Transformers | Novidades sobre a linha feminina e um breve histórico

por Cecília Souza Santos

“Robôs e carros são coisa de menino”. Essa é uma de muitas afirmações que se espalham por nossa sociedade e definem desde cedo que garotas não devem ser motoristas, pilotos, engenheiras. E claro, boa parte disso é construído através de brinquedos onde meninos ganham ferramentas, veículos, arminhas e as garotas ficam com bonecas em forma de bebe, utensílios domésticos.

E claro que uma franquia baseada em robôs que se transformam em carros e aviões estaria do lado masculino da cerquinha binária com uma grande etiqueta coisa de menino perceptível pela pouca ou má representação feminina nas séries, filmes e animações por muitos anos e principalmente nas linhas de brinquedos.

É raríssimo em linhas de brinquedos antigas encontrar brinquedos das fembots, as Transformers femininas, mesmo quando estas tinham suas aparições escassas e secundárias nas séries e quadrinhos da franquia.

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Algo que pouco a pouco tem mudado, em parte por que meninos gostam de ver figuras femininas, sim, em geral de forma objetificada (vide as diversas super-heroínas sexualizadas nos quadrinhos e games), em parte por conta da popularização trazida pelos filmes pra cinema, ou mesmo da recente interação de publico com meninos curtindo My Little Pony e garotas curtindo X-Men e Liga da Justiça.

arcee

Pois bem, tudo isso culminou em algumas aparições significativas como a personagem Arcee em Transformers Prime, mudando do tradicional rosa predominante em suas encarnações anteriores pra um azul e mudando de uma personalidade mais passiva para uma guerreira ágil e agressiva que agradou bastante aos fãs e trouxe mais identificação para as meninas. Mas ainda era a única fembot do grupo.

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GEN-Deluxe-chromia-botPosteriormente tivemos Windblade, criada com base numa pesquisa com os fãs onde foi definido que seria uma Autobot (a facção “do bem”), fembot com modo alternativo de avião e assim, um brinquedo dela foi lançado junto com sua inclusão nas HQs. E foi uma inclusão significativa já que ela possui um bocado de conexões e conhecimentos que a tornaram bastante essencial as histórias. Assim surgiram também outras aparições de fembots nas histórias e duas figuras lançadas junto com ela: Arcee e Chromia.

strongarmIsso abriu precedente pra inclusões mais ousadas como a Strongarm de Transformers Robots in Disguise, série animada atual para a TV, uma policial durona, robusta que se transforma numa grande picape. Suas imagens iniciais causaram muitas reclamações e argumentos como “Não parece feminina!” ou “Parece um cara bombado!” mas mesmo com uma representação pobre em brinquedos, a personagem tem feito muito sucesso com o público – a ponto de inserirem Windblade também na série de TV.

Mas o melhor ainda está por vir: Com a nova linha de brinquedos Combiner Wars, focada em Transformers que além de se transformarem podem combinar-se uns com os outros formando um robô maior, tendo um evento correspondente focado nos ditos combiners acontecendo nos quadrinhos, surgiu uma nova pesquisa de mercado com a proposta Fan Build Combiner, um time de personagens sugerido pelos fãs por meio de votações formando um Combiner.

E assim surge Victorion (eu adorei o nome! Tem toda uma aura de força envolvida), formado por fembots e surgido do Sea of Rust (Mar de Ferrugem), um lugar tido como barra-pesada no universo Transformer. O quão épico é isso? Um grupo de robôs femininas invocadas vindas de uma área hostil e violenta que se unem formando um robô com um nome forte e magnifico que evoca vitória!

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Mas não para por ai, houve a divulgação da capa da primeira HQ onde elas surgirão e as artes conceituais das personagens e diferente das fembots da geração 1 que eram mulheres esculturais com, pequenos detalhes mecânicos pra parecerem robôs temos um time de guerreiras robustas com armaduras volumosas e até uma integrante realmente enorme que faz Strongarm parecer miudinha. E não só isso, os elmos são peculiares como o da Javelin que parece ter um olho só ou a Proxima com um visor cobrindo seus olhos – algo que até então não se via em fembots.

Claro que, assim como no caso da Strongarm, tem um bocado de mimimi de homens dizendo que elas não parecem femininas, que se tirarmos o “batom” seriam homens, dentre outras insinuações de que ser mulher, ou ser feminina implica num padrão especifico.

Claro, não dá pra negar que a Hasbro sempre recicla os moldes dos brinquedos pra fazer outros personagens e isso pode, sim, ter influenciado as garotas robustas, assim como o fato delas precisarem se integrar e combinar – o que seria difícil com integrantes demasiadamente delicadas no time. Mas isso não apaga o mérito e a inclusão trazida por elas: quem sabe não vemos mais heroínas diversas em outros universos? Eu tento imaginar um time de super heroínas humanas/humanoides com esse conceito e penso em como seria lindo e as possibilidades pra cosplayers. Confira o design das personagens da equipe Victorion nas imagens da galeria abaixo, tiradas do tumblr do artista Alex Milne.

ceci Cecília Souza, ou Ceci Honey é Fã de sci fi, robôs gigantes e veículos militares desde nova. Faz pixelart há 25 anos e atualmente trabalha fazendo arte pra games. Customizadora e plastimodelista amadora, escritora e desenhista de HQs quando a vida permite. Vive num constraste entre rosa, lacinhos fofos e histórias de guerra mecanizada e armas desproporcionais por que ninguém vai dizer que essas coisas não combinam! É transexual, lésbica e Pac Madrasta de uma adolescente linda. Você pode ver seus designs e customizações em seu Deviant Art.

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