Pequena Gotham | Convertendo uma fã da Marvel

Lembram quando vocês perguntaram se eu era fã da Marvel ou da DC porque afinal, você só pode gostar de uma das duas e ignorar completamente publicações independentes ou o melhor selo que é a Image Comics? Não lembram? É porque ninguém perguntou e isso é uma falácia. A polarização entre essas duas editoras, apesar de bem antiga, lembra muito a guerrinha dos consoles de videogame/pc gamers e sabem quem sai lucrando com isso? As empresas, que ganham mídia espontânea.

Tipo essa que eu vou fazer agora. Porque mesmo sendo contra a fanboy-war, eu sempre fui mais partidária das HQs da Marvel (tem isso escrito na minha bio ali ao lado), pelo menos as do selo geral. O selo adulto da DC é um favorito de tal forma que eu tenho Os Perpétuos (Sandman) tatuados na perna, com o traço chibi/aquarelado eternizado pela Jill Thompson nos Pequenos Perpétuos.

batman75Eu tenho um lugar especial no coração para personagens estilizados de forma infantil, então quando a Panini nos enviou o release do lançamento de Pequena Gotham, em fevereiro, eu soube na hora que iria gostar. A publicação faz parte dos encadernados lançados pela editora no selo comemorativo do Batman, que completou 75 anos em 2014. Muitas dessas histórias são arcos ou páginas especiais de edições anuais e nunca haviam sido publicados aqui no Brasil, como é o caso de Pequena Gotham (Li’l Gotham).

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O universo de Pequena Gotham foi construído com publicações no Batman Annual desde 2009 e a edição foi montada de acordo com os feriados nos EUA: Ação de Graças, Natal, Ano Novo, Dia dos Namorados, Dia de São Patrício, 5 de Mayo, Dia das Mães e dos Pais, além de dois contos: Pergunta e Resposta e Rally dos Vilões.

Não esperem fidelidade à linha do tempo, todos os personagens convivem ao mesmo tempo e há interações impossíveis de acontecerem em outro universo: se em um conto Bárbara Gordon é mostrada com o o Oráculo e está na cadeira de rodas, em outro ela está como a Batgirl ao lado da Batwoman e da Question. O foco de Pequena Gotham não é uma representação fiel, mas uma interpretação bem-humorada e muito, muito, muito fofa dos personagens e suas personalidades.

Aliás, como eu não sou conhecedora do cânon de Batman, acabava um pouco perdida nos personagens. Reconhecia a maioria, como a Arlequina (<3), Hera Venenosa, Mulher Gato, Coringa, Pinguim, Charada, mas escorreguei na Zatana, Katana, Lady Shiva e na Talia, que aparecem por lá. O que complicou quando fui ler pela primeira vez com meu filho, que queria saber “Quem é esse? O que isso faz? O que são os Poços de Lázaro e porque eles deixam as pessoas malucas?” Obrigada por existir, internet, e permitir que meu filho ainda ache que eu sei tudo sobre tudo.

Falando em filhos, houve uma época em que meus encadernados habitavam a prateleira mais alta, inalcançáveis até para mim, com status de tesouro precioso. Mas com Pequena Gotham eu tive que desapegar um pouco porque meu filho se apaixonou inteiramente. Ele tem 6 anos e está concluindo o processo de alfabetização, então lê sozinho a HQ que se tornou uma de suas leituras favoritas desde que chegou aqui em casa. Ela, inclusive, já se mudou para a estante dele uma vez que ele conhece os personagens melhor do que eu.

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A arte não é tão limpa quanto os quadrinhos voltados para o público infantil: os quadros são desiguais e a narrativa lembra mais uma graphic novel, o que pode se tornar um pouco confuso para pequenos leitores. Benjamin elegeu páginas/personagens favoritos, e se demora horas nos mesmos quadros, como o que Robin está jogando videogame ou quando ele grita “Vamos para a Baita-Caverna!”. Aliás, a tradução está de parabéns, porque Pequena Gotham é recheada de easter eggs e piadas internas que costumam se perder na tradução. Não foi o caso: a HQ é excelente e bem-humorada, com a quantidade exata de sentimentalidade, especialmente na história de Natal com (é claro), o Mr. Freeze.

(Aliás, também recebemos da Panini a Batman Noel, uma adaptação de Um Conto de Natal do Charles Dickens, com Batman no papel de Scrooge. Apesar de parecer inofensiva, essa HQ é voltada para adultos, com uma arte hiperealista que assustou até a mim. Assim que terminar de ler, vou comentar sobre ela lá na comunidade. Vem também!)

No fim das contas, Pequena Gotham é uma excelente publicação para pequenos e grandes leitores, mas é ainda melhor quando compartilhada entre eles. E o melhor é que mesmo com a excelência da publicação (capa dura, miolo couché, qualidade Panini), o preço sugerido é super acessível:

Batman – Pequena Gotham
Li’l Gotham 1-6
Formato 17×26 cm
Capa dura
Miolo couché
Lombada quadrada
128 páginas
R$ 22,90
Distribuição livrarias e bancas

Classificação Indicativa: Livre
Classificação Pac Mãe: A partir dos 8 anos com leitura acompanhada
Opinião Pac Mãe: Linda e divertida, é uma excelente maneira de introduzir o universo Batman para os pequenos (ou não tão pequenos, como é o meu caso.)

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Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café

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