Maternidade | Mães e pais nerds são mais companheiros dos filhos?

Mães e pais nerds são mais companheiros dos filhos?

Eu acredito que sim. Por trazermos uma bagagem de gostos pessoais que são mais comuns à crianças que adultos, nós nerds, quando nos tornamos pais e mães acabamos socializando mais com nossos filhos. E isso é importante demais! Por quê?

Você, mãe geek – aposto que você assiste ou ao menos sabe de tudo o que seu filho assiste (ou joga, ou lê), não é? Ou seja, você conhece o seu geekling e você controla melhor as coisas que podem influenciá-lo. Hoje, com a mídia feroz que faz de tudo pra vender, é muito importante que a gente fique de olho e saiba sim o que nosso filhos estão vendo na TV, nos videogames, nas revistinhas e nos brinquedos.

Outra coisa que me ocorreu: por convivermos mais com o mundo dor personagens de ficção acabamos nos tornando feministas sem saber. Afinal, toda gamer se questiona e briga por personagens menos sexualizadas, toda fã de série fica indignada com cenas que promovem violência contra mulher (vide Game of Thrones) e vibram com as mulheres fortes que nos representam (de novo, vide GoT)…

Vou usar um exemplo aqui pra provar meu ponto. Este caso foi real e presenciado por mim:

Estávamos (eu, marido, bebê) como de costume na loja de jogos e colecionáveis onde amigos nossos trabalham, e nosso amigo atendia clientes. Eram o pai, a mãe e a filha de cerca de 7-8 anos. Ela queria um chaveiro no Minecraft. Na verdade ela estava empolgadíssima com o chaveiro, gente. Dava pulinhos de alegria e dizia “Ai que emoção, abre pra mim pai, eu tô nervosa!”

minecraft2

Acho que vocês devem conhecer esses chaveiros, são de plástico e vem numa embalagem preta, portanto é surpresa pra quem compra. O nosso amigo avisou que se ela não gostasse poderia trocar por um dos outros dois que já estavam abertos (uma vaca e uma ovelha rosa). Enfim, abriu-se a embalagem e a menina fica felicíssima com uma picareta. Os pais olham estarrecidos e a mãe logo de cara fala que aquele é horrível, que não vale o preço pago. “Olha a ovelhinha rosa filha, mais bonita, de menina.” Depois de um bate boca intenso a menina cede e leva… a vaca. A mãe vai embora decepcionada murmurando que a ovelha é a mais fofa, etc, e fecham os pais com a frase “É o primeiro e último!”

Gente. Me digam vocês que jogam Minecraft: O mais legal não é a picareta? O preço é salgado? É. Mais não é simplesmente um chaveiro. É um colecionável. E por que continuar nessa lenga-lenga de que as coisas de menina tem que ser cor-de-rosa? Eu revirei intensamente meus olhos vendo aquela cena. Nós mães de meninas temos que brigar pela igualdade e não pela segregação dos gêneros!

Além disso, eu fico refletindo, essa mãe não se importou com aquilo que deveria ser o mais importante: o gosto da criança. A filha dela ama videogames e adorou a picareta. Se ela achou caro, poderia simplesmente dizer educadamente pra filha que infelizmente não compraria mais daquele brinquedo pois o valor não condiz com a qualidade.

Eu, por manjar mais dos paranauês nerdísticos, teria falado pra minha filha que em vez de gastar 40 reais no chaveiro do minecraft, que poderíamos juntar dinheiro mais um mês e teríamos como comprar a boneca POP! da Astrid, ou juntando três meses poderíamos ter o cofre do Obi-Wan! Além de você oferecer mais possibilidades para a criança, ainda ensina o valor das coisas, como podemos juntar para ter algo mais legal, etc.

Longe de mim julgar essa mãe. Queria eu ser menos introspectiva pra poder na hora ter entrado na conversa e quem sabe convencê-la de que a filha dela pode gostar do que quiser. Acho que aí está um defeito que a maioria de nós nerds tem: somos introspectivos. Talvez seja algo natural, talvez uma condição forçada pelo bullying ou pela solidão, mas é ou não é verdade?

E vocês, o que acham, afinal nós nerds somos ou não somos mais companheiros dos nossos filhos?

Thiciana Mandú

Thiciana tem 29 e é estilista, fotógrafa e ilustradora. Como boa Corvinal, adora livros e devora desde romances a obras históricas. É mãe da Ramona (2 anos) e pretende ensinar a pequena nos caminhos da Força desde já. Entre Star Wars e Star Trek ama ambos, mas prefere Stargate. Ilustra desde 2012 um monte de nerdices e fofurices. Queria ser mais ativista de causas femininas e maternas, mas sua natureza hobbit faz com que troque tudo por um bom chá da tarde. No RPG ou é druida/clériga ou malkaviana. Seu sonho? Morar num lugar frio. Tipo Nárnia.

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  • Denise

    Meu marido e eu acompanhamos tudo com o Felipe! Assistimos junto, jogamos junto… AMO Hora de Aventura, Mundo de Gumball, Phineas & Ferb. Já amei Backyardigans, Ben 10… As vezes ele deixa de curtir e eu continuo gostando!
    Já apresentei Goonies, Mágico de Oz, Indiana Jones, Jetsons. Só o Minecraft que eu não jogo, meu marido que joga… Não é meu tipo de jogo. O que jogo com o Felipe é Lego Harry Potter, Star Wars, Rayman Legends, Pupeteer.
    Adoro dividir isso com meu filho, ver que já compartilhamos tantas coisas, apesar de ele ter 6 anos ainda. E ele curte MESMO. Ano passado fomos na CCXP. Ele já está pensando qual fantasia vai usar na desse ano!
    Acredito que somos, sim, mais companheiros!

  • Daniela Bandeira

    Uma das maiores delícias de sermos nerd E mãe/pai é poder compartilhar as coisas que gostamos com nossos filhos!
    Também acho que isso ajuda a termos um relacionamento mais próximo com eles =)

  • Renata Falzoni

    Concordo demais com teu texto Thiciana, eu nunca perdi o amor por desenhos e conheci melhor anime e games online qdo consegui ter net em casa!!! Minha filha de 1 ano e 9 meses, sempre quer jogar cmg, e desenhos é com ela mesma, gosta demais e eu sempre vejo com ela!!! kkkkkkkkkk