Games | Menina de 12 anos prova o machismo na indústria e desenvolvedores se dizem “envergonhados”

Com a migração cada vez maior dos jogadores para plataformas móveis, como tablets e celulares, o inegável sucesso dos jogos free to play – jogos nos quais os jogadores têm acesso a boa parte do conteúdo de graça, mas precisa realizar microtransações dentro do jogo para desbloquear conteúdo adicional (o que pode ser frustrante) – fez com que Madeline Messer, uma menina de 12 anos, percebesse uma tendência mais do que problemática em games.

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Fã do jogo Temple Run, cujo público é composto 60% pelo gênero feminino, Maddie diz, em seu artigo para o Washington Post, que elas e suas amigas costumam passar noites jogando lado-a-lado, e que um dia notou que sua amiga estava jogando com um personagem masculino e não havia a opção de mudar isso.

“Depois disso, comecei a prestar atenção em outros aplicativos que minhas amigas e eu estávamos jogando. Eu vi que muitos deles tinham personagens masculinos e se as personagens femininas existissem, você precisaria pagar por elas.” Com o apoio dos pais, ela começou a pesquisar e anotar suas impressões sobre os top 50 jogos endless runner (jogos como Subway Surfers e Temple Run).DATA-FROM-MADDIE-300x154

O resultado está no título de seu artigo: “Sou uma menina de 12 anos. Por que os personagens nos meus apps não se parecem comigo?” De fato, Maddie percebeu que de 82% dos jogos que tinham personagens com gênero identificável (os outros 18% tinham gatos, macacos ou batatas), 98% deles oferenciam personagens masculinos, o que seria perfeitamente aceitável se fosse equivalente, porém só 46% (23 jogos) ofereciam personagens femininas, sendo que em só 15% deles, elas eram oferecidas sem custo.

O preço médio calculado por Maddie para desbloquear as personagens femininas é de $7.53 dólares que, convenhamos, é bem alto. O próprio Temple Run, cujo protagonista padrão é um homem branco chamado Guy (homem, em inglês), tem uma vertente (Oz) na qual a protagonista feminina chega a custar $29.97! Ela continua: “Essa desigualdade afeta meninas como eu. A falta de personagens femininas implica que meninas não são iguais aos meninos e elas não merecem personagens que se pareçam com elas. Eu sou uma menina, eu prefiro ser uma menina nesses jogos. Eu não quero pagar para ser uma menina.”

Após a publicação de seu artigo, os argumentos de Maddie foram ouvidos pelos desenvolvedores de jogos, inclusive do Temple Run, Natalia Luckyanova, que é  mulher. A explicação dada por eles foi que como a maioria dos jogadores é composta por meninas, colocar um preço nas personagens femininas era a melhor forma de ganhar dinheiro. Mas Luckyanova disse que foi embaraçoso ler aquilo: “Apesar das nossas boas intenções, apesar das minhas boas intenções, a verdade é que você começa com um personagem masculino… O homem branco é sempre o padrão, e qualquer outra coisa você tem que se esforçar para ser.”

Soa como uma metáfora para a vida, não? Mas como jogos são mais fáceis de serem mudados do que a sociedade, Temple Run irá ganhar uma personagem feminina gratuita. Os desenvolvedores entraram em contato com Maddie para dizer que ela estava certa, e a Disney irá abaixar o preço da personagem feminina do Temple Run: Oz. E para coroar, o jogo irá ganhar uma nova personagem. Seu nome?

Maddie.

Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café

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