Pedagogia | Waldorf X Nerd: A Batalha Final

No episódio dos Simpsons exibido semana passada nos Estados Unidos, Lisa faz uma transformação na escola dela, trazendo a pedagogia Waldorf para substituir o modelo antigo depois de uma queda no sistema de tecnologia.

Pedagogia Waldorf. Onde ela vive? O que ela come? É o que vocês vão ver aqui, nesse post do Pac Mãe.

Tudo começou com o filósofo austríaco Rudolf Steiner, nascido em 1861. Ele criou a Antroposofia, uma filosofia que inclui várias práticas científicas e espirituais. Saiba mais sobre a história da Antroposofia aqui . Ele já tinha desenvolvido uma Medicina Antroposófica, uma agricultura Antroposófica (a agricultura biodinâmica. Quem compra produto orgânico já deve ter visto aquele selo verdinho no rótulo, já vi muito em vinhos), até uma arquitetura antroposófica.

Rudolf Steiner

E aí que um belo dia, lá pra 1919, o dono de uma fábrica de cigarros (!!!!) alemã chamada Waldorf-Astoria (daí o nome), pediu para que Steiner desenvolvesse uma escola para os filhos dos funcionários. O trabalho pegou, e hoje em dia, existem mais de 1000 escolas Waldorf espalhadas pelo mundo.

Não se enganem, os princípios da pedagogia são holísticos e espirituais mesmo. Vejo muita gente querendo escola Waldorf porque é alternativo e tal, mas são pessoas que não curtem esse lance de vida pós a morte. Essa escola não é para você. Procure uma escola democrática, por exemplo. A pedagogia Waldorf se baseia no desenvolvimento humano, onde a criança é meio que dividida pelos setênios, e cada setênio deve ser tratado de uma maneira diferente.

No primeiro setênio, a criança fica no jardim de infância e sua única preocupação é brincar. Nada de aprendizado formal precoce, as crianças aprendem através dos contos de fadas, desenvolvem sua coordenação motora através de brincadeiras e trabalhos manuais. Nem pensar em pegar em lápis ainda. Elas fazem pão, bordam, pintam e aprendem tricô de dedo. E têm tempo de ser crianças.

11-Ashwood

Com sete anos, já vão para o primeiro ano, onde tudo muda. Não chamam mais a professora de Tia, é a Dona Fulana, sentam cada um em sua carteira, já podem pegar no lápis e aprender a ler e escrever. Mas tudo é feito a seu tempo, sem apressar e atropelar. Toda a matéria é dada de uma forma que as crianças vivam aquilo. Até as letras, antes de escritas, são “dançadas”.

A partir daí, o conteúdo é introduzido de maneira totalmente diferente das outras escolas. Eles trabalham com épocas, então os alunos passam uma época completa, tipo um mês, trabalhando só um assunto, ou assuntos ligados entre si. A minha filha por exemplo, está no primeiro ano, então ela passou 2 meses só aprendendo letras, depois colocaram as letras de lado e passaram a aprender os números. Dois meses depois eles voltaram para as letras. É mais ou menos assim é até o colegial, uma imersão na cultura da Grécia antiga, no Egito, ou seja qual for o tema da vez.

class_r

 

Um dos temas mais polêmicos é o mito da proibição da televisão. Acho que é a coisa que mais me perguntam sobre a escola. Primeiro não é uma proibição, é uma recomendação. E são dois os principais pontos: Os efeitos físicos que a televisão causa e o fato da criança ficar limitada no desenvolvimento da imaginação.

Agora vou contar um pouquinho da minha experiência pessoal. Primeiro, eu concordo com os efeitos físicos nocivos da tv. Quantas vezes não fiquei de “ressaca” de tanto assistir. Também já observei que a Alice fica meio “fora do ar” quando passa do ponto na televisão, se eu deixo ver até tarde tem dificuldade pra cair no sono. Mas sou bem contra dizer que ter contatos com personagens acaba com a imaginação. Pra começo de conversa, acredito que a imaginação não tem limite, na minha opinião é dizer que a gente gasta a criatividade. Às vezes um personagem, uma história, é um start em um lance novo. Pegar um personagem e criar uma aventura totalmente diferente (oi fan-fic), no caso das crianças a brincadeira não tem fim.

Acho também que estamos vivendo faz tempo uma escassez de ídolos de carne e osso, e ter modelos para seguir é uma coisa que existe desde sempre. Por que não contar com modelos com quem a criança se identifique e que passem mensagens positivas e construtivas para a formação de sua personalidade?

No meu dia-a-dia já sofri um pouco com isso, levando umas “bronquinhas” da escola, mas acho que cada família funciona de uma maneira e a minha é assim. Eu e minha filha de 7 anos assistimos Doctor Who juntas e sonhamos com aventuras através do tempo e espaço. Já pensou visitar Paris de 1900?

E por que você coloca a sua filha numa Escola Waldorf, se ela tem base em coisas que você não acredita? Porque colocando na balança, a pedagogia me apresenta muito mais vantagens do que problemas, a Alice é a cara da escola e não consigo pensar nela em um sistema diferente. Ela é, inclusive, uma menina imaginativa demais da conta, com personagens da mídia e inventados por sua cabecinha. O que não falta é espaço pra inventar, mesmo tendo assistido My Little Pony trocentas vezes.

No fim, como tudo nesse mundo, o que vale é o equilíbrio. Observar a criança, estar atento aos seus comportamentos, já que às vezes até a gente exagera um pouco a dose na tv, no video-game… #quemnunca 😛

biasiqueira7

Produtora que gosta de cinema, música, quadrinhos, games, livros, esportes e tudo o mais. O negócio é que quando ela gosta de alguma coisa, gosta de verdade! Passa os dias tentando arrumar tempo pra treinar arco e flecha e se manter atualizada nas 765 séries que assiste. Mãe da Alice (8) uma menina criativa, que ama ouvir histórias.

Talvez você goste de: