Cinema | Dez motivos para assistir Boyhood: Da infância à juventude

Se você está vivendo em outro planeta nas últimas semanas, começo esse texto explicando que Boyhood não é uma história para crianças e que essa é uma dica para os adultos.

O filme levou três Globos de Ouro dos cinco para os quais fora indicado, incluindo o prêmio de melhor filme na categoria drama, além de melhor diretor, para Richard Linklater, e melhor atriz coadjuvante, para Patricia Arquette. Também ganhou o Bafta, prêmio da academia britânica, nas mesmas categorias, o Urso de Prata no Festival de Berlim, e foi indicado a seis Oscars, vencendo na categoria atriz coadjuvante. Quer mais argumentos para amar Boyhood? Nós temos dez:

Ellar Contrane (Mason Jr) e o diretor Richard Linklater

1 – O diretor: É um filme do Richard Linklater, considerado como um diretor “alternativo”, “indie”, “de baixo orçamento”, mas a alma por trás de histórias incríveis e profundamente tocantes, como a maravilhosa trilogia Antes do Amanhecer/Antes do Pôr do Sol/Antes da Meia Noite, que também segue seus personagens através de passagem de tempo, o psicodélico e poético Waking Life, e Escola de Rock (como não amar?), entre outros. Sim, eu sou meio suspeita, mas acho que ele merecia o Oscar, embora tenha ganho o Golden Globe, que é muito mais legal :p

Patricia Arquete (Olívia)

 

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Ellar Contrane (Mason Jr)

2 – A emoção de ver o tempo passar de verdade: Boyhood foi gravado em 39 dias, durante 12 anos, com o mesmo elenco, que foi crescendo e envelhecendo ao longo da história, junto com os personagens. É encantador e comovente, principalmente para quem convive diariamente com crianças, observar o crescimento e o amadurecimento de Mason Jr (Ellar Contrane) e Samantha (Lorelei Linklater, filha do diretor) diante de nossos olhos. Dá vontade de tentar parar o tempo pra aproveitar mais a vida ao lado deles e dos nossos pequenos.

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3 – O pai: O meu queridinho salve-salve Ethan Hawke interpreta Mason-pai. Ausente, ele a princípio pouco vê os filhos – e quando aparece é para trazer presentes, fazer orgias alimentares e ser o pai divertido que leva as crianças para passear de vez em quando. É o pai-amigão, que com o passar dos anos vai amadurecendo, assim como seus filhos (eu diria que quase junto deles) e fortalecendo os laços de todos, e a relação de parceria da família.

4 – A mãe: Mães-solo vão se identificar imediatamente com Olívia, papel que rendeu ontem para Patricia Arquette o Oscar de melhor atriz coadjuvante (com aquele discurso foda o/) e o Golden Globe. Solteira, criando sozinha os dois filhos, ela precisa tomar as rédeas da maioria das decisões que mexem com a vida de todos. Sem o pai das crianças por perto, ela precisa mudar de cidade algumas vezes para buscar melhores perspectivas, contar com a ajuda da família e de amigos para continuar seus estudos, (chega a levar o filho doente para a universidade com ela), e passa por vários relacionamentos, alguns deles abusivos, mas não deixa de manter um vínculo amoroso e de parceria com os filhos sempre. Impossível não se emocionar em uma das cenas finais de Olívia, um diálogo com Mason, pai das crianças.

5 – Doze anos de cultura pop: Além de Harry Potter e Star Wars, que detalharemos mais adiante, Boyhood tem várias referências pop. Mostra, por exemplo, o garoto assistindo Dragon Ball Z, brincando com brinquedos de Toy Story e até com uma espécie de tamagotchi. Enquanto o tempo passa, os videogames de Mason mudam. Gameboy, Xbox 360 e Wii aparecem na trama, além de alguns Macs e de várias referências a redes sociais e Facebook. Muito divertido ficar pescando essas referências durante a história e tentar adivinhar em que ano estamos.

6 – Doze anos de música!  A trilha sonora  acompanha a passagem do tempo, como não poderia deixar de ser. Linklater gastou quase a metade do orçamento de R$ 9,7 milhões do filme com as canções. De Lady Gaga a Foo Fighters, Kings of Leon a Britney Spears, a trilha é maravilhosa. Uma cena interessante relacionada a música é essa, quando o pai dá o Black Album dos Beatles para Mason. Outra cena fofa e impossível de ser deixada de lado é a música familiar composta e interpretada por pai, filhos e madrasta: aqui. Veja tudo sobre a trilha de Boyhood aqui.

7 – A cena da fogueira, citando Star Wars: Como já é hábito da parceria Linklater/Hawke (vide a trilogia “Antes do Pôr do Sol) a cena é uma improvisação livre entre os atores que interpretam pai e filho. “Hey, deixe-me falar com Ellar sobre Star Wars”, foi o pedido de Ethan ao diretor, segundo ele próprio afirma em uma entrevista. “Star Wars, Senhor dos Anéis, esportes, aquelas eram coisas que poderíamos falar como pai e filho, onde poderíamos criar essa conexão.”, conta o ator. Ficou muito legal o resultado final. (veja um trecho aqui)

8 – A curtição das crianças por Harry Potter: Boyhood é um filme sem um grande climax, uma junção de cenas do cotidiano. Uma dessas é fofa demais: a mãe lendo Harry Potter e a Câmara Secreta para os dois filhos antes de dormir, abraçada com eles (e inventando uma desculpa para dispensar o namorado e curtir os pequenos, rs). Legal é ver que a iniciativa dá bons frutos: Anos depois, Mason Jr e Sam estão vestidos à caráter em uma fila, esperando ansiosos a meia noite chegar para comprarem Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Na adolescência, Mason continua demonstrando gostar de literatura quando critica junto com uma amiga a febre da série Crepúsculo e diz não entender tanta falácia em torno do livro.  Criar pequenos nerds-leitores não tem preço! 🙂

Ellar Contrane (Mason) dos 6 aos 18 anos

9 – Mason: não me entendam mal, Samantha é uma menina legal, mas Mason, para mim, é puro amor. Ver aquele menininho loirinho e lindo se transformar em um garoto alegre, depois em um adolescente desajeitado, e em um jovem gente boa, me fez pensar em minha vida, em meu próprio filho, e em tudo o que eu desejo e espero para a vida dele. Isso tudo mexeu muito comigo. Fiquei dias pensando em Boyhood. Amei essa declaração do ator Ellar Contrane, sobre a experiência de ver a sua vida no cinema: “Eu não me lembro de ser tão jovem. Eu não acho que na época eu realmente entendia o que eu estava fazendo, inteiramente. Mas, gradualmente fui percebendo o que estava acontecendo. Há certas cenas em que eu estou falando sobre as minhas idéias, usando algumas das minhas roupas, e é tudo muito familiar.”

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10 – Poderia ser a sua família: Pegando o gancho na fala de Coltrane, Boyhood é um filme sobre a família e feito por uma família. Em várias declarações o diretor, os atores e a equipe afirmaram que, depois de 12 anos trabalhando juntos, se transformaram em uma verdadeira família contando a história de outra. Você certamente vai enxergar um pouquinho da sua lá, também.

 

Você já assistiu? Conta pra gente o que achou! Se não viu, por favor, vá ver agora e, depois venha dividir suas impressões aqui no blog. 🙂

Kathy

Kathy

Jornalista, sonserina, lannister, malkaviana, dobradora do reino da Terra, distrito 3. Transmito o legado nerd ao meu rebento, Samuel, que, pobrezinho, já reclama que ninguém da escola sabe quem é Sauron e nem fazem ideia do que significa conjurar um patrono.
Kathy

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