Catarse | Chegou: As Aventuras de Lilith

Acho tão chiques aqueles blogs de games que fazem posts detalhadíssimos sobre as novas aquisições. Comentários sobre as embalagens com suas respectivas fotos, um cuidado tão grande. Penso logo que esses blogueiros não têm filhos, porque eu nunca conseguiria fazer foto de cada etapa da abertura de uma embalagem dos Correios com uma criança de 5 anos falando “O que é? Deixa eu ver?”

Foi assim essa semana quando chegou por aqui nosso exemplar de As Aventuras de Lilith, primeiro volume das Aventuras Mitológicas. Para refrescar a memória trata-se daquele projeto que nos deixou super empolgadas com a proposta de trazer heroínas mitológicas para a linguagem infantil e era encabeçado por ninguém menos que Marcelo Del Debbio, lembram?

Uma foto publicada por Pac Mae (@pacmae) em


Eu já tinha falado do meu amor verdadeiro amor eterno por financiamento coletivo que talvez seja oriundo de eu ter participado de projetos que me garantiram o impecável Ícones dos Quadrinhos e o divertidíssimo Cuecas por Cima das Calças. Confesso que sou um pouco mimada por recompensas tão incríveis e isso somado à minha empolgação com o projeto das Aventuras Mitológicas colocou a expectativa nas alturas.

Mas já dizia Ivana, não crie expectativas, crie codornas. A minha decepção começou com a embalagem: a miniatura de Lilith, feita artesanalmente pelo Estúdio Kimeron e foi financiada quando o projeto arrecadou R$16.000,00, chegou quebrada porque não veio adequadamente embalada.

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Não tinha plástico bolha nem uma caixinha segura, ela veio achatada em uma caixa de um outro projeto de Del Debbio também financiado coletivamente. Sendo jogadora de RPG há bastante tempo, entendo a fragilidade das miniaturas e, no fim das contas, a minha não estava quebrada além do ponto de salvação.

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Confesso que fiquei chateada com a mini danificada, mas ainda mais em ver recursos desse outro projeto sendo gastos assim, levianamente. A mini de uma leitora do blog também chegou quebrada, indicando que a embalagem insuficiente não foi um acidente isolado.

Mas meu aborrecimento maior foi com a edição do livro. Nos idos de 2007 eu tentei transferência para a USP porque queria fazer o curso de Editoração. Não passei, mas isso não me tornou menos exigente no quesito: sou daquelas que lê as informações do tipo de papel nas letras miúdas da última página dos livros e analisa acabamento de encadernação e corte de lâminas para determinar se vale ou não a pena adquirir determinado livro físico. Devo admitir que se eu estivesse em uma livraria e me deparasse com um exemplar de As Aventuras de Lilith, ele não passaria pelo meu crivo.

Não sei se foi só o meu exemplar, mas houve algum problema entre a encadernação e o tamanho das lâminas que as deixa curtas quando o livro é aberto, o que pode não incomodar a maioria das pessoas mas é uma das minhas pirraças. O livro parece ter sido encadernado em uma gráfica rápida, daquelas que a gente leva o TCC pra encadernar em 24h porque precisa colar grau no fim do mês e o prazo pra entregar a mídia física é no outro dia, sabem? Não? Só eu? Enfim, para um projeto que arrecadou cerca de 230% de sua meta, eu esperava mais, muito mais.

Por último a história em si. Quando li o resumo do projeto, imaginei que a história de Lilith seria contada em narrativa de estória, com a ortografia antiga mesmo, de story. Esperava um desenvolvimento de personagem de forma que conseguíssemos nos apegar à heroína e que ela passasse a fazer parte do imaginário das crianças que lessem o livro. Foi uma surpresa desagradável me deparar com um texto duro, enciclopédico, que eu teria desencavado lendo as outras obras do autor, como a Enciclopédia de Mitologia. A leitura-teste com meu filho de 5 anos foi um verdadeiro fracasso, com ele perdendo o interesse antes da metade do livro.

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Não me entendam mal, eu fiquei fascinada com as informações contidas no livro. Não conhecia a lenda contada desta forma, e mesmo incomodada com a fonte e com o uso excessivo de CAPS LOCK e “aspas” durante a história, gostei. As ilustrações de Lucy Fidelis ajudaram um bocado, pois o texto se esquece de falar de algumas partes da armadura perdidas em algumas batalhas. Decididamente não é um livro para crianças pequenas, mas com alguns detalhes editoriais corrigidos, ainda acredito no potencial das Aventuras Mitológicas.

Classificação Indicativa: oi?
Classificação Pac Mãe: 7-8 anos para leitura acompanhada, 10 anos para leitura desacompanhada.
Opinião Pac Mãe: Tivemos problemas com embalagem, editoração e edição do livro. A história não é uma estória, mas um artigo histórico sobre Lilith. Vale a pena para interessados e atrai crianças pelas ilustrações, mas a linguagem não é necessariamente infantil. Um livro para colecionadores.

Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café

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