Saga | A HQ mais materna de todos os tempos

 

Ah, Saga. Olhe só para isso. A capa de Saga traz uma mulher segurando uma pistola e amamentando um bebê. Ela está amamentando e ainda é incrivelmente sexy e bad-ass. Ressalto ainda que ela não é caucasiana (ela é alienígena, mas vocês me entendem), e ela me empodera enquanto nerd e enquanto mãe. E isso é só a capa. Saga é uma HQ com tantas qualidades e características notáveis que me dá até vergonha de dizer que eu a conheci através do Facebook, e da forma mais curiosa possível. Alguém linkou para um preview e usou palavras irresistíveis para essa Pac Mãe que vos fala:

parto natural alienígena. que legal!

Parto. Natural. Alienígena. Desnecessário dizer que eu cliquei na preview e quando as páginas acabaram, me senti devastada. Saga me fisgou desde o primeiro quadro, e as primeiras páginas foram suficientes para me amarrar inteiramente na história. A sinopse dizia: “Star Wars encontra Game of Thrones” e o que também ajudou bastante a vender. A sinopse, e isso:

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“Estou cagando? Eu sinto como se estivesse cagando!”

Sério. Essa é a primeira página da HQ. Na primeira página da HQ vemos uma das protagonistas, Alana, dando à luz à narradora da história da maneira mais Alana possível. Crua, brusca e tão, tão real, Alana reclama de como está feia dando à luz, depois diz que a sensação é muito boa (parto orgásmico, gente) e tudo acontece logo ali, na sua cara. Um parto, cheio de sangue, com cordão umbilical cortado pelo pai (com os dentes) e mãe amamentando, nas primeiras 6 páginas de uma HQ.

Mas por que Saga é tão maravilhosa?

A HQ começou a ser publicada em abril de 2012 e imediatamente recebeu críticas positivas em todas as mídias especializadas, talvez por vir de um autor consagrado e uma ilustradora promissora, ou, certamente, porque é muito boa.

Brian K. Vaughan, autor de Saga, já havia ganho 4 prêmios Eisner por suas obras Machina e Y: The Last Man, e era reconhecido seu trabalho em Buffy Season 8. Ele já era bem estabelecido no mercado editorial, mas, quando seu segundo filho nasceu, ele queria falar sobre a experiência de vivenciar um parto domiciliar, acompanhar o processo de amamentação e todas as questões pessoais que a paternidade envolve, mas, como ele mesmo pontua “Ninguém quer ler sobre isso”.

Então decidiu colocar no papel uma história que ele tinha na cabeça há muito tempo (segundo ele, desde a sua infância), sobre um planeta e sua lua que viviam em guerra, mas depois de tanta devastação em suas terras natais, em vez de acabar com a guerra, eles decidiram levá-la para outros planetas.

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Resumindo assim, parece bem clichê. Star Wars encontra Guerra dos Tronos, maniqueísmo, quem está certo e quem está errado, etc.

Mas as experiências de Vaughan como pai trouxeram tanta ternura para a história, que é contada do ponto de vista de Hazel, a bebê que é fruto do amor entre duas raças historicamente inimigas, que o mundo, a guerra, as naves interplanetárias se tornam exclusivamente um background.

Criação de mundos X Criação de personagens

Se o que atrai a maior parte da eternamente crescente fanbase de Saga é a história bem elaborada e amarrada ao mundo, é porque Vaughan é mestre em fazer isso. E funciona muito bem porque, ainda que o universo criado por ele seja levemente clichê, talvez justamente por isso tanta gente goste de ler. Queremos ver alienígenas robóticos com cabeça de televisão fazendo sexo, mas queremos isso com alguma familiaridade.

Com esse backgound de dois mundos entre guerras, Saga tinha tudo para cair num maniqueísmo à la universo central de Star Wars, mas vai muito além.

Como é um universo que Vaughan delineou ainda na adolescência, ele ressoa nos leitores com aquele toque de “já vi isso antes”, e, ao mesmo tempo, nos apresenta aos personagens mais incríveis e complexos possíveis – não sem aproveitar cada oportunidade para nos chocar com monstros em forma de testículo, por exemplo.

Enquanto mãe, eu consigo rir de Marko trocando as fraldas de Hazel, do cansaço de Alana com a amamentação (que é a única opção para eles, uma vez que são fugitivos altamente procurados e não têm muito tempo de procurar outras formas de alimentar a bebê, que nem em Walking Dead). Isso tudo em meio a uma guerra sangrenta, altamente tecnológica, com cenas de luta que tiram o fôlego, como toda boa HQ de sci-fi.

Enquanto fã do gênero, eu consigo ficar admirada com a forma como a história é contada, que em poucos volumes já nos permite compreender perfeitamente como funciona o universo onde Saga está inserido. Enquanto fã de quadrinhos, eu não consigo parar de admirar as ilustrações perfeitas de Saga (e gargalhar com o fato de que Fiona Staples, a ilustradora, sugeriu que a nave de escape deles fosse uma árvore porque ela odeia desenhar engrenagens e coisas eletrônicas, prefere desenhos orgânicos. E está ilustrando uma HQ de ficção científica!)

Eu comecei a ler Saga no computador e, apesar de ter o app da Comixology instalado há meses, nunca havia comprado nada por lá. Quando migrei da leitura no PC para a leitura no iPad, uau. A HQ foi feita para ser lida em tela de retina. Os detalhes da arte são embasbacadores e parecem vivos com a resolução da tela. Então eu nem coloquei tantas imagens aqui, porque 1. nada de spoilers e 2. se tiverem um tablet, comprem Saga e se maravilhem comigo com a arte belíssima da HQ.

Por mais que eu queira dar uma review embasada, é impossível não me deixar afetar pelo entusiasmo que eu sinto em relação a série. E eu não estou sozinha: Saga já ganhou 3 Eisners, 1 Hugo e 6 Harveys. O único problema é que ela só existe em inglês. Mas se você quer começar a ler HQ, ou já é leitorx de HQ e está procurando uma nova série para se apaixonar, Saga.

Classificação Pac Mãe:

Classificação Indicativa: R (17 anos nos EUA, 18 anos no Brasil)
Classificação Pac Mãe: 18 anos. Saga tem sexo, sangue, violência, conflitos familiares, enfim. É uma HQ bem pesada. Concordamos com a classificação indicativa da série.
Nossa opinião: ÓTIMO, MARAVILHOSO, O QUE VOCÊ ESTÁ ESPERANDO PRA LER?

Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café

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