Cinema | Devo levar as crianças para assistir Capitão América: Guerra Civil?

Capitão América: Guerra Civil estreia dia 28 de abril nos cinemas de todo o mundo. O filme que estamos aguardando desde O Primeiro Vingador em 2011 – ou desde Homem de Ferro em 2008, quando a Marvel Studios mostrou que seu universo cinematográfico prometia boas coisas – é decididamente a culminância dessa promessa e ganha, de longe, o título de melhor filme da Marvel (pelo menos até o momento). Mesmo você, como eu, resistiu aos teasers, trailers e todos os materiais promocionais, deve conhecer o suficiente dos filmes do estúdio para saber que eles seguem uma sequência temporal mais ou menos linear: Guerra Civil se passa depois dos acontecimentos de Os Vingadores 2, quando o grupo destruiu a cidade de Sokovia para impedir que Ultron destruísse o planeta.

Apesar de grata pela existência dos super-heróis (ou humanos aprimorados), a humanidade também está com medo deles, e esse medo atinge o ápice quando, em uma missão para impedir um vilão de roubar e espalhar um vírus mortal pelo planeta, a Feiticeira Escarlate, ainda em treinamento para se tornar uma Vingadora, acaba explodindo um prédio e matando vários civis, culminando na reação imediata dos governos e órgãos responsáveis pela política mundial.

Se a trama parece complicada, é porque ela é um pouco. A discussão dos fins justificarem os meios, liberdade individual x responsabilidade pública e vários outros pontos profundos que acabaram parecendo um pouco superficiais pela campanha de marketing que preferiu dividir a discussão em Time Homem de Ferro ou Time Capitão América, mas felizmente o filme consegue mostrar todos os pontos de vista e até eu, que fui de azul, vermelho e branco pro cinema, saí de lá conseguindo entender um pouquinho os pontos do Tony Stark – que inclusive se aproxima muito da motivação do vilão. Não são alienígenas que querem destruir a Terra ou uma inteligência artificial megalomaníaca e fora de controle, o tema é muito mais sutil e sombrio do que outros filmes de super-heróis.

Vejam vocês que eu sou a última pessoa a subestimar a inteligência e capacidade de compreensão das crianças. Eu não apenas sou mãe de uma, mas já trabalhei com elas e estudo sobre elas, então nunca afirmaria que uma criança não seria capaz de entender a discussão colocada no filme – até porque ela não precisa entender da mesma maneira que um adulto para compreender. Mas se até adultos entram nessa vibe de defender quem está certo e separar as coisas por times, se muita gente escolhe um lado porque tem o Homem Aranha ou o outro porque tem o Homem Formiga, é preciso muita conversa com os pequenos para ultrapassar a superficialidade da dicotomia vermelho x azul brigando entre si.

E que brigas, minha gente. Guerra Civil é verdadeiramente um filme de quadrinhos, com cenas de lutas intensas, bem coreografadas e físicas. Como tem porrada nesse filme! A batalha entre os “times” é uma das cenas mais épicas, e segundo a Disney, os cineastas apelidaram a cena de “Página Inicial”, por que parecia uma ilustração de página dupla em uma história em quadrinhos, e foi filmada com câmeras IMAX para dar aos fãs uma experiência imersiva inesquecível (nós nem assistimos em IMAX e já ficamos embasbacadas com a cena). Ao contrário da maioria dos filmes de super-herói onde quase não tem sangue por motivos de classificação indicativa, Guerra Civil tem tortura em pau de arara com afogamento, pai morrendo sangrando nos braços do filho, assassinato de pessoas a sangue frio por alguém não estabelecido como vilão declarado, tentativa de suicídio, enfim, tem violência pra caramba. Tem até um ou outro palavrão – sem censura por parte do Capitão. O filme faz jus à Classificação Indicativa de 12 anos.

Claro, sabemos que toda família tem sua dinâmica e que cada um sabe o que é mais adequado para suas crianças, mas quem cresceu em meio à cultura nerd faz bastante questão de estabelecer essa cultura como algo não infantil, de bater no peito e se orgulhar que super herói não é (só) para criança, e é isso que esse filme é: adulto. Não só em termos de discussão e conteúdo: ele mostra a maturidade da Marvel/Disney e é a culminância desse universo cinematográfico, com elementos de todos os filmes através de personagens que já conhecemos e adoramos. Ele acerta onde Batman vs. Superman errou: em tudo.

Inclusive na representatividade. Apesar da pequena quantidade de heroínas, a Feiticeira Escarlate e a Viúva Negra se superam nesse filme e até Sharon Carter supera o molde de interesse romântico. O roteiro foi cuidadoso o suficiente para que Carter sempre estivesse ativa mesmo em plano de fundo, porque ela é, afinal, uma agente da S.H.I.E.L.D., e parece até um sonho, mas nenhuma das heroínas é sexualizada ou colocada em algum tropo, como donzela em perigo. Elas lutam tanto quanto os heróis, batem tanto quanto os heróis e a Feiticeira Escarlate é a única capaz de confrontar o Visão em termos de poderes. Há um ou outro escorregão no desenvolvimento da Viúva Negra, mas pela primeira vez somos capaz de vê-la fora do papel dominatrix sensual. Ponto para as meninas!

E não há como falar de representatividade sem falar de T’Challa (finalmente aprendi a pronunciar seu nome), o Pantera Negra. Rei de Wakanda, o único lugar da Terra que produz Vibranium e é uma potência econômica, científica e bélica localizada no continente Africano. T’Challa rouba a cena seja como civil, seja como Pantera Negra, que tem algumas das melhores cenas de luta, afinal, é um dos melhores mestres de artes marciais do Universo Marvel. Pra representar ainda mais, seu estilo é baseado na Capoeira (com alguma influência do Kung Fu, mas Capoeira!). Sam Wilson e James Rhodes também têm bastante destaque nesse filme, que, apesar de ter dois (ou três) homens brancos como protagonistas, soube dividir o roteiro de forma que cada personagem tivesse tempo, falas, piadas e ação, muita ação.

É um filme intenso do começo ao fim, com poucas cenas de descanso e muito alívio cômico. O Homem Formiga é melhor nesse filme do que em seu filme solo e sobre o Homem Aranha só tenho a dizer: seja bem-vindo à sua casa. As referências, as piadas e a construção dos personagens são a prova da excelência da Marvel, e a garantia de que eles continuarão fazendo filmes incríveis, com significado, porque a sementinha de um é sempre plantada em outros. Capitão América: Guerra Civil é decididamente o melhor filme da Marvel, mas isso não significa que você deva levar as crianças para vê-lo.

Capitão América: Guerra Civil (Marvel/Disney, 2016)
Classificação Indicativa: 12 anos
Classificação Pac Mãe: 12 anos
Opinião Pac Mãe: Um filme excelente cheio de ação e piadas, com cenas fortes e discussões complicadas. É a prova de que super herói não é (só) para criança.

Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café

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  • Pingback: Cinema | Devo levar as crianças para assistir Capitão América: Guerra Civil? - Peguei do()

  • Sai do cinema ontem querendo voltar para a próxima sessão. Melhor filme da Marvel mesmo! Mas de fato, é complicado levar crianças para assistir.

  • james

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  • Pingback: Marvel para Crianças | 10 maneiras de apresentar os personagens passando longe dos filmes - Pac Mãe()

  • Fragata

    Apesar de realmente ter assustado algumas cenas, como a do afogamento do cara no meio da tortura e… algumas das cenas finais (não querendo dar spoiler pra quem vive na Lua e ainda não viu xD) esse é um filme que eu recomendaria pra crianças, é como transformers, toa criança gosta, heróis voando, explosões, etc. as cenas pesadas são ‘passáveis’, ninguém nem vai se lembrar pra ter pesadelos à noite (sim, falando nos termos de uma criança), essa é a fórmula marvel;um filme para todos os públicos, onde todos se divertem.

    E cara… levem as crianças para admirarem um herói pelo que ele faz e não pela sua cor, da mesma forma que iriam conversar quanto a qual lado estava certo ou errado na luta, essa história de representatividade nos filmes traz coisas como blackwashing, whitewashing, descaracterização de personagens, etc. que felizmente, Guerra Civil não teve.