Vidas ao Vento | Leveza e delicadeza de Hayao Miyazaki

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Fui assistir a animação Vidas ao Vento (Kaze Tachinu, 2013), de Hayao Miyazaki (mesmo diretor de Totoro e A Viagem de Chihiro). Dessa vez Miyazaki fez um filme mais adulto, uma história romântica sobre o sonho de um menino de projetar aviões. O filme é esteticamente muito bonito, e a trilha sonora linda, obra do compositor japonês Joe Hisaishi, parceiro do diretor desde Nausicaä. Não dá nem vontade de sair do cinema no final, para ficar mais tempo admirando a beleza das cenas que vão passando enquanto os créditos aparecem.

Confesso que ando tão acostumada com os desenhos em 3D e lotados de efeitos que sempre acompanhamos nos cinemas, que a simplicidade (no melhor sentido da palavra, ok?) da animação 2D me deixou ainda mais admirada. Tão simples, e tão bonito! Viagens ao Vento foi  indicada ao Oscar de 2014, e perdeu o prêmio para o queridinho Frozen. O diretor e ilustrador anunciou (mais uma vez, diga-se de passagem, mas acho que dessa vez é verdade) a sua aposentadoria e declarou que Vidas ao Vento foi seu último longa-metragem. Que pena!

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Vidas ao Vento conta a história de Jiro Horikoshi, projetor do avião de caça Mitsubishi A6M Zero, mais conhecido como Zero, utilizado pelo Japão na Segunda Guerra Mundial. O personagem é real, mas a história é ficcional. No filme, Jiro, que por conta da miopia não pode pilotar, tem desde pequeno o desejo de projetar aviões. Ele sonha, literalmente, com o designer italiano Gianni Caproni (mais um personagem real), e segue em sua trajetória de estudos e construção de sua carreira. Paralelamente, conhece a jovem Naoko, por quem se apaixona.

Assim como em Tonari no Totoro, há elementos autobiográficos do diretor em Viagens ao Vento. A mãe de Miyazaki passou por uma doença – tuberculose espinhal – que a deixou de cama por vários anos em um leito de hospital. É o que acontece com Naoko em Vidas ao Vento, e o que também ocorre com a mãe de Mei e Satsukia em Totoro. Outro ponto é que o pai do diretor trabalhava em uma fábrica, a Miyazaki Planes, que construía lemes para aviões durante a Segunda Guerra Mundial. 

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Mais um toque que demonstra o tom autobiográfico do filme, que eu li no blog Pop Cinema e adorei saber: “O avião Caproni Ca. 309 Ghibli (projetado por Gianni Caproni) foi a inspiração de Hayao para nomear seu estúdio de animes” (Estúdio Ghibli, um dos mais respeitados estúdios de animação do mundo). Segundo o site, “O significado dessa palavra em italiano é siroco, um vento que sopra no mediterrâneo vindo do Saara e traz novos ares para o mundo.”

Saí do cinema satisfeita. Filme esteticamente lindo. História doce, delicada. Tem um ritmo mais lento do que estamos acostumados a ver em animações, mas o defeito é nosso, e não do longa, podem acreditar. Não percam!

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Vidas ao Vento (Kaze Tachinu, 2013)

 Ranking Pac Mãe

Classificação Indicativa: 12 anos

Classificação Pac Mãe:  12 anos
Nossa opinião: Ótimo
Kathy

Kathy

Jornalista, sonserina, lannister, malkaviana, dobradora do reino da Terra, distrito 3. Transmito o legado nerd ao meu rebento, Samuel, que, pobrezinho, já reclama que ninguém da escola sabe quem é Sauron e nem fazem ideia do que significa conjurar um patrono.
Kathy

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  • Onde vc assistiu? Estou louca para assistir este filme e aqui na minha região não veio U.U

    • kathy

      Assisti aqui em São Paulo, Angie, no Espaço Itaú de Cinema, na Augusta.

  • Já assisti com meu filho Totoro e Ponyo. Você acha que dá pra ir com uma criança de 7 anos?

    • kathy

      Oi Martha! Não tem nenhuma violência muito explícita no filme, apesar do tema da guerra ser o pano de fundo. Acho que o mais inadequado é o fato do protagonista fumar sem parar rsrs… Ainda assim, acho o filme cansativo para crianças, acho que eles vão se cansar fácil. Não levaria o meu pequeno, que tem 7. Beijos!