FIQ 2015 | 1º Dia: O FIQ da inclusão

A primeira coisa que se nota ao entrar na 9a ediçao do Festival Internacional de Quadrinhos é o calor. Não apenas o calor da Serraria Souza Pinto, que condensa o clima de Belo Horizonte em geral (o que foi um choque, tendo saído da viagem mais confortável que eu já fiz na vida, graças à ClickBus), mas o calor humano que emana da organização, programação e participantes do FIQ. Não é à toa: muita gente já se conhece de outros eventos de quadrinhos ou até mesmo de outras edições do FIQ e aqui surgiram muitas parcerias, mas mais do que isso, o FIQ 2015 é um reflexo do cenário brasileiro (e mundial) de quadrinhos e tem espaço pra todos.

 

Esse texto do Estevão Ribeiro explora um pouquinho da diversidade dos convidados do Festival, assim como uma olhada na programação, onde vemos mulheres e homens dividindo quase igualitariamente o beco dos artistas, bem como o espaço nos debates, mesas e palestras. Essa representatividade foi enfatizada pelo Presidente da Fundação Municipal de Cultura, Leônidas Oliveira na cerimônia de abertura, que fez questão de criticar o pensamento retrógrado e ressaltar a parceria do FIQ com o Ministério Público Estadual de MG, através da campanha Que Diferença Faz? que tem como principal objetivo combater a discriminação e promover o respeito às diferenças.

Mas o que mais me chamou a atenção foi ver o esforço para tornar o espaço acessível dentro das limitações de trabalhar com um espaço cedido pela Prefeitura de Belo Horizonte, que é a organizadora do FIQ. Os corredores largos são acessíveis para cadeirantes (embora pessoas com mobilidade reduzida não tenham acesso ao primeiro andar) e houve a tentativa de um fraldário, que foi definido pelo Twitter como altar sacrificial uma vez que nem de longe parece um fraldário. Isso não é um problema apenas para os visitantes, mas para as quadrinistas e palestrantes que são mães – e nós vamos falar mais delas depois – o que prova que tentativas não são o suficiente.

Eu até estava inclinada a taxar o FIQ como um evento não adequado para crianças, mas aí elas vieram. Em bandos. Por ser um evento da Prefeitura aberto ao público – e por ocorrer, também, durante a semana – a Serraria Souza Pinto fica lotada de estudantes, em sua maioria do Ensino Fundamental, entre 10 e 14 anos.Ver os olhinhos brilhantes para a exposição Heróica e para as réplicas de super-heróis no estande da Casa dos Quadrinhos, a atenção na leitura dos quadrinhos críticos sobre o Cerrado de Alves e na excelene Ciência dos Super Heróis e a participação massiva na Oficina de Quadrinhos, além da troca direta com quadrinistas numa edição onde a representatividade não só importa como existe, deve impactar bastante esses estudantes (a maior parte negros) da rede pública. O FIQ pode não ser adequado para crianças mais novas, mas é praticamente mandatório para as mais velhas.

criançasfiq1

“Moça, foi você que desenhou isso?”

Tá, mas e os quadrinhos?

Eu vim pra FIQ com algumas metas traçadas: eu só compraria quadrinhos infanto-juvenis (meu critério era: “Meu filho pode ler isso?”) para resenhar no blog, e apenas os que coubessem na minha mochila. Mas, como diria nossa presidenta, quando eu alcancei essa meta, eu resolvi dobrá-la. Tem muitos quadrinhos lindos sendo lançados com protagonistas femininas, protagonistas negros e se não fosse a ClickBus eu provavelmente não teria como voltar pra casa, uma vez que quero vender até as roupas para comprar HQ. Essas aqui foram só as do primeiro dia (e tem umas escondidas ali embaixo):

12241618_10153313108062734_5154993813540319029_n

Da esquerda pra direita: Maki de Yoshi Itice, Samurai Boy de Dan Arrows, We Pet de Ana Cardoso, Carne! e Navio Dragão de Rebeca Prado (e a revista do MdM no cantinho)

E ainda tem muita coisa pra falar sobre o primeiro dia de FIQ, mas esse post já está enorme e eu vou fazer um só sobre a palestra bombástica onde a Janaína Larsen afirmou que quadrinho não é literatura e o Vitor Cafaggi criticou não apenas os quadrinhos educativos, mas também o uso do quadrinho como porta de entrada para a leitura. É por essas e outras polêmicas que a partir de agora não vou fazer posts diários, mas posts sobre as palestras e entrevistas que conseguir por aqui. Mas e aí: o que vocês querem saber do FIQ?

Não se esqueça de acompanhar o nosso Instagram e o nosso Twitter, onde também estamos fazendo a cobertura em tempo real do evento.

Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café

Talvez você goste de: