Blog | Papéis de gênero e fantasias

Ben ballet

 

A gente tá sempre postando lá na fanpage fotos de meninas vestidas de super-heróis tradicionalmente masculinos e achando a coisa mais fofa do mundo. Quem não se derrete por um Iron Man de tutu, ou um Batman de bolsa e maria-chiquinha? Estamos sempre incentivando nossas filhas a irem além dos papéis esperados e desafiar o socialmente imposto, e na falta de super-heroínas mainstream, resta a elas explorarem os heróis masculinos. E arrasarem fazendo isso.

Mas… e quando é o oposto? E quando são nossos filhos que querem romper com o papel de gênero e se vestirem de fada, de Daphne, ou serem chamados de Marina? Nas raras vezes em que a) eles não são impedidos de fazê-lo e b) a família não apenas apoia, mas fala publicamente sobre isso, todos são cobertos de louros por deixá-los se expressar livremente, por não ter medo do que os outros vão pensar e falar, e etc.

Medo de que? De que isso seja um sinal de homossexualidade? De que permitir isso fará com que eles virem homossexuais? De que eles sejam eternamente assombrados por isso? Mas por que raios louvamos as meninas que se vestem de super-heróis e somos condescendentemente toleráveis com meninos que façam exatamente a mesma coisa?

Porque super-heróis, e outros personagens masculinos, representam força, coragem e atributos geralmente associados à masculinidade. Sempre positivos. Quando um menino assume um papel tradicionalmente feminino, parece negar essas qualidades viris. Mas não seria isso também uma forma de lutar contra o machismo? Se exaltarmos as características ligadas à mulher, elas deixarão de ser negativas e provavelmente também deixarão de ser associadas unicamente à mulher. E que maneira melhor de fazer isso do que através da fantasia?

No entanto, crianças não estão essencialmente pensando isso quando se vestem de fada ou de super-herói. E no fim das contas, nós também não deveríamos. O que para nós é um desafio ao patriarcado, para eles é somente um desejo de voar.

E quem somos nós para podá-los?

Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café

Talvez você goste de: