Blog | Sobre as crianças vestidas de Harley e Coringa ou “Ser pai, você está fazendo isso certo” (sqn)

Vi primeiro num grupo de um dos maiores eventos de cultura pop do Brasil, exatamente com essa legenda: “Ser pai, você está fazendo isso certo”. Comentei que não, não estava. Ficou por isso mesmo. Hoje apareceu no meu twitter. Dessa vez com a legenda “Que gracinha!”. Entrei num rant pra dizer que não, não era uma gracinha.

Aí apareceu um vídeo perturbador e o twitter ficou pequeno demais.

Estou falando das fotos das criancinhas de cosplay de Harley Quinn e Coringa, a versão do filme do Esquadrão Suicida. Essas aqui:

HarleyJoker

Nós aqui do Pac Mãe somos as maiores fãs de crianças de cosplay. No Carnaval e Halloween inundamos nossa página com fotos de filhos de leitores fantasiados e em convenções somos as loucas atrás das crianças. Entendemos o cosplay (ou o ato de se fantasiar) como parte muito importante da inserção dos pequenos no mundo nerd e enxergamos um pouquinho adiante de uma brincadeira compartilhada entre pais e filhos.

Claro que o processo de escolha, fabricação e uso da fantasia é incrível e faz com que crianças se sintam parte do universo. Mas para a criança, o ato de se fantasiar vai muito além de homenagear seu personagem favorito: crianças realmente acreditam que são os personagens. É um fenômeno universal: mesmo filhos de pais que não são nerds saem por aí com capas, máscaras, coroas e varinhas de condão. Araras de fantasias são ferramentas pedagógicas e lúdicas e a projeção de si em personagens fantásticos faz parte de um desenvolvimento infantil saudável.

Até os 6 anos, as crianças têm dificuldade de separar o real do fantástico, e mesmo depois disso, os exemplos adquiridos através de produtos culturais continuam sendo muito relevantes na formação de suas personalidades. É por isso que batemos tanto na tecla da representatividade: exigimos modelos saudáveis e diversificados para crianças de todos os gêneros e etnias possam se identificar e construir um repertório sólido de personagens a se admirar.

O Coringa não é um deles.

Eu começaria a discussão pelo fato de que o filme ainda nem saiu, mas já vazaram tanto material das filmagens que eu sinto como se já tivesse assistido ao filme um milhão de vezes. Sabemos que apesar da revolta da internet com a escolha de elenco, Jared Leto está fazendo um Coringa cruel, insano, psicótico. Um Coringa que envia carcaça de animais aos seus colegas de elenco. Um Coringa em um filme que não terá classificação indicativa voltada para crianças, porque o Esquadrão Suicida não é material infantil.

Nenhuma criança escolheria essa fantasia sem a ajuda dos pais. Nenhuma criança gravaria esse vídeo sem a ajuda dos pais:

I’m just gonna hurt you really, really, BAD #Cosplay

Posted by Esquadrão Suicida on Sexta, 16 de outubro de 2015

 

É assustador porque é o Coringa ou é assustador porque é uma criança? Que tipo de discussão se deu para a criação desse cosplay? Que tipo de valores o Coringa passa?

Talvez pior do que o Coringa seja essa pequena Harley Quinn. Vejam bem: eu amo a Harley. Ela é uma das minhas personagens femininas favoritas desde que eu comecei a ler quadrinhos e sua versão animada é um modelo tão incrível para crianças que foi incorporada à recém-lançada linha de Garotas Super Heroínas da DC. A Harley da linha infantil, engraçada e maluquinha, mantem as características da Arlequina original, com sua roupa e pintura facial carnavalesca. A Harley do filme do Esquadrão Suicida não é a mesma. É uma Harley tão complexa quanto sua relação com o Coringa e extremamente sexualizada. Eu falei um pouquinho da roupa da Harley no filme do Esquadrão Suicida nesse texto aqui, mas nem é preciso lê-lo para conseguir enxergar o quão errado é essa criança fazendo esse cosplay.

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Nas publicações mais atuais, a Harley é uma mulher independente e dona de sua sexualidade – talvez como forma de justificar sua objetificação reforçada pelo visual que chegou a ser um baby doll e calcinha fio-dental em Injustice. E isso não é um problema, exceto quando você projeta isso em uma garotinha. Vi várias pessoas que reclamam (com razão) da sexualização da Mc Mellody elogiando esse cosplay. 2 pesos e 2 medidas much?

É impossível dissociar a sexualização dessa fantasia. Volta e meia, quando alguma campanha publicitária é acusada de sexualizar crianças, soltam a esmo a frase “a maldade está nos olhos de quem vê.” Estamos falando de um planeta onde o abuso infantil é real. Essas crianças das fotos não são brasileiras, mas esses dados são: 63% das vítimas de abuso são meninas e a maioria delas tem menos de 10 anos. E sim, eu enxergo bastante maldade nisso.

Então quando vejo esse tipo de coisa compartilhada com a frase “Ser pai/mãe: você está fazendo isso certo”, fico com várias pulgas atrás da orelha. Primeiro porque a maior parte das pessoas que ussa essa legenda não tem filhos. São pessoas que admiram o universo nerd e seus desdobramentos e que na efemeridade da internet acreditam realmente que criar um filho certo é fantasiá-lo de forma incrível. Spoiler alert: não é. Nenhuma mãe sabe quando está fazendo isso certo. A gente tem uns momentos de orgulho quando o filhote começa a cantar a Marcha Imperial ao ver um coleguinha com o casaco do Darth Vader – ou quando ele pede uma fruta em vez de um pirulito. Mas na maior parte do tempo, criar um filho é na base do erro e do acerto.

Essa frase, “criação feita certo” é problemática em vários níveis.

É elitista: só é certo quando a fantasia projetada é a fantasia que você admira? Os pais que compartilham seu amor pela música sertaneja e vestem suas crianças de vaqueiros estão fazendo isso errado?

É  leviano: meu filho não é uma ramificação de mim. Vejo muita gente por aí afirmar, ao ver uma foto de uma criança de cosplay, que “meu filho vai ser assim”. Dica: não vai. Ele pode adorar se fantasiar e ser o centro das atenções em convenções, ou ele pode simplesmente detestar, como vários dos Pac Filhos detestam. Crianças que não querem fazer cosplay estão sendo criadas de forma errada?

É arrogante: afinal, quem é você para julgar isso? E francamente, tá batido. Sério, gente. Apenas parem de usar essa frase em qualquer coisa que envolva criança e nerdices. Já deu.

Um dos principais problemas na criação dos filhos é a projeção dos desejos dos pais nos pequenos e é exatamente o que parece estar acontecendo na foto acima. Os cosplays estão incríveis, muito bem feitos. Mas completamente inadequados para crianças. Isso não é bacana. Não é saudável. Não é uma gracinha e não significa criar um filho da maneira correta.

Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café

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  • Bruno Germano Kran

    Ótimo post, e parabéns pelo projeto do site!!!

  • Caroline Martins

    Não enxergo dessa forma. Meu pai, por exemplo , lia pra mim quadrinhos do Batman quando criança… Conheço o Coringa desde a mais tenra idade … E se assim eu quisesse me fantasiar… E aí?! Seria uma escolha ainda sim do meu pai?!
    A Harley quinn tb me é conhecida desde criança ( e a propósito, eu a adorava) eu era o que? Uma criança psicopata???
    Não generalize, e por favor pare de cagar regras para os filhos dos outros.
    Não imponha seu prisma de visão para seus filhos , dê a chance a eles de serem pessoas melhores que nós.

    • Onde está a generalização? Estou falando especificamente DESSE Coringa é DESSA Harley, o texto é bem claro quanto a isso.
      Sem contar que ao compartilhar interesses com os filhos – como seu pai fazia com você ao ler histórias do Batman – ele estava impondo um prisma de visão (de que é ok ler isso pra crianças, de que quadrinhos são divertidos, etc). Faz parte. Nós somos a principal influência deles na primeira infância, justamente por isso cabe a nós ajudá-los a serem pessoas melhores. (:

      • André Gustavo Paião Oliveira

        Curioso é que a pessoa pega um exemplo pessoal, ou seja, da vida dela, e te acusa de generalizar. Usar exceção de base para analisar o todo é muito mais errado. Se existe uma preocupação geral com o mal que é a exploração sem cuidado da sexualidade, antes da hora, não tem problema nenhum em tratar do assunto generalizando. Afinal, quando se generaliza não se aplicam verdades inegociáveis, mas sim se admite o risco de que as coisas aconteçam em grande escala, que é o que a autora do texto quis passar. Ou seja, admitir os possíveis riscos negativos desse “manual” de como criar um filho da maneira “ser pai, está fazendo isso certo”, não exclui a ideia de que tudo possa correr sem nenhum problema também. Mas o ponto é que o que preocupa é quando as coisas estão erradas, não quando as coisas estão certas!

    • Kevin

      Acho que existem muitos outros personagens mais saudaveis pra se apresenter para uma criança(ainda mais nessa idade), para uma criança em formação uma minima coisa pode fazer grande diferença na personalidade dela!

    • Amauri Alves da Silva

      Era exatamente o que ía falar: ela está falando de uma encranação de Coringa e Harley específicos, deste filme do Esquadrão.

      Fantasiaria meus filhos de Coringa e Harley do “Animated Series” do Batman, ou o “Brave and Bold”, mas estes do Esquadrão (o filme), não deixaria, mesmo se eles quisessem…

  • Kevin

    Otimo texto, concordo bastante, pricipalmente sobre o coringa, ele é um personagem escroto, não deve fazer parte como uma coisa ~~legal~~ na fomrção de uma criança.

    Ja a harley não sei, deve ser porque sou mt inocente e nao consegui sexualizar em momento algum, uma criança com aquela roupa.

  • Pandora Elf

    Não sou mãe, mas sou educadora infantil, educadora em História e acho que ter passado dez anos nessa vida me da direito de opinar! Você está certa! Educar pressupõe escolhas e os adultos devem ponderar bem a respeito do que tipo de referencias deixam que as crianças se aproximem e se apropriem. Educar também é uma responsabilidade, permitir que crianças se fantasiem especificamente desses personagens que você citou é irresponsabilidade e no minimo uma escolha perigosa sobre a qual cabe pensar e problematizar sim.

    Como vivemos em uma sociedade na qual o pátrio poder muitas vezes é entendido como um tipo de posse dos pais sobre seus filhos como se a criança não fosse um individuo e sim um tipo de propriedade exclusiva de seus pais, quase um objeto, pessoas que opinam, refletem e problematizam deliberadamente sobre questões/problemas/rumos da educação facilmente são tidas como “cagadoras de regras”. Mas a educação privada que cada um da a seu rebento se torna assunto publico rapidamente quando essas crianças passam a conviver em sociedade e conviverem com os outros rebentos e vão crescendo e se tornando adultos que fazem escolhas que influenciam a vida de várias outras pessoas e até mesmo da comunidade toda – o caso das eleições por exemplo, que é aquele momento em que cada voto é uma decisão individual que afeta o coletivo.

    As vezes penso que educação pressupõe preparar para a vida em sociedade, a vida em um ambiente publico, comunitário e que as pessoas deviam pensar bem em quais modelos de adulto estão ensinando seus filhos a valorizar.

  • Giovanna Saggiomo

    Sendo sincera, concordo em partes e entendo que esse assunto é um que deve ser visto com muita cautela, porém, a meu ver é ai que está o problema no texto também.
    Lhe falta cautela, assim como falta cautela (ou não, mas, já chego nesse ponto e aí fica um pouco mais claro a minha intenção), em vestir uma crianças assim.

    Veja bem, eu concordo quanto ao quanto essa Harley é bastante sexualizada, mesmo no filme ela parece ser bastante “ousada” e sensual e embora isso não seja ruim no personagem, entendo sua preocupação quando esse cosplay é feito por uma criança.
    Da mesma forma, concordo também que o Coringa de Jared parece ser um dos mais psicóticos (ao menos, devido à toda a atenção e material exposto em torno dele), outra vez, acho isso fantástico para o personagem e entendo sua preocupação quanto à uma criança fazendo esse cosplay.

    E é aí que entra o meu “PORÉM”.

    PORÉM, e veja bem,é algo que é possível, embora não obrigatoriamente certo ou errado, embora crianças estejam mais abertas à mal-interpretações do lúdico e às vezes possam confundir a realidade com a ficção, eu acredito que um bom diálogo possa resolver isso sem nenhum tipo de maiores dificuldades.
    (Acredito que algumas crianças precisem de mais conversas, outras de menos, mas, realmente acredito que a menos que a criança tenha algum tipo de psicopatia ou deficiência, ela é capaz de entender essa diferença).

    Por tanto, não acredito nessa história de que cosplays, livros, filmes ou jogos possam tornar crianças em assassinos, lamento.

    Agora, ao próximo ponto e o mais problemático em minha opinião, a sexualização da pequena Harley.
    Acredito que sim, a maldade está nos olhos de quem vê, mas, isso em momento algum vai impedi-los de ver. O que quero dizer com isso é que, a pequena Harley quando se vestiu pode não ter visto nenhum problema com suas roupas, porém, isso não quer dizer que por ela não ter visto, outros não verão. Nesse caso, cabe aos pais guiá-la e protegê-la, para que ela possa aproveitar a experiência da brincadeira e cosplay.
    (Assim como muitas vezes nós mulheres saímos na rua com um jeans e camiseta e não vemos nada de tão ofensivamente sensual para que sejamos encoxadas, mas ainda assim sermos e por isso termos de nos precaver, entende?)
    A meu ver, o cosplay ser um pouco mais curtinho não é motivo para a menina não fazer se ela gostar do personagem (assim como não é motivo se uma menina de 12 anos, 16 anos, 20 anos, 26 anos, ou o que seja, deixar de fazer, entende?), mas é sim motivo para que os pais tomem muito mais cuidado com ela durante os eventos ou mesmo onde expõe as fotos (o que parece que eles não fizeram, já que elas ficaram conhecidas internacionalmente, mas…).

    Porém, apenas mais uma ressalva, embora ser mãe lhe dê um pouco mais de experiência no assunto, não é bom generalizar… Tem muita gente adotando as crianças que “mães” abandonaram. E tem muita mãe que não é assim tããão boa mãe. Claro, existem mães fantásticas, mas também existem professoras fantásticas, tias da perua fantásticas, e muitas outras pessoas que muitas vezes, mesmo sem serem “mães”, são bem “mães”.

    E pelos céus, arrogante? :/ Minha jovem, essa expressão não passa de um thumbs up animado de desconhecidos, não estamos cagando regra :/ Está mais para o seu texto que ao menos no final, ficou com uma conotação mais… “Agressiva”?
    Parece que quem não é mãe não tem direito de argumentar. E mesmo quem for mãe, se não for para concordar, não é bem-vindo.

    Eu entendo que como mãe, você fica preocupada com todas as crianças, mesmo quando não são as suas, mas, não é necessário ser tão extremistas, com cuidado é possível as crianças se divertirem de forma responsável 🙂

    • Oi Giovanna, obrigada por comentar! (:

      Eu imagino que você não costume ler os textos do blog, correto? Digo isso porque além de sermos um veículo com foco em empoderamento feminino e infantil e passarmos bem longe de conservadorismo, como ficou implícito em seu comentário, falamos aqui com certa frequência sobre não acreditar que filmes e livros e jogos transformem crianças em psicopatas. Inclusive não haveria Pac Mãe se acreditássemos nisso: o blog é todo baseado na ideia de compartilhar nossos interesses na cultura nerd com as crianças!

      E é aí que jaz a questão: compartilhar. Nós sentamos e jogamos, lemos, assistimos e conversamos MUITO sobre todas essas ações com as crianças. Problematizamos o que tem que ser problematizado dentro de suas faixas etárias e sempre nos surpreendemos com o ponto de vista deles, muito mais limpo do que o nosso. Mesmo assim, lemos bastante sobre psicopedagogia infantil para saber que mídias têm, sim, uma influência na percepção de mundo, tanto de crianças quanto de adultos. Crianças sem o filtro da violência têm uma tendência a desenvolver menos empatia – não é regra, é uma tendência. Então sim, o ideal é evitar esse tipo de conteúdo para elas.

      Sobre a Harley, como dito acima, o ponto de vista deles é mais limpo do que o nosso. Ela provavelmente não tem ideia de que sua roupa tem vários elementos de BDSM, talvez não saiba que sua jaqueta diz “Propriedade do Coringa” e certamente não entende o que isso significa no relacionamento dos dois. É possível que ela admire a Harley, o que é perfeitamente compreensível, eu também admiro – e tenha apenas pedido “a roupa nova dela”. Não cabe a ela julgar se a roupa é sexualizada – provavelmente ela não tem o repertório teórico-social para entender isso. Então cabem aos pais e cuidadores apontar que a roupa não é adequada. Não é por ser curta, é por todo o contexto dessa versão da personagem especificamente.

      (Não faz sentido algum comparar a liberdade sexual de uma mulher adulta com a de uma criança. Crianças não podem consentir, elas não têm compreensão para tal.)

      Qualquer cosplayer sabe, e o texto enfatiza isso, que a pesquisa de personagem é parte importante do cosplay. E eu só estou levando isso em consideração por causa do video do menininho replicando a expressão facial e a frase que o Coringa fala no trailer do filme (assim como a sequência de fotos na qual a menininha imita as poses da Harley no material promocional). Eles tiveram contato com o que puderam ter – uma vez que o filme ainda não saiu. Essa não é a Harley que crianças conhecem e gostam, esse não é o Coringa que crianças conhecem e gostam, portanto o poder de escolha das crianças para – e eu ressalto novamente – essa versão dos personagens é bem questionável.

      E bem, generalização por generalização quem está fazendo é você, né? Inclusive eu fui bem cuidadosa no linguajar do texto porque estou falando de cuidadores, não da figura materna. E mesmo que estivesse, a mãe como categoria social é extremamente oprimida. Tanto que taí um monte de gente – que não tem filhos – argumentando que “tem muita mãe que não é tããão boa mãe”, sabe? Apenas para diminuir o peso que esse papel social carrega – embora não diminua o fardo. Eu acho bastante curioso como surgem defensores da família estendida para julgar mães, principalmente quando elas resolvem reivindicar direitos e lugar de fala. Mas né, assunto para um post inteiro. (;

      E bem, esse “meme inofensivo”, esse “thumbs up” gera conteúdo como esse da imagem abaixo, que reúne tudo o que eu falei no post: elitista, leviano e arrogante. https://uploads.disquscdn.com/images/f93786ce3b26e9518a3915574a18a6823e430bd11317085fb196ca2cb902317c.jpg

      Não é por ser mãe que eu fico preocupada com todas as crianças: é por ser humana. Por viver em sociedade. Por acreditar, como diz o provérbio africano, “é preciso um vila para criar uma criança”. Mas concordo com você que quem não tem filhos tende a não se preocupar muito com crianças, considerá-las um estorvo ou só notá-las quando se encaixam nos padrões esperados. E aí, quando surge um conteúdo que critica esse tipo de comportamento, ele realmente pode soar extremista, embora não seja.

      Mas hey, finalmente concordamos em algo! Com cuidado, as crianças podem se divertir de forma responsável. É exatamente isso que falamos aqui no blog sempre, e vamos continuar falando. O texto é todo sobre isso, inclusive. Yay! (:

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  • Mariana Carrozzino

    Ser blogueira: Você está fazendo isso certo!
    Hahaha brincadeira, mas adorei o post! Muito completo e relevante.

  • Thiciana Sasse

    Super texto, Nanda.
    Não poderia concordar mais.

  • Perfeito texto! Muito bem ponderado!

    Dá para utilizá-lo até mesmo em palestras!

  • Victor

    mas e as crianças que se vestem de monstros, jason, vampiros e etc no halloween? elas também não sabem a diferença do real e do fantástico, acho que como a criança vai encarar a fantasia depende muito da criação que ela teve, se os pais se sentem seguros de que a criança sabe diferenciar o fantástico do real, acho que não tem problema e ficam uma gracinha sim =D

    • thais de abreu

      Vê o instagran dessas crianças e me diz se os pais estão ajudando a criança a separar as coisas ou tentando ganhar likeem cima do fato de ela não saber separar as coisas https://instagram.com/billie_n_ray/

      • Victor

        realmente dá pra ver, mesmo sem cosplay os pais tratam os filhos como modelos pedindo likes, as crianças não parecem nem usar as fantasias ou posar para fotos porque querem, mas pela vontade dos pais e acabam acreditando que querem/gostam disso. Vai muito da criação e educação que as crianças recebem, dá pra esse tipo de coisa não ser um problema. Mas nesse caso concordo que é sim.

  • thais de abreu

    Tá em inglês mas é ótimopra ilustrar a falta de noção das crianças em se separar das fantasias http://hyperboleandahalf.blogspot.com.br/2013/10/menace.html

  • Alex Dias de Oliveira

    Então so deixar um questionamento para levantar o ponto: “cosplay” de sheila carvalho, sheila melo e Carla Perez é saudável? E Spice Girls? Dança da bundinha, boquinha da garrafa, strip tease (sic), pimpolho, Segura o tchan (“mete me cima e mete em baixo), um tapinha nao doi e inumeras outras sao apropriadas para crianças ou sao sexualizadas demais? Que tal “cosplay” de um dos personagens dos mamonas assassinas (como eu vi inumeros na epoca que era so fantasia)? Só quero alertar que, sim, muitas vezes a maldade está nos olhos de quem vê e como diz a frase “kids will be just fine”. Pais tendem a ser histéricos e esquecerem de olhar para a propria infancia e perceber que eles foram expostos a isso tudo, assistiram banheira do gugu domingo a tarde e se fantasiaram de coisas que sao hipersexualizadas e violentas como a Madona e o Rambo (ja viu um filme do rambo? eu ja vi um monte de garotinho em 95 fantasiado de rambo) e nem por isso se tornarão violentos e hipersexualizados….

  • Namorado do Matheus Forny-CsBA

    Tem muito pai/mãe sem noção. Eu odeio esses nerds que têm filhos e ficam querendo transformá-los a todo custo num espelho deles mesmos.

  • Juliana

    eu li esse texto e logo lembrei da minha infância, lembrei da época em que tinha, sei la 8 ou 9 anos, e dançava com minhas amigas “é o tchan” , a famosa “boquinha da garrafa”, usava um short da bad boy que tinha olhos atrás (kkk, foi bom relembrar), assitia filmes de terror na casa dos meus primos (hellraiser, ate hj eu me lembro das cenas do filme), assistir a banheira do Gugu nos domingos, usava uma gargantilha no pescoço, jogava mortal kombat com meu irmão.

    O que eu quero dizer que a minha infância também foi rodeadas de coisas do gênero e que nem por isso eu fui influenciada.

    Acho que hoje há muita critica, muita psicologia, muito modismo, muito preconceito, feminismo e machismo de mais.

  • Vitor Urubatan

    Esse texto me fez lembrar dos pais que vestem as crianças com roupas mais “adultas”.
    Saias curtas e sapatos de salto.

    Eu sou a favor da criança ser criança porque cedo ou tarde ela será adulta e poderá fazer uma fantasia/cosplay mais “ousado” e etc.
    Mas não dá para essa pequena pessoinha voltar a ser criança no futuro.

    Realmente o cosplay ficou muito bem feito, mas não sei, me pareceu que foi muito mais partido dos pais do que o verdadeiro gosto das crianças.

    Não que seja impossível, mas é mais comum as criançada gostar de personagens que conversam melhor com o entendimento da sua idade.
    Quando era molequinho adorava o Jaspion e queria ser ele nas brincadeiras. Não queria ser sei lá o Maicon Corleone do poderoso chefão hahaha!

    Hoje eu poderia muito bem fazer o cosplay do Vito Corleone hahaha! Ao menos esse tema mais adulto conversa com a minha idade.
    Enfim, acho que deu para entender.

  • Amanda A Bittlher da Silva

    Ola, boa noite!! Não concordo com esse pensamento,a minha sobrinha de seis anos, ama a Harley, por causa das cores, cabelo colorido e td mais, não tem maldade na cabeça dela, a própria não sensualiza a personagem, pois pra ela e apenas a menina dos cabelos coloridos que ela adora. Eu mesma tenho dois filhos, uma ainda e bebe, mas o meu mais velho tem oito anos e adora essas coisas ate pq, aquie em casa os pais influenciam bastante, eu e o pai dele amamos esse mundo nerd sim, e eu acho que td eh sim o modo como se ve!! Meu filho ama e minha filha provavelmente vai curtir tbm, mas o que n falta nem com ele, e nem faltara com ela eh dialogo,e principalmente a vaolrizacao da infancia!!
    A mc melody, fala sobre garotos, usa roupas curtas ,tiras fotos sensuais, nao em uma fantasia , mas sim em seu dia dia, ela foi criada e incentivada dessa forma, acho exemplos distintos, mas enfim… Não concordo, mas respeito, ate pq opiniões divergem ne!! Beijos

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