorias sociais, estou acompanhando os comentários e vendo que pessoas negras estão se sentindo ofendidas com a comparação, por isso, vou alterar esse pedaço do texto. Obrigada pela disponibilidade em comentar e me ajudar a construir e desconstruir algumas ideias. (:

          • Clara Passi de Moraes

            Claro, Fernanda. Aprecio sua generosidade em compartilhar experiências com outras mães e fazer disso aqui um espaço de apoio, de crescimento mútuo. Por vezes, é grande a distância entre nossas intenções e a mensagem que é interpretada pelo leitor. Um beijo

      • Giu

        Acho que a comparação seria menos infeliz se fosse com idosos (e mais objetiva, acho): “imagina essa belezinha nas mãozinha tremeliquenta dum velho” ou whatever rs
        (só pra deixar claro, sou contra preconceito com crianças E idosos, só um exemplo etc e tal)

        • Giu, estou acompanhando os comentários e compreendendo que a comparação foi infeliz, sim. Posso usar o seu exemplo para alterar o texto?

        • Vilma Cacciaguerra

          Hahahahaha

      • Marcelo Fernandes

        “Crianças são uma minoria social”
        Sério mesmo isso?

        • Vilma Cacciaguerra

          Putz, ela já se retratou, cara!

          • Caio Ferraro

            Moça, vc foi em todos as mensagens que criticavam a comparação com negros e deu risada?

  • Marcelo Fernandes

    Comparar a opressão sofrida pelos negros com a “opressão” dos mimadinhos remelentos foi de doer!

    • Mimadinho remelento é adulto barbado que vem em um post que está explicando bem didaticamente sobre o quão prejudicial para a sociedade é o ódio à crianças e ainda deixa um comentário desse, né migo.

      • Vilma Cacciaguerra

        Não é mesmo? 😉

    • João Lucas Fontella

      Cara não se compara opressão social sofrida por negros do que por crianças, CRIANÇAS NEGRAS sim muitas vezes tem seus direitos subtraídos por esta sociedade tão desigual. Mas tu querer comparar a opressão de um povo escravizado, maltratado, assassinado, sofre diversos preconceitos com a realidade de uma criança branca, inserida na sociedade que levou um nãozinho por não poder pegar em algo é surreal sim. Trabalho com programação e meu computador não pode parar, só tenho um, anda meio instável e uso para lazer também ou seja tem jogos, se uma criança quiser jogar, vai ter que tomar um não infelizmente, ouvir não faz parte. Mas fora isso gostei do post.

  • Comparar negros com crianças e ainda usar a ideia de “minoria social” para tentar explicar a bizarrice…. Só podia sair da mente demente de uma “feminista que adora cor-de-rosa” mesmo….. kkkkkkkkkkkk Puta que pariu….kkkkkkkkkkkk

  • Heloize Tavares

    Olha eu tenho 8 sobrinhos (pasmem kkk ), sempre levei os pequenos na minha casa, que tem uma estante com porta de vidro e minhas estatuas á mostra, fora filho de amigos, não é porque nao tenho filhos que não gosto de criança. Eles passam horas olhando a estante mas, nenhum deles abre a porta e tenta pegar, eu apenas me abaixo e converso com eles, não são brinquedos, são estatuas que foram feitas para “ficar de enfeite”. E todos entendem numa boa. Exceto por uma vez, a mãe insistiu e quanto mais a mãe insistia mais a criança chorava. Eu segurei na mão da criança e expliquei novamente, e que de nada iria adiantar ela chorar que não iria deixar e ao invés de trocar “elogios” com a mãe sentei no chão e comecei a contar historias da Liga da Justiça (pq eram os personagens que a criança estava vendo). Pronto… Resolvido. Depois, longe da criança comentei com a mãe que não achava certo ela mimar o filho daquele jeito porque eu fui educada mas, muitos não serão e a criança que vai sofrer com isso.

  • Reinaldo Sudatti

    Mas estão certas as pessoas que se recusaram a fazer as vontades das crianças que nem são delas Criança deve sofrer frustrações e aprender a lidar com elas para crescer e se tornar um adulto que saiba conviver com frustrações E além disso todos devem saber o limite entre o público e o privado

  • Silvana Alvarenga

    Não acho saudável compartilhar bebidas com pessoas desconhecidas na rua, afinal existe hepatite e outras centenas de doenças contagiosas. Se vai sair com uma criança, leve água e suco de casa ou compre num lugar limpo e seguro. Se não tem dinheiro peça ajuda, mas para comprar a água ou suco. Mas compartilhar não acho saudável. Não era um caso extremo onde a criança estava desmaiando de sede. Achei muito mimimi dessa mãe. No caso dos brinquedos colecionáveis, as famílias tem que educar a criança pra não mexer no que não é dela. Mesmo sendo um brinquedo. E tem brinquedos que mesmo pagando não existe outro, o modelo já saiu de linha. É coleção. Afinal, se fosse uma coleção de vinhos os adultos poderiam beber a vontade porque é uma bebida e isso não faz sentido, não é mesmo? Fora que essa mãe poderia comprar os brinquedos pro filho dela, já que ele gostou muito e ela disse que pagaria se ele estragasse, o que eu duvido porque um boneco oficial custa MUITO caro…E tem crianças que são muito espertas e logo percebem que os pais são frouxos e começam a fazer chantagem emocional, não é maldade, mas eles se aproveitam e fazem um enorme berreiro.Aí os adultos começam a brigar entre si e a criança não perde nada…

    • Elaine Wenz Saisse

      Ela quer que a criança pegue herpes? Porque é assim que se pega herpes…

    • Vilma Cacciaguerra

      Na sociedade existe aquilo que é meu, aquilo que é seu, e aquilo que é nosso. É preciso ensinar uma criança desde cedo a respeitar aquilo que é do outro, para que no futuro ela não vá roubar aquilo que não pode ter, mas como os pais podem ensinar algo que eles próprios não sabem??

  • Parabéns por conciliar as situações com tamanha elegância. Infelizmente nossa sociedade encontra-se extremamente individualista. Se pensarmos bem, cuidar de uma nova vida deveria ser uma tarefa coletiva da família e sociedade. Como mãe de TDAH, hoje adolescente, meus desafios eram dobrados, porque sempre achavam que a culpa era a minha falta de limite. E hoje a situação me permite entender o filho dos outros.
    Mas por outro lado, há pais que precisam entender que é necessário sim estabelecer limites e campos de ação de seus filhos. Educar dói, e desgastante, é pesado, mas é necessário. Se você não faz enquanto criança, na adolescência tudo piora, porque junta o turbilhão de sensações do jovem e dos pais que veem seu pequeno crescendo e querendo desbravar o mundo.
    Precisamos de mais tolerância e empatia de ambas as partes, isso sim!

  • Vander da Costa Silva

    As crianças realmente não tem culpa, o problema, como foi dito, é dos pais, que entregam o controle de suas vidas para os filhos, que se tornam reis do pedaço e apenas repetem o padrão em qualquer ambiente como se estivessem em casa, sem discernimento do que é certo e errado. Infelizmente, aprendem os limites da maneira mais difícil, na casa dos tios, dos avós, dos amigos. Parabéns pelos comentários assertivos.

  • Caio Donini

    “enquanto certas pessoas não aprenderem a fechar as pernas e outras certas pessoas não aprenderem a usar taser, o mundo continuará desigual” – provérbio guatamalteco

  • Stella Maris

    Olha, eu gostei imensamente do texto. Mas não enxergo a reação de muitas pessoas como um ódio as crianças, mas um ódio a essa ideia que tem florescido de uns tempos pra cá entre muitos adultos de que à criança tudo deve ser permitido, e as demais pessoas não podem dizer nada de negativo sobre isso, mesmo quando ela está extrapolando.
    A ideia não é cortar a espontaneidade nem a alegria dos pequenos, mas eles têm sim que ser educados no sentido de que há momentos em que não terão o que querem é o mundo não vai acabar por causa disso. E muitos pais também têm que ser educados no sentido de que, por vezes, seus filhos têm que se adequar ao lugar e momento onde estão, que eles não são o centro do universo (lógico, não podemos descartar aquelas pessoas que realmente não gostam de crianças, elas são uma realidade).
    Na verdade, penso que estamos perdidos em um limbo entre um passado relativamente recente onde se dizia que “crianças devem ser vistas, não ouvidas” e um momento presente onde adultos estressados e culpados pelo pouco tempo que podem dispôr para elas deixam, por vezes, os pequenos “deitarem e rolarem” -acrescido de um cotidiano onde a cada dia há menos empatia entre as pessoas de todas as idades.

  • Will Knippelberg

    Eu tenho brinquedos e nao tenho filhos. Faça as contas….

  • Meu problema é com a mãe afirmando que o filho dela vai brincar SIM com algo que não é dele dentro da casa de outra pessoa, sem a autorização da dona e com essa coisa no quarto dela… A mãe não tem limites, não me surpreende ela não colocar um no filhl dela. Ela é a folgada, não o filho, ela é a adulta, ele uma criança que provavelmente copia o comportamento que vê em casa.

    O outro caso foi do adulto dizendo que sabe que ngm é obrigado a dar nada para ngm, mas no final diz que faria a desconhecida engolir até o copo pq não quis dar suco para a filha (ue????)

    • Vilma Cacciaguerra

      Larissa, acho interessante como algumas pessoas dessa geração que foi criada sem limites cresceu e acha que o mundo deve se curvar aos seus desejo e aos de seus rebentos.

  • sergiomb

    Crianças não são o problema; os pais, sim!

    Crianças tem que aprender sobre limites. Não é não, e pronto! O maior problema das crianças são os próprios pais, que transferem para os filhos seus recalques, frustrações e ego mal resolvido. O filho de um pai/mãe mal resolvido, que acha, por exemplo, que tem o direito de chutar poltrona dos outros ou falar alto num cinema, incomodando os outros, será um imbecil chato e de péssimo convívio social quando adulto.

    Pais devem ter a inteligência para educar seus filhos, e discernimento para não torná-los tão imbecis quanto a si próprios. Quanto ao choro de criança, esse é um problema seu (pai/mãe). O choro é sinal de que alguma coisa está falhando no modo como você educa seu filho.

  • Marcos Fajardo

    Eu uso a seguinte tecnica: tenho brinquedos de reserva para emprestar ou dar para as crianças mais insistentes.

  • HAy Costa

    Sou mãe de um casal de filhos… Minha menina tem 8 anos e o menino 7 anos! Meu filho é um mini nerd ! rs… Ele cresceu nesse mundo e entende como é tratado os objetos colecionáveis. Mas independente de ser item de colecionador ou não, eu sempre ensinei aos meus filhos que só temos autoridade sobre oq é nosso! E se eles querem um brinquedo,uma bebida ou seja oq for é só me pedir q se eu ” tiver condições” eu dou! Crio meus filhos para o mundo, e esse mundo, não é lindo e cor de rosa como muitas mães fazem parecer! Uma criança educada e compreensiva não é formada com pais q ensinam a seus filhos q eles podem ter Td oq querem, a hr a querem e como querem. As crianças são o futuro! Será q é esse futuro q queremos? Líderes arrogantes, adultos egocêntricos, chefes abusivamente autoritários e principalmente, filhos que “mandam” nos pais!

  • Manu Gerino

    Desculpa, mas não entendi porque o texto ainda tenta explicar o lado desta mãe. Ela não tem lado, simples assim.
    Ela estava em um lugar onde ela não foi convidada a estar (segundo as mensagens), ela levou o filho que ela, o pai e quem se relaciona com essa criança mimou, ela não deixou claro pra criança que a dona das action figures estava dizendo NÃO, ela foi peitar a dona das actions e da casa e ela ainda foi mais mimada do que a criança dizendo “vou contar pra sua tia”, “meu filho vai brincar, SIM”.

    Concordo 1000% que a mãe não é a única que educa. Primeiro, cadê o pai da criança nessa história? Não vi ninguém dizendo que essa criança é mimada porque o pai também permite. Sim, a sociedade ao redor também a influencia. Só que cabe ao pai e à mãe cortar as arestas desta influência.

    NÃO é não e acabou. O que não é seu não é seu e acabou. Todo mundo lida com frustração. Se a criança ficar frustrada é porque os pais não conseguiram até agora explicar pra ela que nem tudo que a gente quer a gente tem. Ainda dá tempo. É só se focar mais na educação do filho e menos em peitar os outros pq “a criança vai ficar doente de não brincar”…

  • Rose Anjos

    Continuo achando as mães mal educadas e sem limites. Totalmente incompetentes para educar um ser em formação.

    • Poliana Farias

      Totalmente. Tentando exercer minha empatia mas está difícil com essas duas mães. Só posso imaginar que estavam em um dia de estresse extremo e que deram a louca.

  • Davi Kassim Rodrigues

    Não tenho filhos, mas convivo com crianças (sobrinhos, sobrinhos netos e alheios). Mas ultimamente tenho presenciado coisas tenebrosas. Muitos pais não tem noção do perigo que correm quando alguém perder a paciência e todos irem parar numa delegacia por causa disso. Eu mentalizo o azul diversas vezes para não sentar uma bolacha no miúdo e um bofete no responsável pelo tal. Por isso muitos preferem ficar perto de animais de estimação ou apenas assistirem Netflix. Tá na hora de acordarem para a vida. Empatia é algo que é até possível dar, mas mandar para aquele lugar e abrir um processo civil é muito melhor.
    E depois criança não é minoria social. Compará-las a Negros, GLBT ou outro grupo que comem o pão que o diabo amassou é levar a pequenez toda uma luta. Socorro Elis Regina!
    Criança é ser humano e precisa aprender a se comportar como gente. Ou vão querer que sejam Cabrais como os que estão nas pocilgas legislativas e demais esferas de poder?
    Quanto as mães envolvidas, elas não possuem lado. E os demais responsáveis também não. Cadê os pais? Cadê a família? Frequentam alguma instituição religiosa? São quase caso de conselho tutelar.

  • Paula Galletti Stroppa

    Sou mãe, sou tia. Mãe sem noção. Eu teria mandado mensagem para pedir desculpa pela atitude do meu filho. Mimada, mais do que a criança.

    • Poliana Farias

      Verdade. Só por ter entrado no quarto eu já estaria morrendo de vergonha.

  • Fritz Bálor

    Acho que foi a coisa mais inteligente que li sobre esse caso. Parabéns pela sobriedade, mais uma dúzia de pessoas como você, e a internet não seria o lugr insuportável que se tornou.