Cinema | Posso levar crianças para assistir Batman vs Superman: A Origem da Justiça?

Hoje (24) estreou oficialmente o filme Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Com direção do controverso Zack Snyder e com a escolha do controverso Ben Affleck para fazer o papel de Batman, o filme tem gerado sentimentos mistos por aí. A Classificação Indicativa do filme ficou como não recomendada para menores de 12 anos e deixou muitos pais na dúvida: filmes como Os Vingadores também recebem a mesma Classificação, então será que é tranquilo levar crianças menores de 12 para assistir? Nós sempre recomendamos que os pais assistam os filmes para decidir dentro da dinâmica de cada família se o filme é adequado para seus filhos ou não, mas com o preço do ingresso de cinema – e a dificuldade de achar quem fique com as crianças para uma noite de cinema solo –  sabemos que isso nem sempre é possível. Por isso, vamos tentar fazer uma resenha sem spoilers ressaltando alguns pontos que possam ajudar nessa decisão.

Se você assistiu O Homem de Aço (ou 300, ou Watchmen) sabe que Zack Snyder costuma dar um tom bem sombrio para suas obras (no caso das últimas duas não tinha como ser muito diferente). Mesmo a história do grande mocinho da DC ficou pesada sob a direção dele, com o Superman passando por uma crise existencial e matando o Zod no final. Batman vs. Superman não é diferente, é até bem mais pesado do que o anterior. Com uma fotografia escura – especialmente nas cenas do Batman – o filme é cheio de sustos e cenas de luta muito violentas que com certeza podem impressionar os pequenos, principalmente os mais sensíveis.

Mas não é só isso que torna Batman vs. Superman inadequado para crianças. Como a maioria esmagadora das críticas tem dito por aí, o filme não é o melhor do ano. O roteiro é confuso, cheio de recortes desnecessários, flashbacks, flashfowards, sonhos inexplicáveis e uma narrativa no geral, difícil de acompanhar. São 2 horas e meia de filme, um tempo demasiadamente longo para crianças e que poderia até não ser um problema… se ele fosse bom. Eu me peguei entediada em vários momentos do filme (principalmente nas cenas de romance entre Lois e Clark) e tenho certeza de que crianças menores de 10 anos não aguentariam o tranco.

O filme quase vale à pena pela presença da Mulher Maravilha. As aparições que ela faz ao longo do filme são meio insípidas, mas quando ela apareceu caracterizada, meu coração acelerou e eu confesso: rolou até uma lagriminha (de emoção, não de sono). Eu gostaria de dizer que esse é um filme empoderador para meninas porque essa é decididamente a melhor parte do filme, mas ainda não redime a representação feminina mal trabalhada em todo o restante.

Lois é uma eterna donzela em perigo que parece aparecer nas cenas com o único propósito de ser resgatada. Esse tropo é tão forte que é justamente o que faz com que Lex Luthor descubra a maneira de atrair o Superman. Se em O Homem de Aço eles tentaram dar um protagonismo maior para ela, Batman vs. Superman pega isso tudo, amassa e joga de uma torre. Eu contei 4 personagens femininas com fala e uma delas sequer tem propósito de existir a não ser para servir a Lex Luthor.

Aliás, Luthor é uma das piores coisas do filme. Eu gosto bastante do Jesse Eisenberg, mas ele mirou no Lex e acertou no Coringa. Seus tiques nervosos, sua fala desencontrada, ações piadistas, gritos raivosos cheios de cuspe e até o fato dele ser um meninão de all star me parecem mais adequados a um personagem caótico e neutro do que o Lex Luthor neutro e mau que eu me recordava. É importante ressaltar aqui que, como eu digo na minha bio, não sou exatamente a maior fã ou conhecedora da DC, então as liberdades criativas com o cânon não me incomodaram tanto quanto poderiam e é possível que eu esteja baseando Luthor unicamente nas representações que eu conheço, assim como a Martha Kent que para mim era muito mais velhinha e vovó do que Diane Lane. É impossível me convencer que aquela atriz de 51 anos é mãe de Henry Cavil, que tem 33.

Mesmo que ela tivesse sido mãe aos 18 anos, não justificaria os conselhos horrorosos que ela dá para Clark no filme. E o fato dela ter o mesmo nome que a mãe do Batman é usado da pior forma possível, mas como estou tentando manter essa resenha sem spoilers, vou esperar que vocês comentem o que acharam disso. A primeira cena do filme é a cena do assassinato dos pais de Bruce Wayne e é uma cena lindíssima (tão bonita que sentiram necessidade de repeti-la incessantemente ao longo do filme) mas também muito, muito pesada para crianças.

Mas você não clicou na matéria para saber se o filme era bom ou ruim, e sim, se poderia levar crianças para assisti-lo. Poder, pode. Mas não deve. Não só porque a Classificação Indicativa diz o contrário, mas porque ele tem cenas realmente inadequadas para crianças. Ao contrário dos filmes do Universo Cinemático da Marvel, não tem piadinhas ou uma paleta de cores alegres, o filme é denso, escuro e complicado. E não é bom. Se a programação do fim-de-semana é cinema, pegue as crianças e vá assistir Zootopia que não é apenas adequado, mas necessário para crianças.

P.S.: Sabemos que o marketing está pesado e a maioria das crianças vai pedir pra assitir, afinal, tem uma linha de brinquedos, brindes de fast-food e cinemas inteiramente caracterizados para o lançamento do filme. Mas não dá mais pra classificar super-herói como coisa pra criança, né? Então o bom senso deve predominar nessa decisão.

Batman vs Superman (Warner) 2016
Classificação Indicativa: 12 anos
Classificação Pac Mãe: 10 anos com muito desconto.
Avaliação Pac Mãe: Filme longo, entediante em alguns momentos e confuso em outros, com representação feminina complicada e muitas cenas de violência. Não recomendamos.

Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café

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