Boardgames | Jogos de Tabuleiro para jogar com as crianças!

Jogos de tabuleiro sempre foram uma paixão para mim, assim como baralho. Cresci jogando com meus pais e irmã.  Inclusive ainda tenho diversos jogos guardados daquela época. Mais pra frente passei a jogar com os amigos: War, Master, Detetive, Jogo da Vida entre tantos outros.

No início dos anos 2.000 fui morar na Croácia. Numa das vezes que vim de férias ao Brasil meus amigos me apresentaram 2 jogos diferentes: Lord Of The Rings (do game designer Reiner Knizia e um dos primeiros jogos cooperativos a serem lançados) e Munchkin, que aparentemente estava virando uma febre lá fora e aqui. Na sequência conhecemos o jogo baseado no seriado Battlestar Galactica, também cooperativo, mas com um bônus: a possibilidade de se ter um jogador traidor.

De volta a Zagreb, passei a frequentar uma loja especializada em jogos de tabuleiro. Comprei os jogos mencionados acima, como não poderia deixar de ser. Lembro-me de olhar aquelas prateleiras e pensar que todos aqueles jogos deviam ser muito legais, mas eu não tinha ideia nem de como escolher. No fim acabava comprando o mais do mesmo. Uma expansão ou nova coleção de Munchkin, mais uma expansão de Battlestar Galactica ou algum jogo relacionado a algum seriado que eu gostava.

Tempos depois, quando voltei ao Brasil, estava eu pesquisando exatamente sobre uma expansão do Battlestar Galactica quando me deparei com um canal do Youtube chamado The Dice Tower que dava dicas de jogos de tabuleiro. O primeiro vídeo que assisti era um Top 10 de jogos essenciais. Isso foi em setembro de 2.013.

Pronto, eu tinha acabado de adentrar no mundo dos jogos de tabuleiro modernos. Passei 3 meses assistindo todos os vídeos possíveis para ir conhecendo os jogos e fazendo listas daqueles que eu gostaria de comprar.

Felizmente minha próxima viagem estava próxima porque eu nunca sofri tanto de ansiedade esperando para colocar as mãos e ver ao vivo os jogos que eu tinha escolhido para comprar.

Já de cara descobri uma coisa muito interessante, diversos jogos não tinham dependência nenhuma de idioma, o que significava que eu poderia jogar com as minhas filhas. Já desde o início pesava na minha escolha de jogos a serem adquiridos aqueles que elas poderiam jogar comigo.

Na ocasião minhas filhas estavam com 8 anos e meio e 6 anos e meio. Os primeiros jogos modernos que elas tomaram contato foram na sequência: Catan, Ticket to Ride Europa  e 7 Wonders.

 

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Quase 3 anos depois, a mais velha já está com uma bagagem de quase 70 jogos diferentes. Há um tempo comecei a escrever um blog e depois fui convidada a escrever artigos para o site Meeple Maniacs sobre as experiências de jogar com as minhas filhas.

Dicas de jogos que não necessariamente seriam para crianças, mas que deram certo com elas, adaptação de regras para ajudá-las a jogarem jogos mais complexos, situações inusitadas e observações do entendimento delas em jogos específicos são alguns dos temas abordados.

Espero poder aqui no Pac Mãe trazer um pouco dessa experiência, e quem sabe, proporcionar momentos de lazer entre mães e filhos (e pais, avós, tios e amigos também) através de jogos não conhecidos do público em geral.

Para esse primeiro artigo eu vou falar de dois jogos: Dobble e Carcassonne.

Dobble foi lançado no Brasil pela Galápagos Jogos. De 2 a 8 jogadores, a idade mínima recomendada é de 6 anos, mas acredito ser possível jogar com crianças um ou dois anos mais novas. O tempo de duração de cada partida é de aproximadamente 15 minutos e não tem dependência de idioma.

 

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Dobble é um jogo de reconhecimento de padrões. Ele vem com 55 cartas, onde cada carta tem 8 desenhos diferentes e sempre que você comparar duas cartas entre si haverá um símbolo em comum.

São 5 maneiras de se jogar, mas basicamente em todas elas será preciso identificar o desenho que tem na sua carta e em outra carta o mais rápido possível. Um dos modos consiste em abrir uma carta no centro da mesa, e cada jogador recebe uma carta enquanto as restantes formam o monte.

Todos abrem a sua carta ao mesmo tempo e aquele que apontar (ou falar) primeiro o desenho da carta do centro, que também está presente na sua carta, fica com ela. Uma nova carta é aberta no centro da mesa e o jogo segue até que o monte tenha acabado. O jogador que tiver mais cartas é o vencedor.

Esse é um jogo bem divertido e descontraído onde todos da família podem jogar. Muito interessante para as crianças trabalharem a questão visual. A princípio pode-se pensar que adultos podem ter maiores chances ao jogar com crianças, mas não se enganem, pois elas são muito rápidas!

Carcassonne foi o ganhador do Spiel des Jahres de 2.001, renomado prêmio alemão para os melhores jogos do ano, e lançado aqui no Brasil pela Grow e agora em sua segunda edição pela Devir. De 2 a 5 jogadores, a idade mínima recomendada é de 8 anos, mas é possível jogar com crianças de 6 a 7 anos, mas recomendo não usar a regra do fazendeiro, conforme irei comentar mais abaixo. O tempo de duração de cada partida é de aproximadamente 45 min e não tem dependência de idioma.

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Carcassonne é uma cidade no sul da França conhecida por suas muralhas únicas. Os jogadores irão montar o tabuleiro ao longo do jogo, colocando peças (tile em inglês) de terrenos formando estradas, cidades, campos e monastérios.

A peça inicial tem um trecho de estrada, um pedaço de cidade e um de campo. Na sua vez, o jogador deve pegar um novo terreno do monte e colocar ao lado de alguma peça já existente. Ele deverá respeitar a regra de continuidade das estradas, campos e cidades.

O jogador então decide se irá posicionar um dos seus 7 seguidores (recebidos no início do jogo) numa parte desse terreno recém adquirido. Ele poderá colocá-lo na estrada, na cidade ou no campo, desde que não tenha nenhum outro seguidor (de qualquer jogador, inclusive seu próprio) em outra peça que agora esteja ligada à essa estrada, cidade ou campo.

Verificar se haverá pontuação imediata ou não. No caso de uma cidade, estrada ou monastério ser fechado, o jogador pega o seu seguidor de volta e pontua conforme a quantidade de trechos de estrada, pedaços de cidade ou peças ao redor do monastério.

Somente os seguidores, chamados de fazendeiros, colocados nos campos que serão pontuados ao final do jogo. E assim seguem as rodadas até que todas as peças tenham sido colocadas.

A pontuação final é feita contando os pontos de seguidores em estradas, cidades e monastérios não concluídos. Em seguida devem-se pontuar os fazendeiros.

Quem tiver mais fazendeiros no mesmo campo irá pontuar para cada cidade fechada naquele campo. Essa é a regra mais difícil para os pequenos compreenderem de início. Então o ideal é jogar sem a colocação de fazendeiros nos campos.

Primeiro que para eles é difícil planejar colocar as peças e depois possibilitar a junção dos campos para garantir a maioria. Quando jogo com as minhas filhas percebo que elas só colocam no campo depois que eu coloco, mas não há um planejamento por parte delas.

Além disso, os seguidores colocados nos campos ficam “presos” até o final do jogo, e se não houver mais uma vez um planejamento, o jogador pode ficar sem seguidores até que se feche uma cidade, estrada ou monastério.

O jogo é bem divertido, a questão espacial da colocação das peças é interessante para as crianças e com certeza é um jogo bem diferente do que normalmente as pessoas estão acostumadas a jogar.

Para as crianças mais novas pode ser interessante deixá-las montarem o tabuleiro como se estivessem montando um quebra-cabeça. Dessa forma elas vão aprendendo a manipular as peças e ver como podem ir encaixando umas nas outras sem a preocupação de alocar seguidores e marcar pontos.

Infelizmente esses dois jogos não são encontrados em lojas tradicionais de brinquedos, assim como a grande maioria dos jogos modernos. A Livraria Cultura sempre tem uma quantidade razoável, inclusive desses dois em questão, mas existe também uma grande quantidade de lojas virtuais especializadas que vendem esses jogos.

Recomendo a própria loja da Galápagos Jogos, mas não a da Devir, pois em geral o preço praticado por eles é bem superior ao das outras lojas. Sempre cabe uma pesquisa antes. O site da Ludopédia também é uma ótima fonte de informações, com a ficha de cada jogo, fotos, vídeos explicativos e no fórum é possível tirar dúvidas.

Para quem quiser de imediato outras dicas de jogos de tabuleiro moderno que estão sendo vendidos aqui no Brasil pode olhar a lista que eu fiz para o Meeple Maniacs: Jogos para jogar com crianças, parte I. Tem mais de 50 jogos indicados. Uma boa opção de presente para o natal. Mas não vale só dar o presente, tem que jogar com a criançada!

Mariana Gamberger

Mariana Gamberger: Engenheira e mãe da Dora (11) e da Nina (9). Desde criança já tinha um lado nerd, mas foi com a descoberta de Arquivo-X em 1996 que as portas para outros universos se abriram, como Star Trek, Stargate, Farscape e tantos outros. Adoro ler ficção científica, assistir seriados de TV e jogar jogos de tabuleiro.

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  • Katia

    Adorei o texto! Amo jogos de tabuleiro e fiquei muito feliz quando a minha mais velha, agora com 8 anos, começou a ter entendimento para jogar. Vou amar acompanhar seus posts.
    Gosto muito de ir a locais de jogos o de da pra conhecer, jogar, experiemntar vários jogos como a Ludos e a fun box aqui em São Paulo

    • Mariana Gamberger

      Que bom que você gostou, Katia! Vou adorar escrever aqui!!

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