Representatividade | Menina trans se encontra com Laverne Cox

Começamos a semana com a história de uma mãe, que levou sua filha de 7 anos chamada M., para assistir um discurso que Laverne Cox estava dando na prefeitura.

“OITNB não é realmente apropriado para uma criança de 7 anos assistir. Mas eu tinha mostrado uma foto de Laverne para M. na capa de uma revista. De certa forma ela sabia que Laverne era importante e que também era transexual.

Nós chegamos cedo o suficiente para pegar assentos bem na frente, e quando Laverne entrou na sala a multidão enlouqueceu. M, ficou super feliz aplaudindo e batendo palmas.

Acho que M. era uma das únicas crianças na platéia. Mas a mensagem que fica e que ela entendeu é: aqui está alguém que é talentosa, inteligente, famosa, amada por multidões. E ela também é como você.

Um amigo de um amigo disse que conhecia os organizadores do evento e poderia nos encaminhar para a recepção onde Laverne estaria após o discurso. Eu meio que duvidei que ele lembraria de colocar nossos nomes na lista. Assim que M. sentou no meu colo, eu disse que talvez (apenas talvez), ela poderia conhecer Laverne naquela noite.

“Sério?” Ela disse.

Os nossos nomes estavam na lista, mas Laverne ainda não estava lá quando entramos na recepção. M. se posicionou num lugar perto de algumas portas. Tinham várias entradas, pq ela acharia que Cox viria por uma daquelas portas? M. ignorou minha pergunta e ficou sozinha no outro extremo da sala, de costas pra mim.

Ela estava certa, poucos minutos depois, Laverne entrou por aquelas portas e a multidão foi a loucura. Mas dessa vez uma pessoa pequenina em um vestido florido ficou entre ela e a multidão. Olhando em seu rosto, esperando para ser notada.

Laverne acenou para todos, nos agradeceu graciosamente e então olhou aquela garotinha bloqueando o caminho.

“Bem, olá” – disse ela.
“Eu sou M.” – minha filha disse.
Laverne sorriu pra ela: “Olá M.”
“Eu sou trans”, disse M.

Laverne ficou meio perdida, a multidão em volta comentando (“você viu o que aquela menina disse?”). Laverne olhou ao redor da sala e perguntou “Tem alguém com ela?”

Dei um passo pra frente: “Eu sou a mãe dela”. Fiquei totalmente travada e esqueci como um ser humano normal fala. Não tenho ideia do que eu disse.

Mas M. sabia o que fazer. Ela foi direto dar um abraço em Laverne, que agachou-se ao nível dos olhos de M. para conhecê-la. Ouvi o que ela disse à minha filha “Lembre-se querida, ser trans é lindo”.

Obrigado vida.”

Laverne Cox

Agora vamos todos nos abraçar e torcer para que mais casos assim aconteçam <3

Kris

Publicitária, trabalho em ong, 34 com cara de menos. Mãe do Marco de 9 anos. Amo música, livros, show de rock e desenho animado. Desculpa aos novos games, mas ainda prefiro um Super Nintendo.

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      no meu tbém… );

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  • Helen

    Agora estou confusa… achei que eu soubesse o que significa “trans”. O que é/como é uma criança trans? Se alguém puder me explicar, agradeço!

    • Julia

      Nasceu com um sexo biológico mas se reconhece como pertencente ao gênero oposto.

      • Guilherme Faleiros

        qualquer pessoa é trans, isso é uma questão de identidade de genero. e só. o sexo que voce tem nunca vai definir o seu genero, nao tem nada a ver com ele: a sociedade apenas dita que quem nasce com tal orgão sexual é mulher, e quem nasce com o outro é homem. Aliás isso ai é uma definição bem imbecil, mesma coisa que falar : ”tal pessoa tem olhos claros, então gosta de sorvete. e tal pessoa tem olhos escuros então gosta de paçoca.”
        portanto, é irrelevante ser afirmar como uma pessoa transgenera aos dois anos de idade ou aos sessenta, porque isso só define se voce é ”menino” ou ”menina”. não tem NENHUMA relação com sexo

    • Laila

      Helen,

      É isso mesmo que a Julia disse. Há pessoas
      cisgêneras (cis) e transgêneras (trans). Exemplo: uma mulher cisgênera é uma
      mulher que nasceu com vagina/vulva e se expressa socialmente como mulher, é
      decodificada socialmente como mulher por vestir-se/comportar-se/aparentar com
      aquilo que a sociedade define próprios para uma mulher, e reconhece-se como
      mulher, logo, é uma mulher (gênero). No caso em questão, a menininha é
      transgênera: nasceu com pênis, mas não possui expressão de gênero e/ou papel de gênero e/ou
      identidade de gênero em consonância com aquilo que a sociedade espera para
      alguém que nasceu com um pênis e, logo, foi compulsoriamente designada como
      homem. Ou seja, é uma pessoa que apesar de ter um pênis, foge ao conceito de
      homem. Quando puder, assista este vídeo: http://www.youtube.com/embed/yAHCqnux2fk?feature=oembed acho que ele vai
      te ajudar a entender melhor.

      • Solange Maria Jose Ribeiro

        Oi, o vídeo não está disponível. Uma pena.

      • Laila

        Thiago,

        Como assim? Gênero existe desde que o mundo é mundo…

      • Solaris

        Que comentário nada haver ein…#ComentarioRetardado

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  • Laila

    Coisa mais linda! ♥

  • carmem

    A costruçao de uma diva. Lavern cox Em
    alguma ocasioes em que me senti triste por minha condiçao. me lembrei
    que mesmo sem entender bem o que passava ou sem ter dinheiro pra me
    amparar minha mae nao me coibiu foi meio que aprendendo comigo o que
    seria meu universo…

  • Robson Alves

    Eu não imagino o quanto deva ser difícil criar uma filha trans. Tenho uma bebê de três meses em casa e nessa fase, sem manifestar sua sexualidade, já é difícil o bastante. Acho ultra válido que a mãe dessa menina compartilhe os desafios que certamente ela enfrenta no dia a dia. Certamente se minha filha for trans, vou querer buscar outras pessoas que passam pelo mesmo. Não tem nada de forçar a barra aí.

    • Jessica Rodrigues

      Falou tudo Robson Alves, nossa sociedade ainda não sabe como lhe dar com crianças trans, conheceer outras familias que passam pela mesma coisa, e trocar experiencias deve ser de grande ajuda para essas mães, e nada melhor do que ter um blog relatando isso.

      • Mariane Peixoto

        Concordo com os dois, e além disso tudo, representatividade importa: outras mães e mesmo outras crianças precisam ver esse tipo de experiência. Pra buscar força? Óbvio. Mas também para aprender que eles tem direito ao mesmo espaço que todo mundo. Se desde o meio da década de 90 pais do mundo inteiro passam o dia na internet blogando sobre os desafios de trocar uma fralda suja e fazer a cólica ir embora, por que motivos os pais de crianças trans não podem ter um espaço online para falar dos desafios de fazer seus filhos atravessarem esse mundo perverso da melhor forma possível? Cada vez mais a gente tem que deixar as pessoas falarem, falarem sobre o que dói, mas também sobre o que as faz feliz. A maior violência que a hegemonia opera sob as pessoas é o silêncio.

    • Filipe Santos

      Só uma correção: sexualidade=homossexualidade, heterossexualidade, bissexualidade, pansexualidade, etc; identidade de gênero=transexualidade, travestilidade.

    • Vitor Urubatan

      Criar uma criança por si só já é um baita desafio.
      E em casos como esse tenho a impressão de que é a família VS o mundo. E acho que isso é o que nos apavora.
      Eu não sou pai, mas reflito muito sobre a possibilidade de meus futuros filhos terem essa natureza. Certamente é algo que para mim não há problema. Na realidade o que me assusta são as pessoas, o medo que tenho que façam mal a minha filha ou filho independente de qualquer detalhe isso me incomoda muito.

      Até hoje ouço ao meu redor, de pessoas estudadas e esclarecidas (Talvez nem tanto) simplesmente incomodadas com esses casos.

      Adorei seu texto @disqus_sZXRQXyAWY:disqus eu realmente gostaria que pessoas como tu fossem a maioria.

  • Jessica Rodrigues

    Que lindo! representatividade importa <3

    • Kris

      Nós também achamos <3

    • Kristal Metello

      Nós também achamos 🙂

  • Valtencir Moraes

    Bacana.

  • Neko

    Ela tem um blog e participa de grupos voltados ao tema, justamente por existirem diversas outras mães passando pela mesma situação em seus lares, mas que não sabem como agir ou tratar, precisando de apoio e direcionamento.

  • Spencer Quintanilha

    “Ser trans é lindo”

    Você fala que como se expor a criança e o que ela é fosse uma vergonha, uma exposição triste, mas o blog só mostra o orgulho da mãe e a batalha dela pelo bem da família e principalmente de filha. Se hoje usamos a internet pra tanta coisa, e porque não pra expor o bem e ajudar outras mães que podem passar pelo mesmo?

    A menina mesmo tem orgulho de ser trans e isso com certeza pela forma que foi educada.

    Quando se é uma minoria Ana, não se deve ter vergonha 😉 talvez você não entenda isso.

  • Kamilah Makhmalbaf

    Que coisa mais linda gente e que mãe esclarecida. <3

  • Carolina Resende

    sou fã dessa mulher, mal posso acreditar que alguem esta conseguindo quebrar paradigmas como esse.

  • Me desculpem a ignorância, mas em algum lugar dos EUA a cirurgia de mudança de sexo já é permitida em menores? Que estado? É essa a situação da criança? Ela passou pelo procedimento cirúrgico?
    PS.: Estou perguntando realmente por não saber, mas querer entender a situação do ocorrido. Obrigado.

    • Laila

      Rafael,

      Não, ela mto provavelmente não fez a cirurgia corretora. Mas ser trans é exatamente isso: ter um órgão sexual que não condiz com a sua mente/comportamento/aparência. Uma pessoa trans não necessariamente é uma pessoa operada.

    • Rafael, ser trans não quer dizer que a pessoa é obrigada a passar por uma cirurgia de correção de gênero. Muitos trans optam por não se submeter as cirurgias de requalificação sexual por medo das operações que são muito invasivas e tem um pós-operatório muito complicado. Já outros não fazem a cirurgia porque se sentem bem em seus corpos, só não se veem no gênero que a sociedade impôs a eles por causa de seus órgãos genitais.
      Essa menina não é operada, até porque esse tido de operação só é realizada em maiores de idade e é assim em qualquer país.

    • Solaris

      Para ser Trans, não precisa ser operada, se for operada para a ser “Trans Operada”, simples assim.

    • Noelle Duarte

      Nos EUA a criança pode começar a tomar os hormônios com 14, e fazer a mudança quando for legalmente de maior.

  • Alysson

    Mas a m aos sete anos já tem clara certeza do que eh sexualmente falando? Como? Nasceu com órgão feminino ou masculino? Desculpem mas fiquei confuso.

    • Diego Freitas

      Não é, realmente, necessário ser velha para M sentir que quer ser uma menina.

      • Noelle Duarte

        Gênero e sexualidade são diferentes. M nasceu menino, mas se identifica como menina.

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  • Noelle Duarte

    Representatividade importa!

  • Mi Xing

    Malditos ninjas cortadores de cebola, ainda estou no trabalho.

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