Educação | E quando chegar o vestibular?

Sempre que eu falo sobre como a escola do Samuel é “diferente” alguém me pergunta: “Mas como vai ser no futuro?” “E quando ele tiver que fazer vestibular?” As pessoas sempre se apavoram pensando no que será, nas provas que ele ainda não fez, nas aulas exaustivas que ainda não assistiu, nas fórmulas que talvez ele não vá precisar decorar e eu sempre respondo a verdade, e isso às vezes deixa as pessoas ainda mais apavoradas: eu NÃO SEI sei como vai ser!

O que eu sei responder é que quando ele estava perto de entrar no Ensino Fundamental comecei a procurar uma escola e logo percebi que o modelo de educação tradicional com o qual nós estamos acostumados e no qual a maioria de nós estudou está bastante equivocado e completamente ultrapassado. Ele é chato. Ele é cansativo. Ele é cruel e competitivo. Ele não serve mais.

“O objetivo da educação não é ensinar coisas, as coisas já estão na internet, nos livros, em todos os lugares. O objetivo do professor deve ser ensinar a pensar, criar na criança essa curiosidade, criar a alegria de pensar.”

(Rubem Alves)

De novo estou aqui citando Rubem Alves porque ele não poderia ser mais preciso e colocar melhor em palavras aquilo que eu acredito e tento transformar em prática.

Aquela escola estilo “linha de montagem” em que todos usam as mesmas roupas, sentam da mesma forma, obedecem a um professor autoritário, decoram a matéria para serem avaliados em seu aprendizado, com uma campainha estridente determinando os tempos de aula e salas separadas por idade, essa escola não faz mais sentido algum pra mim.

“Não me espanto, portanto, que tenha aprendido tão pouco na escola. O que aprendi foi fora dela e contra ela.” (Rubem Alves)

É por não acreditar mais nesse modelo imposto, por ter encontrado uma escola pública municipal aqui em São Paulo que ousa não seguir o lugar-comum é que eu assumi o risco de admitir não saber o que vai ser do futuro. Eu quero saber o que vai acontecer agora.

Agora, hoje, nesse momento, meu filho tem a chance e a liberdade de experimentar, de escolher, de explorar. E foi exatamente por isso que uma “Exploração livre no Parque Sonoro da Escola” foi a atividade para o #DiadeAprenderBrincando, ação sobre a importância de ser #LivreParaDescobrir, brincar e aprender também fora da sala de aula, uma mobilização que aconteceu pela primeira vez aqui no Brasil no dia 6 de outubro, com apoio da OMO e da Associação Cidade Escola Aprendiz. Saiba mais nos sites: www.sesujarfazbem.com.br e também no www.diadeaprenderbrincando.org.br

Não foi uma atividade com regras, com objetivos pré-definidos. Também não foi um momento com hora marcada, tempo determinado ou com missões a serem cumpridas. Ninguém organizou nada, estabeleceu objetivos nem foi obrigado a participar. Não foi ensinado a ninguém como, onde nem o que fazer.

“As crianças que sabem ensinam as crianças que não sabem. Isso não é exceção. É a rotina do dia a dia. A aprendizagem e o ensino são um empreendimento comunitário, uma expressão de solidariedade. Mais que aprender saberes, as crianças estão a aprender valores. A ética perpassa silenciosamente, sem explicações, as relações naquela sala imensa.” (Rubem Alves)

Dedinhos curiosos deslizam por instrumentos musicais construídos ou doados pela própria comunidade da escola. Fazem barulhos altos e baixos, tocam sons indefinidos, riem uns dos outros, se permitem errar e tentar de novo. Descobrem que alguns barulhos são legais e que outros são bobos ou irritam. Questionam a falta disso ou daquilo, lamentam algo que já foi estragado ou que imaginam que poderia funcionar melhor se fosse pensado diferente. Se alegram ao perceber novas possibilidades de interação e brincadeiras, reclamam de não sei o quê que não reage como o esperado ou ainda se permitem apenas decidir não participar dessa vez, ou questionar o porque daquela ida repentina e não programada ao parque.

Aprender a perguntar “Por que estou fazendo isso? Qual o sentido disso?”, convenhamos,  já é um aprendizado sem tamanho. Aprender a dizer: “não quero participar” é outro, imenso, tão válido quanto se entregar à experiência sem se perguntar nada, só pelo prazer da diversão, e comemorar que de repente aquele dia foi um pouco diferente. É sempre uma experiência interessante observar esse brincar livre por algum tempo e acho que eu, como sempre, como em todos os dias em que me permito conviver com crianças, termino também a experiência percebendo uma coisa importante.

Percebi que ao permitir às crianças esse brincar e estudar livres, estimulamos seus desejos e curiosidades mais verdadeiros, mais coerentes com sua individualidade. E é exatamente essa individualidade que a escola “linha de produção” quer matar em nós. Afogado em decorebas para o vestibular e em aprendizados inúteis que não terão serventia alguma.

No futuro com o qual tanto se preocupam eu estou cada vez mais certa de que é exatamente esse respeito com quem se é, com a própria essência, que vai fazer a verdadeira diferença.

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Kathy

Kathy

Jornalista, sonserina, lannister, malkaviana, dobradora do reino da Terra, distrito 3. Transmito o legado nerd ao meu rebento, Samuel, que, pobrezinho, já reclama que ninguém da escola sabe quem é Sauron e nem fazem ideia do que significa conjurar um patrono.
Kathy

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