Master System | A protagonista feminina de Phantasy Star que roubou meu coração

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Definitivamente eu não posso me considerar uma “gamer” hoje em dia. Mas já fui, quando criança. Meu Master System foi o brinquedo favorito lá de casa por vários anos e eu gastei muitas horas da minha pré-adolescência nos mais variados tipos de jogos. O meu favorito de todo os tempos, porém, era um RPG japonês: Phantasy Star, da SEGA. O motivo? Podem apostar que o mais forte deles era a protagonista da história, Alis Landale, ou se preferir no original: Arisa Randīru.

Sim, uma menina protagonista de um jogo no estilo RPG japonês lá dos anos 90 (o jogo é de 1987/88, mas só chegou por aqui em 1991 e eu tive contato com ele em 1992). Era algo tão inusitado que quando vi a capa daquele jogo na locadora (sim, locadora, sou uma pessoa idosa!) do alto dos meus 13 anos de idade, eu TIVE que alugar esse cartucho na mesma hora. Eu já tinha jogado RPG de mesa, e de repente me deparava com um game nesse estilo, com uma heroína menina, como eu, que estava ali na capa, de espada em punho e escudo na mão! Uau!

Nessa época, quando alugávamos uma fita recebíamos junto o manual do jogo. Me lembro de me espantar com o tamanho do manual de Phantasy Star – era pelo menos o triplo dos outros! Logo descobri que jogar esse game não se resumia a pular, socar e andar para a direita. Haviam – vários – fatores diferentes envolvidos. Afinal, era um RPG.

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E não era só o manual que era maior do que os outros. Além de ser praticamente impossível de encontrar a “fita” para alugar – muitas vezes eu tinha que deixar reservado ou emendar um aluguel no outro – quando a encontrávamos em lojas, para vender, ela era muito cara! Não faço ideia do que significaria em valores atuais, mas procurando sobre o jogo na internet descobri que, nos Estados Unidos, na época em que foi lançado, Phantasy Star chegou a custar US$ 69,00, o que fazia dele o jogo de videogame mais caro da época.

Tanto é que eu nunca consegui comprar Phantasy Star. Muitos anos depois, já adulta, um amigo me emprestou – e depois acabou me dando de presente (beijos, Erick! <3) vários jogos de Master e, entre eles, lá estava o meu queridinho. Infelizmente não está mais na caixa, mas o manual está inteirinho! Sim, eu tenho meu Master System III e todos os meus jogos até hoje, e eles funcionam perfeitamente!

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A câmera do meu celular está péssima, mas aí estão as minhas relíquias queridas!

Phantasy foi o primeiro jogo com o qual eu tive contato que salvava as suas jogadas, ou seja, era um alívio para aquela época desesperadora em que uma sequencia de erros em qualquer fase fazia você ter que voltar ao começo, sem choro.  Claro que não eram só flores, não rolava salvar o jogo no meio da batalha, então, perder a vida em um confronto com alguma criatura era normal. Geralmente no meio do deserto/floresta a sua vida começava a acabar e você começava a voltar pra tentar se recuperar, mas encontrava um maldito de um monstro pelo caminho e sem conseguir escapar! Isso irritava, atrasava e prejudicava um pouco, mas nada comparável a ter que jogar todas as fases de Castle of Illusion desde o comecinho! rs

Uma grande facilidade é que o jogo era em português, o que ajudava muito a minha vida de pessoa que só estudava um pouquinho de inglês na escola de forma bem meia-boca e vivia com o dicionário tentando entender outro mini RPGzinho (nem sei se dá pra chamar assim), o Alex Kidd High Tech World.

Adorava o grupo de personagens que a heroína vai encontrando no decorrer da narrativa, composto pela minha querida Alis, o gatinho (na verdade um alienígena que fala e tal, mas pra mim sempre será um gatinho) Myau, o guerreiro Odin – que Alis e Myau salvam de passar o resto da eternidade como uma estátua de pedra – e o mago Noah, o último a se juntar ao grupo. Todos vão ajudar Alis a vingar a morte de seu irmão, Nero, que liderava uma rebelião contra um dos  vilões do jogo, o tirano Lassic.

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Eu nunca curti muito universos e cenários futuristas, mas Phantasy Star misturava elementos como as espadas, os machados, as criaturas da mitologia e a magia com as pistolas, os robôs e as naves espaciais. Além da heroína ser uma menina mais ou menos da minha idade na época (Alis tem 15 anos, eu tinha 13 quando jogava), a liberdade de jogo me encantava. Na época, poder circular pelo cenário e explorar tudo era uma revolução, ainda mais com gráficos tão legais e bonitos – veja aqui a diferença entre Phantasy e jogos como Dragon Quest e Final Fantasy I. Também curtia a possibilidade de conversar com os NPCs (e até com alguns monstros – existia essa opção na hora da batalha), de completar missões, buscar itens e enfrentar as criaturas.

As dungeons (que eu chamava de labirintos) em primeira pessoa de Phantasy Star eram outra coisa que eu nunca tinha visto na vida! Muitas vezes tive que desenhar mapas a mão nos meus cadernos de escola pra não me perder dentro delas. Não tinha youtuber fazendo gameplay não, manolo! Nem internet pra procurar o que fazer. No máximo algum colega que também jogasse o jogo ou algumas revistas especializadas (que, confesso, eu nunca comprei). O negócio lá em casa era na raça e no suor, mesmo.

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Tudo isso era muito, muito legal, mas o mais importante mesmo para mim era poder jogar com a Alis. Não por acaso, uma das principais designers de Phantasy Star é também uma mulher, a japonesa Rieko Kodama (claro, porque quando mulheres produzem, é muito mais fácil que nós estejamos também representadas nos seus trabalhos).  Kodama foi responsável pela criação de todos os desenhos de personagens, mapas e cenários de Phantasy Star, e também foi a designer de outro dos meus jogos favoritos de Master System: Alex Kidd in Miracle World. Ela trabalhou em Phantasy Star junto do designer de games Yuji Naka, que alguns anos depois criaria o Sonic. Nos créditos do jogo, porém, ela assina com o pseudônimo Phoenix Rie e Naka como Muuu Yuji.

Phantasy Star gerou uma série de outros games, como os jogos da chamada “série clássica”, lançados pela SEGA para Mega Drive em 89, 90 e 94, e depois vários jogos de nova geração para Xbox, PC, Playstation 2, Xbox 360, PSP e Nintendo DS, entre outros. Também há spin-offs,  jogos que fazem referência à série clássica, remakes e até fangames. A lista completa você pode encontrar no site A Gazeta de Algol, um site brasileiro completíssimo voltado aos fãs da série (esse mundo nerd não é maravilhoso?).

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Cosplay brasileiro de Alis, de Phantasy Star, retirado do site “A Gazeta de Algol”

E aí? Fãs de Phantasy Star, de Master System e de jogos 8-bits em geral, por favor, apresentem-se! Quais as protagonistas femininas que roubaram seus corações também? O que vocês sentem mais falta de jogar? Quem aí tem Master System e Mega Drive ainda na ativa?

 

Kathy

Kathy

Jornalista, sonserina, lannister, malkaviana, dobradora do reino da Terra, distrito 3. Transmito o legado nerd ao meu rebento, Samuel, que, pobrezinho, já reclama que ninguém da escola sabe quem é Sauron e nem fazem ideia do que significa conjurar um patrono.
Kathy

Talvez você goste de:

  • Eu li, postei que era história da minha vida, mas tinha um hidratante no cabelo pra tirar e deixei pra elaborar depois, mas… sério. Só não posso repetir palavra por palavra por dois motivos:
    1) eu tinha 7 anos
    2) antes de alugar PS, tinha jogado um singelo adventure/ARPG que me introduziu ao mundo de labirinto de primeira pessoa: Golvelius. Se não me falha a memória ele data de 86 no Japão (pode falhar, essa foi sem google)

    Mas de resto, concordo inclusive com a extrema chatice (recompensante) de jogar Castle of Illusion. Meu primeiro game da Sega, aliás. E sim, pra mim o Myau sempre será o gato falante também. Nada mais legal que um jogo que me trazia um desafio mental pela primeira vez e eu podia jogar com uma menina guerreira e um gato falante numa cidade com casinhas redondas de metal.

    • Aurea Gil

      Que legal, Fernanda! Estou feliz por encontrar mais fãs de Phantasy por aqui! E as casinhas redondas eram legais demais! Não conheço Golveluis, vou dar uma procurada. Obrigada, beijão!

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  • Fabio Marques Santana

    Esse é um jogo que merecia um remake. Mais do que qualquer VII da vida.

    • Vitor Urubatan

      Rsss eu já iria curtir muito o remake do 6.
      Tem personagens fantásticos lá também.

  • Vitor Urubatan

    Cara eu sempre curti muito protagonista feminina forte. Não aquela que age como um homem. Mas aquela personagem que supera as diferenças mostrando o quanto é forte (Não necessariamente fisicamente).

    Entre as minhas personagens favoritas se encontram:

    Terra Bramford – De final fantasy 6, que a principio é uma personagem muito perdida na história, mas aos poucos ela vai tomando seu espaço com o enrendo da história, fazendo você querer saber mais sobre seus objetivos.

    Celes Chere – Também de final fantasy 6, tem uma história mega triste, mas com o passar do jogo ela me conquistou por superar todos seus traumas. É um personagem sensível e muito cativante.

    Rena – Do jogo Star Ocean Second Story. No inicio do jogo você pode escolher entre ela e o Claude. Eu sempre escolhia para jogar com ela, pois o outro personagem que já tinha aquela ideia de ser o herói e talz. Então curtia mais a visão da personagem que era diferente. Apesar de ser uma personagem voltada para cura, na história mesma toma decisões que impactam ao longo do enredo. Tornando-se o foco de todos os acontecimentos.

    Aya Brea – De Parasite Eve, pow cara eu adoro essa personagem. Pois ao longo dos anos meio que fui crescendo junto as histórias. O jogo do Parasite Eve não tem tanta história. Apesar do jogo ser RPG ele tem muitos elementos de filme de ação e tudo mais. Mas eu gosto da personagem por ela ser corajosa, ter atitude ao longo de seus jogos. Mesmo no último jogo a personagem consegue mostrar o quanto foda ela é… Mas ai não quero dar spoilers.

    Miang – De Xenogears, é umas das antagonistas mais maneiras do jogo de RPG que mais gosto entre todos. A personagem junto ao enredo dessa história é muito complexo. Pois durante boa parte da trama não é possível saber o que ela realmente é ou o que ela realmente quer.

    Bom tem muito mais, mas vou ficar que nem bobo aqui escrevendo rsss.
    Mas legal o texto Kathy.