“Eu também sou um pouco menino”, ou sobre o Link ser mais legal do que a Zelda – Guest Post por Raphaela Rezende

Eu conheço a Raphaela Rezende dessa blogosfera materna maluca. Ela escreve o incrível Ciranda Materna e comanda a fanpage Maternar Consciente, e ambos tem dicas muito bacanas de leituras e atividades com crianças. Eu costumo ir lá só pra babar nas habilidades manuais da Rapha, já que não possuo 1/3 delas. Ela é mãe da Alice, que completou 4 anos em agosto e escolheu uma festa de… piratas! Com essa escolha de tema, dá pra perceber que ela é filha de uma Pac Mãe daquelas de raiz, então quando Alice apareceu vestida de Link com direito a orelhas feitas de micropore e tudo, eu corri pra implorar que ela viesse contar a história da fantasia aqui. Obrigada, Rapha!

(Foto: Raphaela Rezende)

Oi Link! Cadê a Zelda? (Foto: Raphaela Rezende)

 

Minha história com o jogo The Legend of Zelda começou muitos anos atrás. Um tio me mostrou o Ocarina of Time no Nintendo 64, mas pouco pude jogar. Anos depois fui operada e precisei passar um mês de cama, mas não enlouqueci graças ao jogo (um amigo me emprestou o video game dele, na época eu só tinha um Master System III com Alex Kid).

Quando já estava na faculdade conheci meu atual marido. Ele, super nerd, ainda no mestrado em física nuclear, disse que jogava Zelda logo no nosso primeiro papo.

Esse ano um amigo nos emprestou o Nintendo Wii (meus amigos são os melhores, não acham?) por um ano enquanto ele ficará fora do país em um pós doutorado. E já tinha instalado o Zelda Skyward Sword e o Twilight Princess! Começamos (eu e meu marido) pelo Skyward Sword, que é um jogo excelente. A nossa filha Alice (4 anos) só jogava o circuito com obstáculos do Wii Fit, mas quando nos viu jogando Zelda se apaixonou!

Nós só jogamos nos finais de semana, mas logo ela pegou o jeito do jogo e abrimos uma parte para que ela vá jogando (mas ela joga na nossa, que já está terminada).

Não demorou para que ela me pedisse a fantasia de Link. Eu perguntei se ela realmente queria a de Link ou se preferia a de Zelda e ouvi a seguinte resposta:

– Quero a de Link, eu também sou um pouco menino.

A Zelda quase não aparece no jogo, precisa ser resgatada, enquanto toda a ação ocorre com o Link, que enfrenta monstros e plantas carnívoras. Nada mais esperado do que a preferência pelo Link.

Eu comprei uma espada – até pensei em fazer, mas sabia que duraria pouco – e pedi para uma costureira fazer a camiseta, pois não tenho máquina de costura. Fiz o gorro com feltro.

A felicidade dela foi imensa (comprovada nos 3 dias que ficou com a roupa sem tirar)!

Mamãe colou Micropore (um tipo de esparadrapo) nas orelhas dela, e ela adorou! (Foto: Raphaela Rezende)

Mamãe colou Micropore (um tipo de esparadrapo) nas orelhas dela, e ela adorou! (Foto: Raphaela Rezende)

Aproveitamos que ela tinha uma festa de dia das bruxas para ir, lá foi ela com a roupa, toda feliz pela rua. Felizmente não ouvimos nenhum comentário negativo por ela usar uma fantasia de personagem masculino. E por sorte encontramos uma moça que conversou com ela:

– Oi Link! Cadê a Zelda?

Esse reconhecimento para uma criança fantasiada – para a criança é mais do que uma simples vestimenta, é a representação de um desejo, ela imagina que é o personagem – é fundamental, ela se sente reconhecida e respeitada. A felicidade que vi nos olhos dela foi emocionante!

Não posso deixar de me sentir feliz e com aquele orgulho bobo de ver minha cria gostando de algo de que gosto (ela já me ajuda a cuidar dos meus bonsai e tem as próprias plantas). É a minha parte na manutenção do orgulho nerd!

Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café

Talvez você goste de: