Meu estilo de maternar: radicalmente no meio-termo!

 

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Toda vez que alguém me chama de radical eu respondo, invariavelmente: “Nossa, se você me acha assim, deveria conhecer as minhas amigas.” É que o meu “estilo de maternagem” (se é que esse termo existe), apesar de meio diferente do habitual, é um caminho do meio-termo. E não venha me falar que é o caminho de cima do muro, porque não é! Ah, mas não é mesmo!

Minhas escolhas são conscientes e coerentes com meus valores, meus gostos pessoais, minha forma de enxergar o mundo e as minhas vivências. Tudo isso misturado também ao aprendizado diário com a forma do meu filho ver as coisas, o respeito pelos gostos e preferências dele. Ah, é! Bom senso, também! Importante.

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Sai do muro, minha filha!

Vale dizer que (surpresa!) eu e meu filho somos seres humanos e, exatamente por isso, estamos sujeitos a mudanças. Muitas coisas eu revi, repensei e mudei. Em outras, me certifiquei que estava seguindo o caminho certo. Tem algumas coisas em que eu ainda oscilo, de acordo com o vento, e isso é muito legal também porque rigidez não é a minha praia. Samuel tem oito anos e é pura vivência, aprendizado, tentativas e erros. Todos os dias ele aprende uma coisa nova, e eu vou junto. Que bom!

Em certas coisas pareço mesmo radical. Uma delas é que eu não admito preconceito. Mentira. Mal escrevo e já encontro a contradição, que é o fato de eu mesma ter dois preconceitos gigantescos: com qualquer tipo de fanatismo religioso (toc, toc, toc), e com gente que não se permite enxergar além de seu próprio umbigo e que, por isso mesmo, se recusa a perceber a incrível diversidade do nosso mundo. Sou preconceituosa também, percebem? Meio termo.

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Também sou conhecida como “radical defensora da maternagem por apego”. É um fato, dou muto colo, dou atenção, amor até demais, estou sempre por perto, completamente alheia às eternas críticas de que estou mimando ou super protegendo minha cria. Sou partidária da amamentação prolongada, da cama compartilhada, do parto natural e de todos esses etcéteras desse pacote da maternidade ativa.

E cadê contradição? Sou favorável ao parto natural, mas não sou natureba. Nem me venha com fraldas de pano e absorvente não descartável porque eles não cabem no meu mundo. Praticidade, por favor. Em segundo, sou a pessoa mais urbana desse mundo. Separo meu lixinho, mas não consigo ficar lendo rótulos e buscando tudo do mais ecológico possível, do fornecedor mais isento. Tenho preguiça, me julguem.

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Nossas mamães são radicais mesmo, e daí? 🙂

Também não sou nem de longe o tipo abraça-árvore-canta-pra-lua-de-saia-hippie-mentalizando-a-luz-violeta-curadora. Não falo “gratidão”, prefiro o muito obrigada mesmo. Tenho sono na yoga e não consigo meditar, embora tente, vez ou outra. Mas tomo os meus floraizinhos, pero que las hay, las hay. Tomo cerveja e coca-zero (por gosto, não por desejo de emagrecer), uso desodorante spray, adoro açúcar branco e leite condensado e como morango E tomates não orgânicos. Ohhhhhh!!! Azíndias tremem!

Outra radicalidade que venho descobrindo a pouco tempo é na questão escola. Sou a cada dia mais adepta de uma forma de aprendizagem mais natural, intuitiva e que respeite os interesses, a curiosidade e o desenvolvimento de cada criança.

Acho um absurdo gigantesco essas escolas que tratam os estudantes não como indivíduos, mas como uma grande massa acéfala e sem opinião. Também me apavoro com o tal ensino apostilado, cheio de provas e avaliações e  no aprendizado voltado para o vestibular desde os 6 anos de idade. Mas, ainda assim, não tô preparada pra desescolarizar. Não é pra mim, preciso ainda de uma instituição organizada me amparando, e tudo ok! Meio termo, gente!

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Tem a questão da alimentação também, um grande desafio. Comer saudavelmente, para mim, é uma batalha. Aprender a ser mais saudável, a comer melhor, a cozinhar mais e com mais qualidade, a planejar compras e cardápios, é algo que para mim é aprendizado diário. Meu filho come melhor do que eu, e sempre foi assim, e com ele aprendo a fazer escolhas melhores todos os dias. Mas continuo comendo um chocolatinho de vez em sempre. Lembram da coca zero que falei lá em cima? Do tomate? Então…

Ainda assim, adoro coisinhas integrais, saladinha, frutas, da mesma forma que amo comidinhas num esquema mais “confort food”, dessas beeeeem calóricas. Aliás, sendo mais uma vez deveras contraditória, sou super carnívora. Amo carne vermelha, adoroooooooo comer churrasco. Apesar disso, defendo os animais, ajudo ONGs que protegem bichinhos abandonados, resgato gatinhos de rua, e tenho três filhos felinos, além do meu filhote humano.

Meu envolvimento e minha paixão pela cultura pop, o mundo nerd, um mundo de consumo desenfreado, de exposição das crianças às propagandas, um mundo de ostentação e de dinheiro, é outra contradição.

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Ao mesmo tempo que me divirto, acompanho, sou fã, compro as coisas que eu gosto, coleciono e tenho – vejam só – até um blog sobre isso, ainda esbarro no fato de que tenho que ensinar ao meu filho diariamente que o SER é muito mais importante do que o TER. Mas o fato é que eu mesma esqueço às vezes e fico planejando guardar uma grana pra viajar pra Disney e ir tomar uma cerveja amanteigada lá no parque do Harry Potter. É contraditório, mas para mim funciona.

Daí que se num belo dia você me encontrar com meu filho num desses cinemas de shopping, pipoca cheia de manteiga e sal numa mão, balde de refrigerante na outra, nós dois usando camisetas com referências pop, prestes a assistirmos juntos o novo blockbuster da semana, fica sussa.

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Porque apesar do meu jeitinho nerd/junkie/rock and roll eu certamente vou adorar poder discorrer contigo sobre todos os temas da maternagem ativa, por apego, consciente e sem preconceitos, sobre novas perspectivas escolares, não consumismo, não-violência, parto natural, amamentação, gratidão e coisa e tal, igualzinho as minhas amigas radicais.

Igualzinho, só que diferente. Do meu jeito. E você, também materna de um jeitinho radical meio-termo? Me abraça? 😀

Kathy

Kathy

Jornalista, sonserina, lannister, malkaviana, dobradora do reino da Terra, distrito 3. Transmito o legado nerd ao meu rebento, Samuel, que, pobrezinho, já reclama que ninguém da escola sabe quem é Sauron e nem fazem ideia do que significa conjurar um patrono.
Kathy

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  • Radical meio-termo! Perfeito! Me identifiquei muito com seu texto! *abraça*

    Apanho para comer mais saudável porque sou uma formiguinha, tenho que melhorar na parte sustentável (orgânicos, menos carne, absorventes e fralda de pano) mas tenho me esforçado para fazer mais comida de verdade em casa, incentivar o filho a brincar com recicláveis, dar uma consciência financeira pra ele comprando brinquedos desses feriados consumistas com o dinheiro que ele juntou no cofrinho, e por aí vai ^^”
    Ainda não me aprofundei nessa parte de desescolarização.. apesar de fazer sentido, também me sinto dependente do sistema. Mas como o meu ainda tem 4, o que faço é não obrigá-lo a aprender nada antes da hora, essas coisas.

    A parte nerd/consumista é a mais difícil, já que eu mesma quero colecionar mil coisas rsrs
    Mas a parte de viajar eu discordo. Aprende-se tanto numa viagem (mesmo que para um parque temático, dentro e fora dali vc tem oportunidade de conhecer cultura nova, novos costumes, etc) que não vejo como consumismo puro. Seria se vc chegasse lá e comprasse todos os itens da lojinha xD
    Mas viajar é tão bom! Adoro conhecer lugares novos com meu filhote ♥

    • Kathy

      Bate aqui, Dani! -O/
      Ah, mas não me entenda mal, eu não acho que viagem seja consumismo puro. O que me incomoda é que é tudo tão absurdamente caro, que vira sim ostentação. Mas também amo e viajaremos sempre que eu puder! 🙂

      beijo, querida! Obrigada!

      • Nossa, Kathy, mas viajar para o Brasil tá tão caro que dependendo da promoção sai mais barato viajar pra fora mesmo! Tem “cara” de ostentação, mas na verdade é mais barato xD

        Beijos

        • Kathy

          Sim, mas eu estou falando dentro do Brasil e fora também. A Disney foi só um exemplo, mas acho sempre tudo muito caro! beijos!

  • Lúcia

    Aiiii um forte abraço radical meio-termo!!!!!! Me encontrei no seu post.

    Muito apego, amor à creche (sim, minha bebê tem 9 meses e ela ama e eu também), implicância com o ensino tradicional e vestibulinhos da vida, muito mamá até quando ela quiser, fralda só da descartável, por aqui é “muito obrigada” que eu só fui ouvir essa coisa de gratidão faz pouco tempo e achei estranhíssima. Etc etc etc e também quero levar minha bebê pra Disney quando crescer um pouco, mas espero não ter que levar no salão das princesas. Mas se ela quiser, fazer o que????

    Vamos abraçar nossas contradições, porque coerência demais chega a ser chato!

    Beijos de uma mãe nerd

    • Kathy

      Oba, Lucia! Obrigada pelo carinho e pelo abraço!

  • krismetello

    Por isso que eu te amo há tanto tempo <3

    • Kathy

      Nhoimmmmm…. Viva o amooooooorrr!!

      ps: perdeu, playboy! :p

  • Tassiana Bach

    Adorei esse termo! Sou meio termo praticamente nos mesmo pontos que os teus. A fralda de pano eu usei, mas quando o guri tava maiorzinho. Mas a parte do consumo é beeeeeem difícil pra mim! Sou muito impulsiva! Fazem uns 8 anos que não jogo RPG, e comprei um conjunto de dados D20 esses dias, não me pergunte pra quê! rsrsrsrsrsrs

    • Kathy

      Nem me fale, Tassiana. Também não jogo faz um tempão e tenho mais de 50 livros de RPG! E vivo comprando outros, socorro! hahahahahaah abração!

  • Andreza Angélica

    É exatamente assim que me sinto, um exemplo clássico das minhas contradições é que mesmo considerando que luto contra o consumismo e sendo feminista, e mae de duas meninas, se passo em frente a seção de roupas infantis e vejo lá aqueles vestidos lindos ao melhor estilo “princesinha” é claro que me encanto, e já caí na tentação algumas vezes é claro kkkk..
    Mas eu acho que meio termo e ponderação deveriam ser sinônimos de maternidade porque afinal de contas nenhum extremismo pode ser saudável…
    Quanto a questão da escola eu acho esse um tema muito bacana, porque assim como vc não concordo 100% com o metodo convencional mas não me sinto apta a assumir essa responsabilidade sozinha… Uma alternativa muito bacana que eu encontrei enquanto pesquisava sobre isso foi a pedagogia Aldorf porque justamente respeita esse tempo da criança e estimula a criança a descobrir e se desenvolver como ser humano (talvez vc já conheça, mas se não vale apena dar uma pesquisada), o grande problema é que existem poucas escolas com esse sistema no Brasil, não tao poucas que seja difícil achar, mas na minha cidade não tem e por isso mesmo estou estudando a possibilidade de me mudar assim que terminar a faculdade… Mas enfim são coisas da maternidade isso de querer só o melhor para os filhos Hahaha..
    Parabéns pelo post e espero que tenha servido a algo o comentário. Bjs

    • Andreza Angélica

      Peco perdão pelo descuido (é que escrevi do celular) mas o nome do método de ensino é Waldorf

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