Na TV | Sessão da tarde com a cria: Coração de Dragão (e um movimento por mais filmes dublados!)

coracao de dragao

 

Coração de Dragão, ou Dragonheart, era um dos meus filmes favoritos quando criança.  Eu estou até roubando colocando-o aqui na Sessão da Tarde, porque ele é de 1996 e só chegou por lá quando eu já nem assistia mais a Sessão da Tarde. Eu aluguei esse filme mais vezes do que gostaria de admitir, e ao ver meu amor por esses mitológicos reptilianos cuspidores de fogo ( ou de gelo, ou de veneno, ou de energia…) replicado no filhote, tive certeza de que ele também gostaria tanto quanto eu do filme.

Vejam vocês que eu estou perfeitamente ciente de que meu filho consome produtos da era digital do cinema. Que está acostumado a animações incrivelmente reais, e a CG’s com melhor atuação do que muita gente dessa nova geração. Mas na minha cabeça, Draco permanecia como um dos dragões de CG mais bem-feitos de todos os tempos (estou olhando pra você, Game Of Thrones). Talvez essa crença tivesse a ver com o fato de eu ainda não ter colocado Coração de Dragão à prova na Regra dos 15 anos*, e talvez eu estivesse me metendo em uma tremenda confusão.

*Regra dos 15 anos: alguns filmes, justamente os que mais nos encantaram enquanto crianças, não são tão bons quanto a gente se lembra. Portanto voltar a assisti-los após os 15 anos de idade não é recomendado, caso você queira seguir acreditando que o filme é bom. E se ele realmente for bom, certamente passará na regra.

Coração de Dragão fala sobre Bowen, um cavaleiro do Código Antigo, mentor de um príncipe, Einon cujo pai é um rei tirano. Durante uma rebelião dos camponeses, o rei é morto e o príncipe sofre um ferimento mortal, sendo levado por sua mãe até um dragão, que o faz prometer que será um rei melhor, mais justo e honesto do que seu pai, em troca de metade de seu coração. Recuperado e coroado rei, Einon se mostra muito pior do que seu pai, escravizando plebeus e se divertindo às custas do sofrimento deles, o que leva Bowen a renunciar seu juramento, e, acreditando que foi o coração de dragão que comprometeu a bondade de Einon, promete eliminar todos os dragões do mundo.

Draco e Bowen

Draco e Bowen

Isso acontece nos primeiros 15 minutos de filme, um plot perfeitamente razoável para uma criança de 5 anos acompanhar, correto? Correto, exceto que, mesmo tendo ido em locadoras, buscado no netflix e através de torrent meios ilegais de obtenção de conteúdo digital, só conseguimos encontrar o filme em inglês. Eu tentei ler para ele algumas partes importantes, e passei o filme explicando o que estava acontecendo, mas apesar dos olhinhos que brilhavam em todas as cenas com Draco e da retumbante atuação de Sean Connery como voice-actor, ele dispersou com mais ou menos 1 hora de filme.

Quando eu fui na locadora pegar vários DVDs de sessão da tarde, fui eliminando um a um pelo simples fato de que a maioria dos filmes antigos de aventura, muitos deles voltados para o público infantil, não têm áudio em português. Vejam vocês que eu nunca pensei que eu, euzinha, fosse algum dia levantar a bandeira por filmes dublados. O que a maternidade não faz conosco. Benjamin não fala inglês e não lê, mais ou menos o público-alvo da Sessão da Tarde, não é? O próprio dono da locadora me contou que se recusou a comprar o Blue Ray dos Goonies porque o áudio era em inglês (assim como o DVD). Nas  palavras dele: “como pode um filme pra criança não ser dublado?”

O que me leva à questão: no começo do filme, o pai de Einon leva uma emboscada e é pisoteado pelos camponeses. Logo em seguida, Einon ameaça queimar os olhos de um dos rebeldes com uma brasa e depois assassina esse mesmo camponês (que está velho, cego e trabalha como escravo na construção do castelo de Einon) a sangue frio, na frente de sua filha que implorava pela liberdade do pai. Ainda na cena da emboscada, meu namorado e eu nos entreolhamos e soltamos um “Eu não me lembrava desse filme ser tão violento”.

Nenhuma dessas cenas terríveis nos marcou. O que me levou à conclusão de que se eu não conseguia lembrar dessas cenas, provavelmente Benjamin também não se lembraria. Elas não eram relevantes para a história, que inclui um dragão. Tem um modafocka dragão no filme! Quem se importa com um rei sádico e cruel, que sempre perde pro cavaleiro bonzinho? Claro, no final ainda haverão cenas de luta, é bem chocante quando Draco mostra metade de seu coração, mas eu não sei dizer como Benjamin reagiria a essas, pois ainda faltavam 40 minutos de filme quando ele perdeu o interesse. Mesmo assim, talvez eu devesse ter assistido antes pra relembrar disso, eu certamente teria esperado mais alguns anos antes de assistir com ele.
Antes de entender minha classificação, sugiro que leiam o que eu acho sobre violência em produtos audiovisuais.

Ranking Pac Mãe:

Classificação Indicativa: 14 anos
Classificação Pac Mãe: 8 anos (mas assista algumas cenas antes, só pra ter certeza se concorda).
Nossa opinião: É um filme de fantasia medieval B, com excelentes gráficos. O único personagem realmente cativante é Draco, que apesar de estar quase 20 anos defasado, ainda é um CG perfeitamente aceitável e fascinante.

 

 

Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café

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