Heroes of The Storm | Um MOBA amigável para mamães

Lembra quando você passava madrugadas upando seu(s) chars no Tibia, Ragnarok, Priston Tale ou, provavelmente, World of Warcraft? Lembra quando você salvava seu char em um disquete para poder jogar Diablo II em uma Lan House, onde você também passava madrugadas explodindo cabeças no Counter Strike, apesar de ser menor de idade?

Se você percebeu que eu falei tudo no passado, é porque meus dias de gamer já eram. Depois de ter um filho, minhas madrugadas são ocupadas com uma coisinha insignificante chamada sono, e apesar de agora ter um parceiro para jogos cooperativos e um torcedor animado nas partidas de HearthStone, eu sou uma fiel defensora da Classificação Indicativa, então ainda vai demorar um bom tempo para que meu filho possa matar o Diablo.

Por ser uma gamer meio old school, nunca me interessei por MOBAs. Aliás, a primeira vez que vi essa sigla tive que ir correndo jogar no Google: Multiplayer Online Battle Arena. Esse nome enorme representa um estilo de jogos de estratégia em tempo real, onde dois times se enfrentam para atingir um objetivo ao final da partida – geralmente dominar a base inimiga. MOBAs famosos como Defense of the Ancients (DotA) e o tal do LoL, ou League of Legends, são perfeitamente sumarizados pelo vídeo abaixo:

Essa era minha expressão ao tentar assistir uma partida de LoL: o que p%&$ está acontecendo nessa tela? Eram muitos personagens, muitas explosões, muita informação e principalmente: muita toxicidade. A comunidade de LoL é conhecida por ser absurdamente negativa para mulheres e qualquer minoria, então eu acreditava estar fadada a ser a tiazona que nunca entraria no mundo dos MOBAs.

Até agora.

Nesta terça-feira, 2 de junho, a Blizzard lança oficialmente o Heroes of the Storm, que eles não chamam de MOBA, para complicar ainda mais as coisas. HotS é um Team ou Hero Brawler, ou jogo de combate entre heróis, o que quer dizer que a sua identificação começa com os heróis e seu foco está inteiramente neles. E acredite, isso faz muita diferença.

Se em LoL e em DOTA você tem que se preocupar com o ambiente, com a manufatura de itens, além de ter uma infinidade de heróis para escolher e se aperfeiçoar e precisar confiar muito nos reflexos e na rapidez dos cliques, HotS deixa isso tudo de lado para focar na diversão do jogador, assim como todo bom jogo da Blizzard.

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A diversão, aliás, já começa no tutorial. Você é Raynor, um  herói de StarCraft, e seu mentor é Uther, personagem de WarCraft, e juntos vocês derrotam Diablo, personagem de… bem. Diablo. A dublagem é repleta de piadas e só o reconhecimento dos personagens de jogos conhecidos já é instantaneamente gratificante. Mesmo que DOTA e LoL tenham personagens copiados inspirados no universo Blizzard, é divertidíssimo poder escolher o Malfúrion ou a Valla com seus respectivos dubladores – e ouvir as piadas que personagens de universos comuns trocam entre si, como quando Arthas mata Jaina e diz “Você quebrou sua promessa”.

Sim, porque o jogo é traduzido inteiramente para Português. O cuidado com a tradução e os jogadores internacionais é tão grande que até detalhes como os tapetinhos no cenário foram traduzidos.

Você conseguiria ler "Bem Vindo" se meu computador tivesse gráficos melhores

Você conseguiria ler “Bem Vindo” se meu computador tivesse gráficos melhores

Se o multiverso Blizzard é o que te leva a começar a jogar Heroes, a complexidade simplificada do jogo é o que te mantém por lá. O jogo pode não exigir tantos reflexos ou ter tantos heróis, mas saber jogar com cada um deles e entender seu papel específico no jogo e em cada mapa exige alguma atenção. Sim, porque ao contrário de outros MOBAs, cada partida de HotS se dá em um mapa diferente com micro-objetivos diferentes. Leva um certo tempo para entender o que fazer em cada mapa, mas todos, sem exceção, priorizam o trabalho em equipe e a sinergia entre o time, tornando-o uma excelente opção para se jogar com amigos (ou fazê-los no próprio jogo).

O que me leva a um ponto relevante: a política de comunidades da Blizzard. Além de oferecer a opção de mutar o chat geral ou o de um jogador específico, a Blizzard também permite que você reporte alguém que tenha sido malcriado e vai além: pune efetivamente os jogadores. “Piadinhas inocentes” como o gringo que me mandou comer banana, quando reportadas, resultam no banimento temporário ou permanente do jogador. Isso pode causar estranheza em pessoas vindas de outros MOBAs, onde a toxicidade é tanta que é praticamente parte do ambiente, mas esse “controle exacerbado” é extremamente importante para assegurar a diversão de todos no jogo.

O banhammer da Blizzard é o poder mais over do jogo

O banhammer da Blizzard é o poder mais over do jogo

Mas o que o torna um jogo amigável para quem tem filhos se não dá pra jogar com eles? Uma palavra, que pode causar polêmica entre jogadores mais hardcore mas que, a meu ver, é o maior diferencial de Heroes of the Storm: casualidade. Uma partida de HotS dura em média 20 minutos, enquanto uma de LoL dura 40 e uma de DOTA pode chegar a 1 hora, mas o tempo de duração da partida não é o que define isso. HotS não se torna um jogo pior por ser amigável para jogadores casuais, pelo contrário. Ele se mantém bom para todos os tipos de jogadores e lida muito bem com essa diversidade.

Apesar de alguns problemas no sistema de pareamento de HotS, um jogador casual terá um nível geral baixo e jogará com pessoas do seu nível, sem atrapalhar os grandões-pro-player ou incomodar a Liga Heróica. E o mais importante: não será xingado, reportado ou execrado. Se avisar no início da partida que é sua primeira vez com determinado herói, as chances são de que alguém no time irá te ajudar e orientar, porque o trabalho em equipe é extremamente importante para a vitória, então os jogadores sabem que não adianta xingar ou se descabelar com o noob.

HotS também é o único jogo free-to-play da Blizzard no qual é possível se divertir e ganhar sem gastar um centavo (HearthStone eu estou olhando pra você). Você pode adquirir novos heróis com o dinheiro do jogo, que ganha a cada partida e completando as missões diárias, apenas aquisições estéticas, como skins (roupinhas) e montarias são feitas com dinheiro de verdade. Ah, eu já mencionei unicórnios?

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Ele deixa um arco-íris por onde passa. Sério.

Se eu tivesse que elencar um problema em HotS seriam os gráficos. Não que eles sejam ruins, pelo contrário. São tão bons que exigem um computador minimamente razoável. Um PC sem uma placa de vídeo legal talvez não consiga rodar o jogo, o que acaba afastando os jogadores verdadeiramente casuais.

Enfim, Heroes of the Storm é um jogo excelente para aquela pausa entre colocar as crianças na cama e encarar a pia de louça, mas cuidado: é extremamente viciante, e você pode se pegar com alguns dias de louça acumulada.

E aí, você vai entrar na Tormenta amanhã?

Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café
  • Amanda Guimarães

    Amei o texto!! me identifiquei muito com o começo (joguei todos os jogos mencionados)! Nanda <3

  • WandersonSantana

    Sensacional a matéria
    heroes is love, heroes is life

  • Zell Lianon

    bom texto ^^

  • William Ramos

    Você tem uma ótima visão sobre o jogo
    A Blizzard ta apanhando muito pra fazer o Hots, eles têm criatividade, sabem fazer coisas épicas, mas na parte de infraestrutura do sistema eles pecam muito, pois é péssima.
    O sistema de pareamento é a pior coisa que existe no jogo, você simplesmente não consegue ter uma boa partida.
    As vezes o jogo te coloca numa composição horrível, com heróis que sendo comparados com herois inimigos chega a ser injustiça.
    As vezes essa injustiça se da por conta do mapa (por exemplo: saiu Nova, Diablo e Murky no meu time no mapa do Conflito Eterno) enquanto no time inimigo, Tychus, Valla, Azmodan com guerreiro e suporte.
    Mesmo que você tenha mais de 1500 partidas no jogo, você acaba jogando com jogadores que tem 120 ~140, e se você for uma pessoa azarada como eu, você simplesmente não consegue jogar, joga 12 partidas no dia, e se frusta em 10.
    Coisas sérias, que eu achei que seriam resolvidas antes do lançamento do Hots, ou pouco tempo depois, mas até agora nada …

    Existem outros problemas
    Sistema de reconect horrível
    Mecanismo de assistir replay muito simples
    É muita coisa pra ser melhorada que atrapalha na diversão mesmo em partidas casuais.

    • Obrigada! Eu não sinto tanta disparidade no sistema de pareamento porque sempre jogo em grupo (é uma maneira de me blindar de jogadores tóxicos também). Meu Conflito Eterno foi com 4 assassinos e 1 suporte que nem era main heal (Tyrande), contra um time completo. A questão do número de partidas acaba sendo complicada por causa da decisão deles de não resetarem o servidor na transição do alpha pro beta e pro open. Não sei se algum dia eles irão conseguir resolver isso, porque com o nitro é possível chegar ao level 40 em 200 partidas ou menos.

      Mesmo concordando com todas as suas críticas, elas não afetam o gameplay de maneira a afetar negativamente minha experiência de jogo. Mas são críticas válidas e pontos que a Blizzard precisa atacar de imediato! (:

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