Harry Potter | 8 lições importantes que a franquia ensina para crianças em tempos de crise política

Nós somos muito fãs de Harry Potter por aqui. Já teve festa, decoração de quarto e até estudos que comprovaram que crianças que leram Harry Potter são menos preconceituosas e tendem a desenvolver mais empatia. A franquia é um marco na minha vida: eu li o primeiro livro aos 11 anos e o último aos 21. Cresci no universo de J.K. Rowling e tenho certeza de que se tem uma coisa que eu vou fazer nessa vida, é passar esse legado adiante.

Amizade, companheirismo e coragem são algumas das características mais relevantes dos personagens da história, mas existem várias outras lições importantes que os livros de Harry Potter nos ensinam e que podem vir muito a calhar para ajudar a explicar para as crianças um pouquinho do que está acontecendo no cenário político – e nas ruas – do Brasil:

1.Não podemos confiar sempre na mídia

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Um dos piores inimigos de Harry Potter é O Profeta Diário, que se personifica na odiosa Rita Skeeter. Quando Voldemort volta ao poder, o Profeta Diário literalmente declara Harry o pior inimigo dos bruxos, mostrando aos leitores que nem toda capa de revista diz a verdade. Bem parecido com o que estamos vivendo aqui no Brasil.

2. O governo pode ser corrupto e incompetente

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Não há figura mais patética do que Cornelius Fugde durante os primeiros livros, ou vilã mais odiosa do que Dolores Umbridge. Em Harry Potter, o governo (personificado no Ministério da Magia) não é algo distante que só aparece de 4 em 4 anos: as decisões tomadas pelas figuras no poder afetam diretamente as pessoas. Independente da sua posição política, é importante ensinar para as crianças que o governo não significa apenas a figura presidencial ou o poder executivo: governadores, prefeitos, ministros, deputados, senadores, vereadores, devem ser escolhidos com cuidado e monitorados durante seus mandatos.

3. O sistema judiciário nem sempre acerta

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Sirius Black passou 13 anos preso injustamente, assim como Hagrid, que mesmo inocente, foi para Azkaban não apenas uma, mas duas vezes. O sentimento de injustiça é quase palpável, principalmente quando Sirius morre antes mesmo de conseguir limpar seu nome. Apesar de algumas pessoas no Brasil terem eleito algumas figuras do sistema judiciário como heroínas, é importante lembrar que a titulação não as torna apartidárias ou indefectíveis.

4. As pessoas no poder nem sempre querem o melhor para todos

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Uma das figuras mais poderosas durante a saga é Lucius Malfoy, e poucos personagens são tão egocêntricos quanto ele. O próprio Rufus Scrimgeour quando Ministro da Magia, tenta persuadir Harry a agir da maneira que ele considera melhor, não necessariamente o melhor para Harry ou o mundo bruxo. Nem sempre as pessoas chegam ao poder por voto da população: às vezes é o dinheiro, às vezes são os contatos, mas na maioria das vezes, uma vez lá, farão de tudo para continuar.

5. Coisas ruins acontecem com pessoas boas

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A família Weasley é o núcleo mais generoso, amável e genuinamente bom que existe nos livros, e ainda assim, tem problemas financeiros durante toda a série e é uma das que mais sofre perdas ao longo da história. Uma pessoa pode estar simplesmente vestindo vermelho a caminho do trabalho e ser acossada por manifestantes “pacíficos”. Não é certo, não é justo, mas acontece.

6. Seus heróis nem sempre são perfeitos como você espera

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A imagem de Harry é o resumo dessa lição. Harry é o protagonista  mas também é um dos personagens mais desequilibrados (pudera) e desagradáveis. Harry pensa em desistir, duvida, briga com os amigos, demonstra ingratidão, mas no final, a jornada é toda sobre ele e ele é o herói. No mundo real é mais difícil identificar essa figura – não por falta de tentativas da população. Não será uma figura de vestes pretas que irá salvar o Brasil.

7. Até aqueles com as melhores intenções podem errar

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Dumbledore erra diversas vezes e ele mesmo admite seus erros, assim como vários personagens. Outros erram e não admitem. Sirius morre por um erro de Harry ao levar a Armada de Dumbledore para o Ministério da Magia. Não temos como prever o resultado das nossas ações (ou adivinhar que o candidato para o qual você fez campanha iria dar uma guinada em uma direção com a qual você não concorda), mas podemos tentar consertar e sempre, sempre, tentar fazer o nosso melhor.

8. É muito, muito ruim quando as forças armadas assumem o poder

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Se teoricamente as forças armadas do Ministério da Magia são os aurores, não são exatamente eles que guardam Azkaban nem quem passa a patrulhar a escola e os julgamentos quando Voldemort assume o comando do Ministério. Longe de mim comparar as nossas forças armadas à dementadores, tenho até amigos que são (PMs, não dementadores), mas é sempre importante lembrar quem continuou no poder ao lado dessas criaturas e quem sofreu a influência delas. Nós, recém-saídos de uma ditadura militar, vimos vídeos de PMs batendo continência para manifestantes que mandavam a Chefe de Estado para lugares inomináveis, então devemos perguntar: será que esse é mesmo o lado correto?

Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café

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