#CPBR9 | Mãe palestrante é impedida de entrar com comida para bebê

A 9ª edição da Campus Party Brasil começou na última terça-feira (27) e já deu o que falar – mal. Enquanto a programação trazia discussões e questionamentos sobre o papel de mães e pais na formação de futuros nerds (mesa da qual participamos), o evento mostrava na prática que famílias com crianças não são bem-vindas. A podcaster Mariana Bonfim, do Renegadoscast, era palestrante convidada do Palco de Entretenimento nos dias 27 e 28 e levou sua filha Malu, de 1 ano e 7 meses. E isso aconteceu:

Sem título

Nós já falamos por aqui sobre a falta de estrutura de eventos nerds para receber famílias com crianças, e a Campus Party, infelizmente, não foi exceção. As comidas oferecidas são: pizza, crepe, hot dog, macarrão e um self-service com uma comida bem ruim e tudo absurdamente caro. São R$29,90 por 200g de macarrão industrializado, R$15,00 por uma pizza brotinho, R$10,00 por um crepe no palito e R$30,00 por uma refeição no self-service – que por ser o serviço de alimentação contratado por muitos campuseiros acampantes, geralmente tem bastante fila. Desnecessário dizer que nenhuma das comidas oferecidas por lá é adequada para crianças, muito menos para um bebê de 1 ano e 7 meses.

 

A proibição da entrada de alimentos de fora foi amplamente divulgada pela organização da Campus Party e gerou revolta nos participantes, cujas noites regadas a pizza já faziam parte da cultura do evento. Isso não impediu a venda de marmitas com comida caseira, saudável e barata na porta do Anhembi, que foi onde Mariana conseguiu a comida de Malu. Mesmo sendo um caso isolado, a organização barrou a entrada da marmitinha com carne, salada e purê de batata doce para uma criança que estava no evento desde as 15h.

Ao ser impedida de levar a comida para a filha, Mariana tentou conversar com a organização mas acabou tendo que chamar a polícia, e registrou uma queixa contra o evento no Procon. Ela ainda teve que ouvir de uma produtora que não tinha problemas se ela processasse o evento, porque “enquanto ela tinha um advogado, eles têm um prédio inteiro.” A solução da organização foi ceder mesas e cadeiras na parte externa do evento, mas no dia 27 choveu muito forte durante todo o dia, chegando a alagar algumas áreas do camping da CPBR. Se chovia na parte de dentro do evento, imagina como estava lá fora?

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E não foi só na hora da comida que Mariana encontrou dificuldades: “No estande da 3 Corações, onde serviam café, pedi água quente pra mamadeira e disseram ‘Não podemos dar para as 8 mil pessoas aqui'”. Ela saiu de lá sem água e só em outro estande conseguiu usar o microondas para esquentar a mamadeira da pequena. Luís, pai de Malu que estava lá com as duas, ainda encontrou mais um empecilho, já que só havia fraldário no banheiro feminino. “A Mari veio aqui pra palestrar, e se durante a palestra eu precisar trocar a fralda da Malu, como faço?”

A Campus Party se mostrou extremamente despreparada para lidar com a situação toda, mas o pior é que teve gente concordando com a atitude deles. Não basta ser um evento de tecnologia, área que é tradicionalmente excludente de mulheres (tipo essa matéria incrível que fala que mulheres buscam espaço no setor de tecnologia e enfatiza o dezenas de mulheres à luz de milhares de participantes), tem que reproduzir o afastamento sistemático de mães de espaços de convivência, networking e diversão. (null) (2)

Vamos lá: A CPBR acontece em Janeiro, mês de férias escolares. Mesmo se acontecesse durante as aulas, ela dura o dia inteiro e bebês de 1 ano e 7 meses não necessariamente frequentam creches ou escolas. Mesmo que frequentem, nós, mães, não precisamos justificar a nossa presença e a presença das nossas crianças em nenhum espaço. Especialmente um espaço rico em aprendizado e experiências para as nossas crianças. Principalmente um espaço onde somos convidadas a participarem palcos, mesas, palestras. O caso de Mariana não é isolado – apesar de que poderia ter sido facilmente resolvido como um – e traz à tona uma discussão muito importante: eventos nerds são espaços para família. Cabe a eles decidir se vão continuar dificultando a participação de mães e crianças, ou se vão perceber que nós já estamos lá, e não vamos a lugar algum.

Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café

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  • Felipe Urban

    Pera.. Eles vendiam comida lá, né? Se eles vendiam comida, vc pode entrar com QUALQUER ALIMENTO. Existe até uma ‘regrinha’ que impede que você entre com embalagens perigosas, como latas de alumínio ou garrafas de vidro, SE isso não for comercializado lá dentro.
    Afora isso, qualquer comida pode entrar. É lei, cara.

    Afinal, a proibição de entrada de alimento já foi considerada venda casada pelo STJ, e fere o Código de Defesa do Consumidor no seu artigo 39, inciso I.

    Cai pra cima deles!

  • Canalhice pura e simples foi o que fizeram com a Mariana, além de nítido crime contra o consumidor: venda casada. Que todos os lesados vão à Justiça! Quero ver o prédio inteiro de advogados dar conta…

    E essa discussão tem mesmo que vir à tona. Não somente em eventos nerds, até em eventos para MÃES BLOGUEIRAS crianças não são bem vindas! São raros os que disponibilizam estrutura. As agências que organizam estão repletas de mulheres, mas nenhuma delas tem empatia e vergonha na cara para pensar nisso. Já era mais que tempo disso mudar.

    • Thais Linhares

      Que eles acabem sem te como bancar o tal “prédio” depois que perderem seu público e clientes por serem tão incompetentes. Os advogados deles devem estar ficando ricos!

  • Isadora Cal Oliveira

    Passei por isso minha vida inteira por ser diabética. Nada do que vende nesses eventos é apropriado para a dieta que preciso seguir, e além de não poder entrar com comida em alguns lugares, há ocasiões em que não posso comer. Acontece que um diabético pode ter uma hipoglicemia e precisar comer imediatamente. E eu gostaria muito de ter a chance de não perder uma palestra muito importante ou meu lugar em alguma fila de espera enorme só porque PRECISO comer para não desmaiar, entrar em coma ou até morrer.
    Agora estou grávida, e as hipoglicemias são súbitas. E a minha dieta está três vezes pior do que já era. Ou seja: acabo sendo obrigada a deixar de frequentar vários lugares e eventos por conta disso.
    Ridículo!

    • Thais Linhares

      Você está certíssima. Poxa, acho que talvez fosse a hora de começar campanha coletiva contra essa “venda casada” que obriga o público a consumir uma comida porcaria e cara. Isso só pode estar muito errado e o seu caso então, mostra como é flagrante o desrespeito, pois pessoas com diabetes tem de poder se alimentar sem prejudicar a saúde! E por aí os hipertensos, com outrs restrições alimentares (alergias, por exemplo) ou simplesmente por não gostarem do que é oferecido.

      • Isadora Cal Oliveira

        Pois é. Não gostar é um direito nosso. Muita gente me olhava feio quando pedia coca-zero ou perguntava se as coisas tinham açúcar, se eu podia ver a receita (pois faço contagem de carboidratos para melhor uso de insulina). Acho um absurdo me reprovarem por querer ser saudável. Quer dizer, eu tenho que explicar o por quê das minhas opções alimentícias. Já ouvi tanto “menina, você tá ótima, não precisa disso”. Não passa pela cabeça de ninguém que pode também ser uma escolha da pessoa.
        (é muita raiva acumulada, são 17 anos nessa… hehehe)

    • Ari Pesce

      leva balinhas.

  • Pingback: Palestrante da Campus Party 9 é impedida de entrar no evento com comida para bebê - Critical Hits()

  • change_mdm

    Evento de merda.

    Eu, como pai, tenho o objetivo de dar sempre comida caseira pra minha filha. Nunca dei essas papinhas da Nestlé nem nada, por isso sempre cozinhei as coisas em casa, colocava em um potinho térmico e ia para o lugar que fosse. É a minha opção.

    Em nenhum lugar fui proibido de fazer isso. De restaurantes a eventos. Sem problema nenhum, pois todos tiveram o bom senso e a racionalidade de ver que era comida de criança. E ponto.

    O que mais me choca é um evento de internet, que deveria saber como é chata a gestão de crise na web, se permitir a um papelão desses.

    Cai pra cima deles com processo e tudo!

    • Onemaster

      Change você………………………………………………………ACERTA !!!!!

      P.S: Uma vez em um milhão, para deixar claro.

    • Sêmen

      COMO É ESTAR DO OUTRO LADO DO PROCESSO, CHANGE?

    • VemCáMeuNego

      ACERTOU !!!!

    • CHANCE ACERTA. #paidoano

    • Guest

      Invasão MdM até aqui! Vocês não tem vergonha mesmo!

      Brinks… Mandou bem, Xange!

    • Vista Cansada

      Viva Underline, vai ser muito mais saudável que esses nerds gordos cheio de bacon e embutidos processados que usam camisas escuras XXL da Nerdstore

      • VemCáMeuNego

        Tá falando dos que compram na Nerdstore ou dos donos dela ?

    • JOHN CARTEIRO

      seria verdade isso , change acertou ?

    • JOHN CARTEIRO

      issae change

    • Gordura do Ultra

      Realmente revoltante, se percebe que isso é truque pra fazer as pessoas gastarem com as “comidas” que tão sendo vendidas la , criminoso ! só isso a dizer desse Campus Party !

    • Vista Cansada

      Gente eu já fui banido por esse homem! Que orgulho!

    • Dislex Luthor

      Ta certo, tem que processar mesmo!!

      Caramba o Change ta certo!!!!!

  • AlanCarvalho

    Essa foi o fim da picada. Lamentável o ocorrido. Tanta tecnologia, tanto futuro, tanta coisa e compreensão, que é bom,…

  • Muito obrigada ao blog pelo apoio. Acabo de receber um pedido de desculpas oficial da Campus Party, no qual eles mais uma vez se embananam nas regras e, digamos, não dão o braço a torcer de que estavam errados. Triste estou.

    http://blog.campus-party.com.br/post/138305372721/nota-de-esclarecimento

    • Thais Linhares

      Tomara de acabem com essa “regra” de proibir que o público se alimente como quiser.

    • Gordura do Ultra

      só fazer campanha ncontra essa Campus Party e boicotar , ai acaba a festa

  • Thais Linhares

    A resposta da produtora foi de uma antipatia cavalar! Que amadorismo desta pessoa e também dos barraqueiros que foram incapazes de colaborar (como no caso da água quente). Tal “rigidez” não demonstra de forma nenhuma “eficiência” e sim amadorismo ao se mostrar incapaz de lidar com questões triviais da vida diária que já deveriam ter sido previstas por um bom produtor. Sugiro que troquem aí esse time por um mais competente. Quanto aos antipáticos, coitados. São da banda anti-social do mundo nerd. Se não gostam de gente, voltem pra sua poltronas de quarto escuro. Em um festival haverá geeeente.

  • Thais Linhares

    Achei o que o Felipe aí falou!
    “Direitos do Consumidor

    Consumidores ganham direito de entrar em casas de espetáculos com alimentos

    Ministério Público considera que a não permissão aos consumidores configura venda casada, proibida pelo CDC

    Quem costuma frequentar casas de espetáculo para assistir a shows ou outros diversos eventos já deve ter notado que muitos destes lugares não permitem a entrada com alimentos ou bebidas, obrigando os consumidores a adquirirem os produtos no próprio local, geralmente a preços exorbitantes. No entendimento do Idec, essa questão configura “venda casada” dos ingressos e alimentação no local, prática vedada pelo CDC (Código de Defesa do Consumidor).

    O MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) entrou com uma ação civil pública em 2012 contra a empresa de entretenimento Time For Fun, – que administra a casa de shows Credicard Hall – questionando a falta de permissão dos clientes de adquirirem alimentos e bebidas em outros lugares além da lanchonete instalada dentro da casa de espetáculos. A sentença foi favorável em 2013, determinando que todos os consumidores lesados pela proibição de levarem alimentos e bebidas comprados fora da casa de show poderão pedir uma indenização pelo prejuízo sofrido. O ressarcimento será proporcional ao dano sofrido por cada indivíduo, uma vez que segundo o levantamento, os produtos chegavam a alcançar preços até 214% superiores aos preços de mercado.

    Essa é uma decisão importante para os consumidores, pois serve de precedente em casos similares desde que não afetem a atividade fim do estabelecimento comercial, ou seja, desde que a atividade fim não seja a venda de alimentos e bebidas.

    Para os consumidores que passarem por situações similares, vale lembrar que devem formular uma denúncia e oficializá-la no Procon de sua cidade, apresentando o ingresso e notas fiscais disponíveis. Caso essa tentativa seja frustrada, o consumidor poderá resolver a situação procurando o JEC (Juizado Especial Cível).”

    http://www.idec.org.br/consultas/dicas-e-direitos/consumidores-ganham-direito-de-entrar-em-casas-de-espetaculos-com-alimentos

  • aliquisflax

    sei lá, só não ir mais lá, ou a vontade de participar de uma porcaria que nem te aceita é maior? não entendo isso… c não te querem lá pra que insistir, melhor procurar lugares que valham seu tempo, e depois da metade do texto o assunto virou mimimi, tipo assim, c vc tem filho e tá vendo q o lugar não tá querendo q vc leve ele, não vai, é isso q eu faço, mas c a pessoa prefere ficar lá achando q tá sendo bem vinda blz né, cada um escolhe o q acha melhor

    • VemCáMeuNego

      Ela foi convidada como palestrante, ELES queriam ela lá, usa a cabeça e se informa antes de comentar m*.

      • aliquisflax

        ela foi convidada e quando chegou lá não deram a ela o suporte do qual ela precisava pra poder levar o filho, ela tem um filho e precisava levar, ela podia rejeitar ou ter perguntado se poderia levar tudo q o filho precisava, mas achou melhor ir lá e dar de cara com esse pessoal ignorante que claramente só queria ela e não o filho dela

    • Marcelo Camargo

      Tenha bom-senso. Isso foi um crime e deve ser denunciado.

      • aliquisflax

        TEM que ser denunciado, em momento nenhum falei que não era, crime é crime, só comentei sobre o fato dela ter insistido em permanecer em um local onde o filho dela não era bem vindo, aonde meu filho não é bem vindo eu também não sou

  • Campus Party é um evento que não me empolga mais por vários motivos. Que passam pela glamurização do nerd tosco até o foco mais focado para uma área nerd que não me atrai tanto assim para justificar a minha presença – desenvolvimento e tecnologia.

    Eu acho que a Mariana teve muito saco de aguentar tudo isso, sério. Eu teria abandonado o evento e não teria feito as palestras. O evento não é preparado para receber um palestrante, imagina uma pessoa comum. Por outro lado, entendo que a Mariana deveria querer muito cumprir sua missão, porque o palestrante “chato” acaba não sendo chamado mais. Imagino que deva ter sido muito barra para ela a situação. Muito estressante, ter que trabalhar e se preocupar com a situação da filha.

    Por fim, um evento que não consegue assumir que um homem possui responsabilidade por crianças é mais um daquele reforço de homem babaca e nerd tosco. Que tristeza essa evento.

  • Guest

    Se na Campus Party tá assim, imagina na CCXP… deve ter até gente sendo lambida a força.

  • Guest

    Um evento feito por quem não copula pra pessoas que não copulam. Não é de estranhar que não contemplem os copuladores.

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