Empoderamento | Wolverine não, WolverinA: uma história de empoderamento infantil e feminismo

Hoje temos um guest-post muito, muito especial. A Jéssica Totski é uma Pac Mãe que vive trocando ideia a gente lá no grupo do Facebook. No Halloween, ela postou fotos da filhota Maria vestida de Wolverine, toda linda. Mas mais do que a fantasia, ela contou a história de empoderamento da Maria para enfrentar os coleguinhas que disseram que ela não poderia ir de super-herói.

A Jéssica é ídola em vários aspectos: é adepta da economia solidária/consciente, e comprou a fantasia no brechó onde compra a maioria das roupas. É feminista. E vai contar como convenceu a Maria a ir vestida de WolverinA, que nem a Dilma, que é PresidentA. Muito amor!

Quando preguntaram se ela era namorada do Wolverine: "E por acaso eu tô vestida de Jean Gray? Acho que não, né?"

Quando perguntaram se ela era namorada do Wolverine: “E por acaso eu tô vestida de Jean Gray? Acho que não, né?”

Olá pessoal, meu nome é Jéssica e eu sou mamãe de uma menininha muito esperta chamada Maria Clara, ela tem 6 anos, e me enche de orgulho. Esse post foi a Fernanda que me pediu, depois que eu postei uma foto em que Maria usa uma fantasia de: (pasmem) Wolverine.

“Opa, Wolverine não mãe, Wolverina.”

Vou contar essa história pra vocês e é mais ou menos assim:

Eu sou feminista, sou acadêmica de filosofia e sou mãe, acho essa mistura interessante e o resultado disso, na educação da minha filha é notório. É uma  menina de 6 anos, cheia de opiniões, vontades e empoderamento. Ela sabe que ser mulher não é fácil, mas é lindo e poderoso.

Acontece que, durante uma de nossas visitas a um dos brechós da cidade em que vivemos, Maria deu de cara com uma fantasia de Wolverine, que custava 3 reais e servia perfeitamente nela. Comprou, por que ela sabe que pode ser Wolverine se quiser. Só não pode é deixar que os outros a digam o que deve ser. A fantasia virou pijama, virou roupa de passeio, roupa de ir pro  parque, de jogar bola, enfim, serviu pra tudo. Só não tinha servido para o propósito principal, a essência da roupa ainda não tinha sido evidenciada. Wolverine ainda não tinha ido à uma festa à fantasia.

Foi na semana da festa de Halloween da escola, que Maria percebeu que poderia usar a roupa tão querida. Testamos a maquiagem, e a empolgação era enorme. Maria nem atendia pelo nome mais, só era Wolverina.  Em uma conversa na sala de aula (1º ano, em escola pública) Maria contou aos amiguinhos sobre a fantasia e óbvio:  os coleguinhas tão acostumados com a polarização de “herói pra menino, princesa pra menina” riram de Maria, que voltou pra casa pedindo roupa de princesa. Eu poderia dar um jeito, esticar a grana, alugar vestidinho, mandar ela com roupinha comum ou mesmo uniforme, mas eu sabia que ser o Wolverine era importante.

Mostrei fotos de cosplays femininos do Wolverine. Mostrei a x-23 pra ela. A menina se empoderou dum jeito, que nem atendia mais pelo nome, foi fofo demais.

Mostrei fotos de cosplays femininos do Wolverine. Mostrei a x-23 pra ela. A menina se empoderou dum jeito, que nem atendia mais pelo nome.

O que eu fiz? Corri até a loja de tecidos mais próxima e comprei 4 metros de tule para armação, amarelo e azul e elástico. Gastei 7 reais e fiz minha filha feliz, fazendo com que a Wolverina ganhasse um “tutu” de bailarina, cortei um pouquinho a  fantasia, costurei a saia em uns 15 minutos e voilá: Wolverine nunca foi tão fofo. Eu me sinto orgulhosa, eu fiz minha menina ser aquilo que ninguém espera de uma menina: uma heroína. Aquela que quer salvar, e não a que espera por salvamento. A força e não a fragilidade. Eu fiz minha filha ver as coisas de uma forma realista e lúdica ao mesmo tempo. Ela foi pra’quela festa como quem vai salvar o mundo, com a força de um super-herói e a delicadeza de uma bailarina. Correu, pulou, dançou, arrancou as saias e ficou de macaquinho, sendo a Wolverina e sabendo, que com ou sem as saias, ela continua sendo uma menina.

Eu gostaria de ver mais meninas vestindo os uniformes de seus super-heróis favoritos e sabendo que escolher um uniforme masculino não te faz menos menina. Eu queria ver os meninos dançando ballet, sem levar na consciência aquele pensamento de que deixam de ser meninos por usar uma malha. Eu queria ver os pais fazendo pelos filhos, aquilo que não fizeram pelas nossas gerações.

Mas eu queria também que as nossas super-heroínas deixassem de ter papéis secundários e que um dia minha filha escolha a fantasia de X-23 ao invés de pedir fantasia de Wolverine. E que quando eu fosse procurar uma fantasia feminina, que ela não  parecesse um biquíni. Eu sei, que temos muito a fazer pelxs nossxs filhxs e que a cultura que temos, não é das mais igualitárias, mas nós como mães e pais de pequenxs nerdzinhxs, temos um àrduo trabalho de formiguinha pela frente, mas que é o mais gratificante  possível. Nossas crianças podem ser o que quiser, basta que não deixemos que ninguém as diga o que devem ser. Elas sabem o que querem, muito mais do que nós adultos, que nem sabemos o que queremos no café da manhã.

Nanda Café

Nanda Café

Feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.
Nanda Café

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  • Janaina

    Adorei! Linda essa Wolverina!
    Lembrei do episodio em que minha sobrinha de 4 anos me pediu pra imprimir desenhos pra pintar. Sentei com ela em frente ao computador e ela escolheu desenhos do homem aranha. Quando minha irma viu ela com os desenhos, deu bronca e disse que ela nao poderia pintar aquilo, pq era de menino, e que deveria pintar a moranguinho, hello kitty ou qualquer outro personagem para meninas. Tentei argumentar, explicando que ela deveria poder escolher o personagem que quisesse pintar, mas nao teve jeito.

  • Jéssica

    Não sabia que estava tentando convencer as pessoas de algo, só dividi com meus amigos a história da minha filha querer ser a Wolverina, se não te agradou, desculpa aí 🙂

    • krismetello

      Adorei Jéssica, parabéns pela linda filha <3
      Tbm tenho um pequeno que é avesso ao convencional (graças a dels rs) Beijos

  • Kathy

    Jéssica, você é linda, sua filha é linda, e essa pessoa comentando é amarga. Não deixe a amarguice dela te azedar. Um beijão!

  • Jaqueline

    Parabéns pelo ótimo exemplo Jéssica!

  • Teresa

    http://youtu.be/fgwZeTwQUk4

    Tem alguém aqui querendo falar mal de feministas a troco de nada…

  • Claudia

    Maria Antônia, eu, como amante de HQ, te digo isso: se o Wolverine tivesse uma namorada, seria a Jean Grey. Em diversos Gibis rola uma paixonite entre os dois e em várias histórias eles já se beijaram. Talvez pra uma menina de 6 anos um beijo seja um namoro.
    Então não dê opiniões sobre assuntos que vc não tem conhecimento ok?
    Segundo: julgar sem saber a verdade é muito feio, espero que seus filhos não se tornem pessoas preconceituosas como você.

  • Helio de Abreu

    Muiiiiiiiiiiiiiiiiiito boa a história da WolverinA,que mais mães e pais façam o mesmo com seus filh@s ;-D !

  • Pucca

    Pq mentirosa??
    Acho que tem gente com probleminhas de invejinha…

  • Pucca

    hahahahhahahah…..

    Querida, nivele as pessoas pela sua falta de imaginação e criatividade. Se não é capaz de fazer por seus filhos, deixe quieto quem consegue, ou aprenda.
    Aproveita que tá bravinha com as feministas, e vai engraxar o sapato do seu macho dominante….

    Pessoas invejosas, e desocupadas, estamos de olho.

  • nandacafe

    Maria Antonia, esse é um blog de maternidade. Um espaço seguro para mães e pais que optam por criar filhos fora de um modelo convencional compartilharem suas histórias. A não ser que você tenha uma câmera na casa da Jéssica e tenha como comprovar essa acusação absurda, seus comentários serão moderados e deletados de agora em diante. Respeito, acima de qualquer coisa, é o que queremos nesse espaço de comentários. E você ultrapassou essa barreira mais de uma vez. Strike 2!

  • Bruna Betamin

    Só gostaria de dizer que cheguei a esse site por um link de uma página no facebook que sigo.
    Não sou (não era) leitora habitual, mas sou feminista e professora – tentando trazer para a sala de aula o empoderamento infantil e as lutas contra o “senso comum”.
    Gostaria de dizer também que não tenho filhos, mas que fiquei realmente emocionada com o relato dessa super mami e sua super filha!
    Parabéns axs envolvidxs!!!

  • Amanda

    Que linda!
    Meu pai sempre foi grande fã de super-heróis, e, nesta quinta-feira, fomos eu, ele, e minha irmã (de 6 anos) à uma loja de roupa. Lá, Valentina encontrou uma blusa do Batman, e na hora correu para mostrar ao nosso pai. Ele ficou todo feliz e na mesma hora a presenteou – Valentina vestiu a blusa na mesma hora. Então fomos ao shopping comer alguma coisa, e a Valentina se sentia demais de estar usando a blusa que tanto amou e que chamava a atenção de todas outras meninas e meninos que passavam por nós!

  • Sophia

    Achei maravilhosa a liberdade de expressão que esta mãe está possibilitando à sua pequena. Dar assas a imaginação dos filhos acho que é dever de todos pais (quem cria, seja mãe, pai avó, etc..), limitá-los acredito eu que pode até afetar o desenvolvimento da criatividade dessa criança, ou quem sabe torná-lo um adulto oprimido.
    Tem muitos pais que querem ser donos e moldar a personalidade da criança a ponto de reprimir ela em seus anseios.
    Adorei a atitude da mãe, inclusive em dividir isso com outras mães e mostrar que não há nada de errado em ser o que se é…

  • Géssica

    Lindona Maria…. E para essas pessoas q não tem o que falar… nem venham aqui pra comentar so besteiras!!!…. Prima ta linda!!!

  • Roger

    Que história com carinha de mentira, viu? Parece mais un enredo de conto de fadas feminista, hahahahha.

  • Queen Belit

    Eu vi a foto da menina fantasiada no facebook com ela dizendo que não é a namorada do wolverine e achei muito legal! Lembrei da minha infância

    Mas aí os adultos estragam tudo. Vira masturbação intelectual, auto-promoção (olhem como eu sou filósofa, feminista e boa mãe, uau) post de blog… e além disso, acho babaquice projetar em crianças coisas que estão na cabeça dos pais (do tipo que diz que é adepta da economia solidária/consciente e feminista, e meter até a nossa presidenta no meio……….. não, né)
    É deslumbramento demais

    Eu fui menina, gostava de quadrinhos, games e rpg, não tive mãe feminista, e mesmo assim me virei bem. Até acho que foi melhor, sabe. Se minha mãe fosse feminista, ela provavelmente não ia gostar de me ver lendo hqs do Conan e suas amigas heroínas seminuas hehehe =p que era uma das minhas coisas favoritas

    • nandacafe

      Ou, se você tivesse uma mãe feminista, ela teria deixado você ler as HQs do Conan e te explicado sobre como aquela representação das mulheres não era legal, quiçá te apresentado a outras HQs.

      O que as pessoas falham em perceber aqui no blog é que ninguém força a barra com os filhos. A Jéssica não forçou a Maria a se vestir de Wolverina, mas a educação que ela dá pra Maria permite que ela se empodere e vá à escola e peite os amiguinhos sim.

      E poxa, que terrível você usar uma plataforma de divulgação de ideias para espalhar coisas como economia solidária, igualdade de gêneros e empoderamento infantil, né? Quando tem tanto chan por aí espalhando só coisa boa… d:

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