Classificação Indicativa | Senso comum: a culpa é da mídia

Ontem, nós do Pac Mãe participamos de uma reportagem sobre crianças e jogos eletrônicos. Uma das perguntas era quais eram os nossos medos em relação aos jogos, o lado negativo, etc. Eu confesso que não sou muito encucada com eletrônicos, e sou uma ferrenha defensora de que a mídia (jogos, filmes, etc) não pode e não deve ser culpada por atos de violência.

Mas. MAS. Acredito que a exposição a gráficos e atitudes violentas desde a infância dessensibiliza a criança, tornando-a menos empática quando adulta. Torna mais fácil virar a cara para o pedinte, torna mais aceitável ser absurdamente mal-educado com ciclistas no trânsito, acabamos um tantinho mais isolados dos outros seres humanos. Não sei se tem alguma tese pra embasar isso, é apenas algo que eu acredito.

O mais agravante, porém, é que a violência passa a fazer parte do imaginário da criança. Não é que ela não faça: crianças batem, mordem, empurram, embora raramente com o intuito de machucar. Um pouquinho maiores, crianças brincam de tiro, de luta, de espadas. Sem compreender completamente o conceito de machucar ou eliminar o inimigo, em um universo absolutamente maniqueísta, onde é muito fácil identificar o bem e o mal, as brincadeiras infantis incorporam sempre elementos de suas vivências diárias.

Por isso é muito importante estar atento ao que as crianças consomem, especialmente conteúdo audiovisual. Eu, particularmente, sei todas as músicas do Doki. Meu filho raramente assiste à televisão sem que eu esteja do lado, ainda que eu esteja lendo, jogando ou prestando atenção em outra coisa, estou ali para explicar sobre publicidade infantil e para filtrar o que ele assiste. Porque sei que invariavelmente ele vai se transformar no Chucky, ou vai passar algum tempo com o Gatola da Cartola como amigo imaginário.

E se ele não assistir a programas apropriados para a sua idade? De que forma isso será incorporado às suas brincadeiras e à sua vida? E se eu precisar me ausentar da sala, e se ele aprender a mexer no controle, e se estiver insatisfeito com os programas que normalmente assiste?

Seria algo mais ou menos assim?

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=19EW551nCS4&w=560&h=315]

Não, Cães de Aluguel não é sobre um abrigo de adoráveis filhotes que podem ser alugados por pessoas solitárias. Não deixe sua criança assistir a esse tipo de filme.

Por enquanto.

O vídeo é um comercial do site Common Sense Media, uma ferramenta bem bacana que ajuda a selecionar e revisar conteúdo adequado para crianças e adolescentes, desde programas de TV à sites e jogos. Alguns dos mandamentos deles:

Nós acreditamos que a mídia realmente se tornou “um familiar” nas vidas de nossas crianças, afetando profundamente seu desenvolvimento mental, físico e social.

Nós acreditamos em ensinar nossas crianças a serem críticas, respeitadoras e responsáveis quando interpretando, criando e comunicando a mídia. Não podemos cobrir seus olhos, mas podemos ensiná-los a enxergar.

Nós acreditamos que pais deveriam ter uma escolha e voz sobre a mídia que nossos filhos consomem e criam. Cada família é diferente, mas todas precisam de informação.

É isso aí! Aqui no Brasil temos iniciativas como o Movimento pela Infância Livre de Consumismo e o Instituto Alana que tentam regular a publicidade voltada para crianças, mas eu não conheço nenhum site nos moldes de conteúdo crítico-construtivo como o Common Sense Media. Vocês conhecem?

Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café

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